Lago
Detalhes
O que você aprendeu na escola?
Acabo de levar a minha filha na aula, Maria Eduarda estuda em uma escola do município, é uma ótima escola e eu a adoro. Quando o Luiz passou por lá foi muito bem acolhido, gostava dos professores e aprendeu muito. A proposta pedagógica na infância assim como a integração social foram um dos motivos, além de poder trabalhar, que me convenceram a colocar meus filhos cedo em um ambiente escolar.
Desço do carro conversando com ela sobre se comportar, colaborar, se alimentar, obedecer o que a professora falar e brincar bastante. Olho para o lado e vejo um casal com seu filho, dando praticamente a mesma orientação. Não sei de qual a é origem, mas sei que são imigrantes e isso me tocou, eles estavam muito felizes, a criança um pouco apreensiva. Pedi para a Duda dar a mão para o Andy, trocaram olhares se reconhecendo e entraram felizes, fiquei observando os dois assim como os pais do coleguinha. No retorno para casa, não me contive, chorei emocionada, me sensibilizei com aquelas pessoas e com aquele momento, com um misto de sentimentos em meu peito agradeci ao universo por ter a vida que tenho, com todas as alegrias e dificuldades. Não conheço a história deles e não nego que fiquei curiosa, vieram de longe por condições melhores de vida, acredito eu, e ali, naquele momento o suspiro aliviado dos pais ao verem seu pequeno entrando na escola e tendo uma oportunidade que talvez em seu país de origem a criança não viria a ter, mostrou-me o quanto eles estavam satisfeitos.
Estudei em muitos lugares ao longo da minha vida que até parei para contar, se não me engano são dez o número de escolas, municipais, estaduais, particulares, faculdade, curso técnico, cursinho preparatório (meu pai queria que eu fizesse parte do colégio militar quando eu tinha 10 anos), fora cursos rápidos e atividades extra classe. Percebi, e os meus amigos-leitores no qual compartilhei este espaço também irão perceber que o que mais aproveitei com certeza não foram os ensinamentos de português (e a medida que eu escrevo me sinto mais ignorante quanto a gramatica), também não foi de nem perto qualquer outra matéria da grade curricular. As vivências com inúmeras pessoas e essas trocas de escolas no decorrer da minha trajetória me levaram a ter a visão e sensibilidade voltada para o detalhe, e com este olhar aprendi mesmo foi a andar como um camaleão, me adaptando facilmente a diversas situações e lugares, e mesmo passando por experiências boas ou ruins, aprendi a viver com muita alegria.
Um amigo me perguntou certa vez se eu era feliz, e sem pensar exclamei: - Óbvio! Ele sempre respondia que ficava feliz em me ver feliz, mas não conseguia se sentir assim por mais que quisesse. Nós tínhamos uma troca enriquecedora e verdadeira, ele era um questionador nato assim como eu, e juntos questionávamos tudo e todos, porém me dói muito o fato dele não ter conseguido nesta vida enxergar os detalhes que poderiam ter dado outro rumo a sua história.
Por ter conhecido tantas pessoas cada qual com a sua realidade, aprendi a ser feliz com pouco e ver a dadiva da vida nos detalhes, vejam bem, não estou romantizando pobreza, e nem estou dizendo que não devemos ter ambição, sonhos e vontades, muito pelo contrário, mas é preciso estar atento aos detalhes e olhar com carinho para os lados, para nossa jornada, para o que somos e para onde estamos caminhando. Ao observar as infinitas possibilidades não só daquela criança na entrada da escola como as que a minha filha também irá encontrar no seu caminho, pude mais uma vez reafirmar este sentimento de felicidade. Aprendi a ser grata não só pelo pouco, mas pelo muito que consigo enxergar.
Olga Lago
Sobre a mesa
Quantas coisas queria fazer e travo. Paralisada por algo que não consigo entender, caio no ditado popular “quem muito pensa, pouco faz”. São tantas coisas dentro de mim que me faltam mãos, pernas, braços e o principal, atitude. Gosto de ficar sozinha e ter os meus momentos, mas gosto muito mais de compartilhar à minha alegria e as minhas experiências, gosto de fazer parte da vida de outra pessoa. Há quem goste e prefere ser só, e não vejo problema nisso. Mas qual será o meu motivo de buscar ter um par, um companheiro, um confidente, um braço de apoio?
Livros modernos de auto ajuda alertam! Faça por você, acorde cedo, faça exercício, beba três litros de água, sempre tenha em mente que precisa ser um para poder fazer parte de dois. As frases clichês que são espalhadas ao vento, inclusive por mim, me fazem pensar ainda mais o quanto a graça de ser companheiro de alguém deixou tudo isso mais complicado. A cada dia que passa a lista de exigências para você ser parte de um casal esta mais extensa e para se encaixar nela você precisa de disciplina e tempo. Esse tempo vai passando, dias, semanas, anos, e quanto mais passa, mais difícil fica de se moldar a um perfil para esse quebra-cabeças. A tua própria lista também vai ficando longa, pois você tem muitas habilidades e conquistas e não vai ser qualquer um que vai merecer ser o teu par. Gosto muito de uma música que pergunta na canção, “Quem é que tem coragem de ser o que é? quem tem a coragem de falar de amor?” Esta tudo tão difícil que muitas das relações são tão moldadas que acabam por nem serem de verdade. Onde a entrega do corpo tem sido mais importante que a entrega da alma.
Você casado, consegue ser de verdade para a sua metade, sem amarras e com todas as suas versões? Seu par permaneceria do seu lado se soubesse de tudo que tu já fez ou tem vontade de fazer? Quantas vezes você deixa de ser você para ter um outro que não te aceita na totalidade?
Como um cachorro que se parece com seu dono, o casal pende a ser mais parecido com uma das partes, nada contra isso, mas quem não esta disposto a ser moldado por alguém, tem dificuldade de ceder tão facilmente ou fica na espera por um ser que se encaixe naturalmente a sua linda singularidade, o esperar por esse alguém pode se tornar longo e cansativo. Bom mesmo era antes, na adolescência, que o nível de exigência era menor e as possibilidades menos escassas, o felizes para sempre não parecia tão distante.
Quando o poeta diz que não devemos perder nossa criança interior, ele não esta dizendo para sermos imaturos ou irresponsáveis, mas que possamos enxergar a vida e a essência do próximo sem os padrões da vida adulta, sem a opinião alheia e os julgamentos dos críticos de plantão, é para se aceitarem cada qual com a sua natureza, qualidades, experiências, defeitos e fraquezas.
Esses dias encontrei um amigo que me perguntou, “E tu Olga o que quer, o que tu busca?” Como minha imaginação é fértil, maliciosa e sagaz, lembrei de um vídeo do Porta dos Fundos intitulado “sobre a mesa” e pensei: - O que eu quero Mario Alberto… ri por dentro, mas a vontade não era de falar as falas dela que por sinal são engraçadas e bagaceiras, muitas até nem seriam má ideia, mas o meu objetivo é outro, o meu discurso não seria aquele, quem sabe colocarei aqui na sequencia… Mas titubeei, falei o trivial, busco e pretendo ter alguém, mas não sei, tem que ver, sei lá, parece difícil.
Lembrando de tudo que estava pensando nos últimos dias, no que escrevi e como me senti quando questionada, prometo que se me perguntarem da próxima vez, vou tentar responder de forma sussinta: Quero que a entrega seja verdadeira na sua totalidade e que mesmo não sendo perfeito, seja o que realmente um busca no outro para ficar e viver em paz.
Olga Lago
A maturidade é evidenciada quando sua opinião não é simples reflexo do que as pessoas dizem, mas expressão das próprias convicções.
"Da mesma forma que a independência gerou a queda no Eden, a dependência pode gerar a ascensão no hoje"
"Para enxergar a sarça que brilha em meu espírito, eu terei que apagar primeiro as luzes do Egito brilham em minha alma"
"O tempo de anonimato, gerado por Deus, pode parecer uma censura, mas é a forja que prepara aqueles que se sentem esquecidos para se tornarem reis."
"Um bom punhado de unção e uma fé ousada sempre caminham de mãos dadas com uma intercessão constante."
"A perseverança no caminho de Deus não é uma opção, é uma necessidade para quem deseja ver o impossível se tornar realidade."
"Cada semente carrega uma promessa; ao consumirmos a semente que deveria ser plantada, talvez estejamos abrindo mão das bençãos de Deus para a colheita que viria"
“Existem lágrimas que Deus enxuga para consolar e existem lágrimas que Deus recolhe para transformar em sementes, por isso pode chorar”
Os verdadeiros heróis da fé são lembrados por sua fidelidade ao propósito que os transcendeu, enquanto muitos, nos círculos de prestígio religioso, vangloriam-se prematuramente de conquistas superficiais, esquecendo-se de que a verdadeira glória reside no cumprimento pleno do chamado que lhes foi confiado.
"O grande declínio dos aplausos e elogios não são as pessoas criarem seus próprios bezerros de ouro pois elas vão fazer, mas os supostos bezerros aceitarem o título".
Assim como o catalisador ativa a resina, transformando-a e dando-lhe firmeza para cumprir sua função, a revelação divina só alcança seu pleno efeito quando combinada com uma resposta de ação prática.
”De que adianta”
De que adianta a praia, se não a contemplo?
De que adianta a família, se não tenho tempo?
De que adianta algum dinheiro, se não viajo?
De que adianta alguns amigos, se não me engajo?
De que adianta o ar, se não respiro?
De que adianta o mar, se não me atiro?
De que vale o sol, se não me esquento?
De que vale a casa, se sou relento?
De que vale a fartura de pão, se eu não sustentar?
De que vale mais um culto, se não me entregar?
De que me serve a fala, se eu não pregar?
De que servem os braços, se eu não abraçar?
De que valeu o tempo, se eu não parei?
De que valeu a vida, se eu não reparei?
De que serviu a paisagem, se eu não percebi?
De que serviu o espelho, se eu jamais me vi?
De que me valeram os olhos, se eu não olhei?
De que me valeram as tempestades, se eu não mudei?
De que serviu a Bíblia, se eu nem a li?
De que serviu a Cruz, se não me arrependi?
O que acontece dentro de nós é mais poderoso do que qualquer coisa que possamos ver do lado de fora. Portanto, se desejamos um milagre no visível, primeiro devemos abrir espaço para o milagre invisível que Jesus pode operar dentro de nós.
Somos responsáveis por gerar a igreja do amanhã, pois a fé que seus filhos herdarão não será definida pelo que você diz, mas pelo que você vive interiormente.
