Já Perdi
Ouço novamente a música da semana passada. Já perdi as contas de quantas vezes repeti-lá - no caminho para o trabalho, enquanto arrumo a casa, na fila do banco, na hora do banho e antes de dormir. Minha alma grita aqui dentro. Uma gargalhada alta. Um festejo pelo afeto que recebi. Meu coração parece ter sido tirado de dentro de um saco escuro.
Não dei conta
Já perdi a conta de quantas vezes,o meu pensamento
em busca do teu, andou.
E o teu passava perto, junto a mim, desapercebido,
eu não o sentia.
O que será que a mim acontecia?
Talvez no afã de te querer pensava eu, que na busca
te encontraria.
Ledo engano, te perdi, por entre os anos, que passando
foram, e até te achar, tempo levou.
Hoje padeço o te deixar passar,sem que eu desse conta.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro Honorário da U.B.E
DEIXAR DE SENTIR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre houve um pra sempre; já perdi a conta;
todo amor é assim em seu passo primário;
tudo quanto começa já traz uma ponta
pra buscar outra ponta de mais um sudário...
Imortal repetente ou eterno diário;
cada laço é uma vida que o tempo remonta,
como nosso infinito cabe num aquário
onde o pronto parece que nunca se apronta...
Quanto amor para sempre; quanta eternidade;
a verdade que agora desmenta a verdade,
quando nossa doçura virou absinto...
Aflorou no pra sempre o velho nunca mais;
outro sonho cansado retorna pro cais;
meu amor, sinto muito pelo que não sinto...
Já perdi as contas
De folhas que amacei
Tantas poesias e versos
E todos eu rejeitei
Por não acreditar em mim mesmo
E em coisas que eu escrevia
Mas por um breve momento
Eu olhava e sorria
Tantos sentimentos bobos
Transformados em poesia
Já perdi muitas oportunidades na vida por não andar bajulando ninguém.
Andei meditando muito e sabe a que conclusão cheguei?
...
Vou continuar perdendo!
Já perdi as contas de quantas batalhas obviamente perdidas eu já entrei.
Entro em campo de guerra sem nenhuma cerimônia, venho armada, disposta a lutar e a conquistar territórios, visto minha armadura e enfrento os meus adversários fantasmagóricos com minha espada em punho.
Luto para não morrer nem que para isso tenha que matar. Utilizo-me de estratégias para invadir e chegar ao topo, para depois, descer da torre pela saída de incêndio.
Retorno com as mãos vazias, trazendo comigo apenas a frustração de mais uma vez me acreditar invencível.
Chego estatelada, coração dilacerado e vazio, porque pensava que dessa vez não seria impossível.
Desabo exausta e com a certeza de que essa foi a última vez que me propus a lutar...
Pura ilusão!
Eu não sei dizer quantas vidas tirei, nem quantas perdi nesse jogo, muito menos quantas me restam.
Talvez a vitória seja a chance de me descobrir resistente.
Talvez a cada derrota eu me torne mais resiliente.
Talvez vencer, seja saber me levantar e tentar novamente.
Talvez eu esteja cansada, e tudo o que eu deseje seja alguém com o coração abastado, um abraço apertado e disposto a me conduzir para um novo mundo encantado.
Laís Penteado
Já perdi as contas de quantas vezes eu tive vontade, mas não tive coragem. O medo de errar já me paralisou demais!
Eu já perdi as contas da quantidade de vezes que eu errei, que fracassei e que me estrepei na vida. Mas... se ouve tantos erros e tantos fracassos, significa que ao mesmo tempo muitas vezes eu me levantei, me reergui, me superei e não desisti!
- Eu continuarei tentando.
Já perdi tantas noites pensando em quem nem se quer lembrou de mim antes de dormir, mas a verdade é que mesmo tão machucado e desgastado eu não perco as esperanças de que um dia tudo ainda possa mudar e quem sabe nesse dia você num perceba que mesmo do meu jeito, os meus sonhos e objetivos sempre foram os seus...
Eu já perdi tantas coisas
Algumas coisas inúteis
Outras sem muita importância
E uma muito importante
Eu perdi a esperança de te ter.
Como posso ser importante para você
Se os dias se passam e minha alma continua a mesma
Cada pessoa que passa diante de mim
Me faz ver que todos vivem
E eu porém morro sozinho
Eu não posso aceitar morrer
Me diga que me amas
Que gosta de mim
Que eu voltarei a viver
A viver do teu lado.
Me diga que me aceita como amigo
E eu voltarei a ser feliz
Me diga que pensou em mim
Pelo menos uma vez
E que em um doce sonho me viu
E eu voltarei a viver...
Incongruências do verbo amar
Tu, eu e o mundo, somos confusos.
Eu já perdi vários parafusos.
E não tenho tempo para consertar nada.
Quero viver: a dor, o sofrer e todo o benquerer, que em ti eu possa vir a ter. Não é uma questão de: certo ou errado.
Aprendi a amar o mundo do jeito que ele é. Porque é assim que as coisas são. Quem tem medo de se perder dentro do seu próprio mundo; nunca achará um lugar seguro para viver e amar.
Ando perdendo muitas coisas ultimamente.
Perdi um maço de cigarros outro dia.
Já perdi documentos, viagens, jogos...
Já perdi amores, amizades, e até a dignidade em noites de bebedeiras.
Já perdi pessoas, objetos, e até lugares.
É, eu realmente ando perdendo muitas coisas ultimamente...
Acho que eu só não perco essa minha mania maldita de perder.
Portanto, que perder seja uma dadiva, uma oportunidade perfeita para recomeços.
Só espero que eu não perca essa minha mania maravilhosa de perder.
Já perdi as contas de quantas vezes me pediram pra desacelerar. Pra ir com calma, pra não me empolgar demais, pra tudo. Não só pra relacionamentos em si. Eu simplesmente não consigo ser menos. E qual a graça de viver sendo menos do que se é? Sei que minha intensidade incomoda os que são rasos. Incomoda quem fica só na superfície, ou às vezes quem nem tem coragem de mergulhar. Quando começo a ver uma série, faço logo uma maratona, passo noites sem dormir até terminar. Ouço um álbum novo de um artista favorito 200x até enjoar. Quando vou a um show, aprendo as musicas pra poder cantar de cor no dia. Gosto de conversar, sobre nada, sobre tudo, mas não gosto de small talk pelo telefone. Faço amizades pra vida inteira no banheiro e defendo quem tá comigo até o fim. Por vezes não quero sair de casa, e em outras não quero voltar. A intensidade nunca me limitou, mas tenho aprendido a viver o momento presente. E olha, é difícil pra caramba não pensar o que a atitude de hoje pode dar no futuro, mas to tentando viu. Ô se eu to.
Já perdi muita coisa na vida, mas sempre tive a teimosia irritante de me encontrar. Nunca irei á falência, pois sempre terei a mim como último recurso.
Já perdi as contas de quantas vezes escutei: “você é doida” depois de concluírem que eu saí sozinha. Doidos são vocês, que não conseguem aturar a própria companhia e querem que outro o faça. Doidos são vocês, que não se dão a chance de se conhecer melhor. Sair sozinho é quase uma doença: tem gente que olha torto, gente que te chama de doido ou até que pensa que você não tem amigos. As pessoas se sentem incomodadas porque não conseguem sentar num boteco e tomar uma observando o ambiente. Não conseguem ir a uma sessão de cinema que querem ver. Não fazem aquela viagem que sempre quiseram por falta de companhia. Não vão à praia pra recarregar as energias e ouvir uma música boa. Não vão a um show que amam para curtir o som. Eu já fiz tudo isso e muitas outras coisas incríveis. Planejo fazer muito mais, e farei. Entenda que, nascemos sozinhos, morreremos sozinhos.
