Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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É engraçado, não é? É sábado à noite e ele está se enchendo de bebidas, mulheres e orgias, e eu estou em casa estudando o Estatuto da OAB e o Código Civil, lutando para ser alguém na vida. Somos tão diferentes muito embora estivéssemos em sincronia uma vez; dois planetas que certa vez giraram em perfeita sincronia e agora giram em órbitas opostas. Eu me vejo daqui a dois anos, formada -graças a Deus- talvez advogando, talvez assessorando, talvez fazendo residência judicial, mas eu não consigo visualizar o futuro dele. Formado? Talvez...Bem sucedido? Dificilmente. Bêbado todo fim de semana? É possível. Talvez nem a Tanatologia possa explicar o estado de putrefação em que ele se encontra. Coliquativo, talvez?

Eu era um misto de ansiedade, medo e estresse e me entreguei a essa viagem como um herege que se atira ao fogo, como quem dá-se ao carrasco, esperando, aguardando ver minha alma queimar. No entanto, minha alma não foi consumida pelas chamas,minha alma, não sei se por influencia dos rios ou das marés, aprendeu a virar água e submetendo-se às adversidades,apagou quaisquer chamas que pudessem existir, Eu descobri que viajara para buscar, não para fugir. Eu viajei para buscar e achei. Achei minha desorientação como resposta e não como pergunta e isso me encheu de paz, como se a resposta fosse fluir tal qual a água, como G.H no romance de Clarice Lispector.

Hoje eu escrevo para todas almas solitárias ao redor do mundo, escrevo àqueles que sofrem por amor,aos poetas, aos bêbados e aos loucos. Escrevo a todos que necessitam de paz, aos que anseiam por poesia, aos que carecem de amor. Escrevo para aqueles que perderam a si mesmos no meio do caminho e já nem sabem ao certo que identidade assumir, que direção seguir. Escrevo aos que se perderam de si mesmos...

⁠Eu não sei como nem por qual motivo eu me vi cantarolando "Always" do Erasure e pensando nele e querendo, desejando estar com ele e beijá-lo até perder o fôlego. Fiquei aflita com isso, confusa, estranha...Porque meu corpo queima de dentro para fora quando penso nele e parece ser quase impossível conter esse incêndio dentro de mim. Então eu já nem quero fugir e quero é sair correndo para os braços dele e me sinto tão idiota por isso!

⁠Ele beijava minha boca, meu corpo e entardecia lá fora. O sol beijava o mar, eu não conseguia tirar minhas mãos dele e pensei em como não havia outro lugar no mundo onde eu quisesse estar. Naquele momento não havia concursos, processos urgentes, telefones tocando, dramas familiares ou ansiedade. Só havia nós. O mundo todas desaparecia enquanto eu o abraçava e eu pensava que não queria soltá-lo nunca mais.

⁠Então eu entendi. Eu deveria ter entendido antes. A vida me deu vários sinais que eu tinha ignorado e ela precisou me dar um solavanco, um soco no estômago, um beliscão para eu acordar. Um cara me mandou um nudes e eu só visualizei, totalmente desinteressada. Outro cara gatíssimo surgiu e eu não senti a menor vontade de ficar com ele. Eu perdi o apetite quando saí com o cara que eu estava ficando - eu, que como um boi pela perna, que dou prejuízo para os restaurantes, que faço as pessoas passarem vergonha quando saem comigo de tanto que como - eu perdi o apetite! Mas nem assim, nem desta forma eu acordei e foi somente quando eu vi a forma como eu olhava para ele na foto foi que eu percebi que estava me apaixonando. Foi só ao ver minha cara de boba que tudo fez sentido. Isso é uma tragédia! Ou será uma dádiva?

⁠Eu gosto disso, gosto deste cuidado. Gosto de ele me dizer para pegar um casaco porque esfriou e ele não quer que eu passe frio porque se preocupa comigo. Gosto da sensação de ter alguém cuidando de mim e de me sentir protegida e de pensar, secretamente, que eu gosto de pertencer a algo ou alguém, mesmo que ele não saiba disso. E nem vai. Ele não precisa saber o quanto povoa meus pensamentos ou o quanto eu gostaria de estar com ele neste momento, nem que fosse para fazer algo simples como ouvir uma música e olhar o pôr do sol, algo que eu amo fazer.

Querido, eu tenho evitado te escrever porque sabia que, quando pegasse na caneta e rabiscasse alguns versos, meu coração começaria a sangrar. Contudo, parece que agora a hora chegou.

Eu te amei, querido, em cada estação, em cada música de amor e em cada momento de nós dois, mas amar não significa engolir todas as frustrações e lutar por tudo sozinha. Relacionamento é um ato bilateral, meu bem, e ninguém aqui é Atlas para carregar o mundo inteiro nas costas.

Eu o amo com um amor que me queima a alma, mas eu não posso te pegar no colo a vida toda

Esses dias, eu fui ao trapiche da beira-mar despachar um adoçamento que fiz para você e, assim que vi o papel desaparecer e afundar no mar, senti paz. Foi como se, simbolicamente, tivesse jogado suas cinzas ao mar. Não entenda mal, eu não quero que você morra, mas, simbolicamente, estou te matando no meu coração. Eu enterro vivo esse amor, tranco-o numa caixa escura e o deixo morrer de fome, sede e falta de luz solar.

Na sequência veio a barganha e eu quis me esbofetear por sentir saudades e lembrar dos bons momentos como uma boba apaixonada. Eu mesma me recriminava por sentir saudades, como se houvesse uma luta, uma guerra civil dentro de mim, ora querendo ele de volta, ora querendo extermina-lo.⁠

Eu sei que tem doído, doído constantemente, deveras, de forma latente e eu subestimei o modo com esse término me afetaria. A madrugada, contudo, para mim, sempre foi um período cheio de epifanias e em uma dessas noites eu me surpreendi lembrando da citação de Clarice que diz que escrever uma maldição, mas uma maldição que salva. É curioso como podemos esquecer de nós mesmos em meio a dor. Nosso corpo entra em estado de alerta e tudo que sentimos é dor, tudo que vemos é a perda e ficamos anestesiados para o resto do mundo. E quase que eu me esqueci que o tempo não para nem vai esperar. E quase que eu me esqueci que na minha vida, nos momentos de crise, o mergulho na poesia foi sempre minha salvação. Escrever é uma maldição, mas uma maldição que salva e que já me salvou incontáveis vezes ao longo da vida. Eu não sei por que fui amaldiçoada com poesia desde cedo, mas se essa maldição já me libertou antes, ela pode muito bem me libertar de novo.
Talvez escrever exorcize minha dor… Talvez a salvação apoteótica estivesse dentro de mim o tempo todo e eu estivesse concentrada demais naquilo que não foi para perceber… Talvez eu tenha sim me perdido no meio do caminho e esteja voltando a me encontrar.Shakspeare menciona na peça “O menestrel” , uma das quais aprecio muito, na verdade, que é necessário plantar seu jardim e decorar sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
Eu esperei por flores por tempo demais, mais do que seria saudável para alguém esperar e eu pude contar nos dedos as que efetivamente recebi. Esta semana eu iniciei minha horta, voltei a malhar, coloquei os pés na terra e lembrei de me nutrir, porque eu posso perder algumas folhas secas no meio do caminho mas não as minhas raízes.
Espero ser capaz de amar de novo no futuro, ser amada com reciprocidade e ter ao meu lado alguém que tenha coragem de lutar por um futuro comum. Eu acho que eu mereço isso.
Espero que esse veneno se dissipe e a dor estanque de uma vez. Até lá eu sangro, vou sangrando, vivendo, estudando, escrevendo e me nutrindo das coisas boas que a vida colocar no meu caminho. Perdoe o gerúndio assassino, a hipérboles e minhas imperfeições

No campo de batalha pessoal está o meu eu que joga sujo e o outro eu que joga limpo...a única competição digna de minha atenção.

Sempre me colocaram no topo e eu quis descer de lá; quero viver a minha vida e não às expectativas dos outros.

Estou cansada de não fazer nada mas é como se eu pudesse fazer e não quero assumir a responsabilidade e é aqui que a culpa e distância consiste o cansaço.

Na sua opinião, o que é mais provável: um jumentinho sustentar um homem ou um corvo? Eu sei que você dirá um jumentinho. Eu também diria isso, mas para minha e sua confusão, Deus usou um corvo, ou corvos, para sustentar o profeta Elias. Amigo, quem pode impedir a maneira estranha como Deus atua na Terra?

Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não louvar, eu louvo. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu não orar, eu oro. Quando eu percebo que tudo está cooperando para eu desistir, eu não desisto.

Talvez a única boa notícia que eu e você tenhamos hoje é que nossos familiares e parentes estão bem, pois o que se pode esperar de bondade em um mundo que rejeita o Filho de Deus?

Orar por alguém é apertar as mãos dessa pessoa em espírito e dizer: 'Eu te ajudo.'