Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum
O que é uma perda? Posso chegar a diversas definições,
mas se eu pergunto: qual o sentido de se perder alguém que amamos?
Posso tentar obter uma explicação pela ciências ou
pelas mais diversas formas de crenças, mas
o que possam me explicar não vai me convencer,
porque a dor que fica não permite eu entender.
Não entendo a inevitabilidade do que é natural
e essa certeza me põe em um poço de porquês,
aos quais nunca consigo entender.
Por isso busco responder: Na verdade eu preciso mesmo procurar entender ou apenas aceitar o que não se pode deter?
A recíproca da vida
Eu não nasci em uma família tradicional, mas conquistei famílias fidedignas que me encaminharam até as portas da minha adolescência.
Não tive a formatura da escola tampouco dancei a valsa com meu pai. Aprendi a ser coreógrafa na dança da minha própria vida. Quando eu era criança, eu contava uma história para eu dormir. O nome da história era minha própria história. Eu me cobria depois para me proteger dos ventos que vinham através das frestas da janela do quarto.
Nunca fui coitadinha, mas autora iniciante da minha própria história. Na escola, eu só precisava mesmo de um lápis, uma caneta, uma borracha e um caderno. Minha mochila era uma sacola plástica. Nos meus pés, eu calçava um tênis azul, vestia uma camiseta branca e uma saia de preguinha azul, meias brancas nos pés, mas algumas vezes fui para escola de chinelo de dedo. Mas, acreditem, eu era feliz! Porque eu estava buscando algo que ninguém conseguiria tirar de mim futuramente: o conhecimento. Sempre fui muito observadora com tudo, com todos e com todas as coisas ao meu redor. Podia estar em qualquer lugar, lá estava eu aprendendo, copiando tudo, seguindo a cartilha da vida, ''caminhos quase suaves''.
Parei de estudar com quinze nos de idade, mas às vezes volto e retomo de onde eu parei, vou um pouco adiante e paro para uma pausa. Acredito que mais que uma meta é poder agregar pessoas que eu amo.
Às vezes eu me recuo, outras vezes eu saio de cena, mas continuo nos bastidores aprimorando meus conhecimentos. Nessa vida, já fui aluna e também professora, são títulos que a própria vida se encarrega de nos dar, conforme nossas experiências.
Já fui ponte e já fui chão. Fui me adaptando no meu próprio habitat. Todas as pessoas que passaram pelo meu caminho, deixaram flores ou espinhos, mas elas também tiveram de mim as mesmas coisas.
A vida é mesmo uma recíproca.
Eu quero fazer uma homenagem para todos os meus amigos em vida , porque depois da morte não existirá mais nenhum propósito.
Para os amigos que lutam na vida ,que a cada passo transcendem os confrontos do cotidiano,essa homenagem é dedicada à sua coragem inabalável. Que a cada passo um novo obstáculo é vencido e que através de cada vida suas histórias de resiliência e superações os deixem cada vez mais fortes.
Desejo que o caminho de vocês seja enfeitado de planos concretizados e que todos os teus dias sejam felizes. Todos vocês para mim se tornaram um exemplo vivo e modelos de vida à serem seguidos.
Eu tinha medo de sofrer, tinha medo de ousar, tinha medo de acreditar que aquilo era uma verdade e de tanto medo fugi quando senti aquilo tudo, e quando percebi que estava perdida, eu soube que mesmo que você passe a vida toda fugindo um dia o amor sempre encontra você.
Esheley Filha(Luto)
A dor que eu sinto no peito pela sua ausência... É semelhante a dor de uma ferida profunda que está sendo magoada a todo instante... Te amo muito!
Eu ❤️A vida é uma grande aventura e benção e devemos fazer cada segundo valer a pena... Assim vivo com esse pensamento 💕🌹
De vez em quando
Tudo que eu preciso
É respirar um pouco
Pode até parecer
uma ideia louca
Mas não é todo dia
Que a gente atenta
Nesses desalentos
Que nos atingem a alma
de forma tão costumeira
E a gente nem pensa
Em sair um pouco lá fora
Ou pelo menos abrir a janela
Inspirar o ar pelo nariz
Soltar pela boca
e acalmar-se
Pensar em tantas coisas que eu quis
e não aconteceram
Lembrar das coisas erradas que fiz
E simplesmente me perdoar
Jogar pra fora todo arrependimento
Juntamente com o ar
E olhar as coisas ruins
Indo embora; no vento da noite
Simples assim
A vida se renova
Com uma pequena porção
Pura e nova
desse presente da natureza
Simplesmente
Basta querer
Pois
De vez em quando
Todo mundo precisa atentar para o fato
Que o ato de respirar
É algo um pouco além de somente
Inalar e exalar o ar
Edson Ricardo Paiva
Houve manhãs
em que acordei
E pensei
que após uma noite de sonhos
Eu havia retornado em outro corpo
Em outra vida
Outra parada
Parecia simplesmente
Que eu acordei na vida errada
Passava horas e horas
Sentindo que eu apenas
Alguém que era menos que nada
Noutras horas me sinto
Voando ao sabor do vento
Passageiro de uma nuvem
Simplesmente
Algo que evapora
Some
Vai embora
Não chove e nem morre
Há momentos
Em que a decisão de tudo isso
Pousa finalmente em minhas mãos
E posso pensar mais calmamente
E escolho sonhar
Que sou nuvem que chove
E quando acaba a tempestade
Percebo que floresci
Nos galhos de linda parreira
E que ainda existe escolha
Alguma coisa que não tive
Por toda uma vida
Após a chuva
e depois de tão longo caminho
Eu posso ser suco de uva
E me resta a opção de ser vinho
Trilhar em paz o restante da estrada
Onde nunca mais
Ninguém há de me olhar
E não ver nada.
Edson Ricardo Paiva.
Uma brisa mais leve
Um breve pensamento
E talvez eu me lembre
Onde foi que perdeu-se o brinquedo
Da criança que um dia eu fui
Mas o tempo prossegue fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças tristes
Quando a fruta apodrece
A semente germina
E assim que termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Vai representar ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Porém se não o fizer
Morrerá sem descobrir
Por que as coisas estão
Aqui e ali
E mesmo assim
Todos prosseguimos caminhando
A caminho de um fim
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente represente um nada
Creio
Que talvez seja difícil agora
Compreender a tudo isso
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Que seja pouco mais que nada
A paz tão procurada
E aquele brinquedo perdido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo, com toda certeza permanece
Escondido nas dobras do tempo
E o tempo jamais se esquece
Portanto
Se de fato nada existe
Pense que isto traz a conclusão
da impossibilidade
de realmente inexistirem
Afinal, você pensa
E é nisto que tudo consiste
E, se tristeza não há, então
Nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Pensamento
Eu pego uma porção
Do silêncio que me acaricia
Divido em pequenos momentos
Escolho a parte mais bonita
E depois eu a guardo
No mesmo lugar, onde durante uma vida
Eu sempre procurei guardar
Um sorriso reservado
Pra tantas alegrias sinceras
Que ainda estão ali, guardadas
Divididas
Entre um e outro pensamento
Embrulhadas em porções
de pequenos momentos
À espera do esquecimento
Visitadas amiúde
Tão somente
Pelo som desse silêncio
Que tristemente me acaricia.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tento uma coisa nova
Invento chamar a chuva
Reclamo quando não chove
E quando chove, também
Eu faço do mesmo jeito
Não me lembro de como ele era
Saio à chuva, depois que ela pára
Reclamo enquanto não chove
Eu tento chamar a chuva
E chove
Eu tenho um jeito novo
Pra fazer as velhas mesmas coisas
Meu melhor modo
É deixar tudo de lado
Da mesma maneira
Um velho pássaro vem
Pousa em meu telhado e morre
Já passou-se a vida inteira.
Edson Ricardo Paiva.
Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.
Eu tenho uma caneca de café
Que traz um sorriso pintado
Se eu me sinto aborrecido
Olho pra ela; não há como ignorar
É um sorriso daqueles sem paga
Parece até que perdi o juízo
Mas é que sou tradicional
sou fiel, metódico e sistemático
Gosto de ler os mesmos jornais
As mesmas revistas e todas as bulas
Preservo há anos o mesmo emprego
Os mesmos amigos e o amor da mesma mulher
Faço as coisas do mesmo jeito
Toda semana
E tomo sempre outro café
Na mesma caneca que traz
Um diferente sorriso
Estampado na mesma porcelana
Um sorriso meio de lado
Meio ingênuo e meio malandro
Meio bucólico e meio assim...
rindo de mim
Mas ainda é um sorriso
Quando ninguém sorri pra mim
Ela está lá
Me esquecem os amigos
Briga comigo a mulher
Tenho problemas no trabalho
Ficam com raiva de mim
aqui em casa
Eu abro o armário
E ela está lá; sorrindo
Minha única amiga de fé
Me estende sua única asa
E me convida pra um café.
Sandra
Outro dia eu sonhei
Com uma casa que a gente morava
Onde você, desde pequena
Acordava, fazia sorrir e sorria
Mas sempre havia um dia
Em que você estava brava
Eu ria, chamava a Patrícia
E a gente brincava
Outro dia eu passei lá em frente
A alegria se foi
Nem vale mais à pena passar lá
Os jardins estavam mal cuidados
A pintura desbotada
A casa não lembra em nada
Aquilo que foi um dia
Quem vê nem imagina
Os dias de alegria
Qua a gente viveu por lá
A vida sempre prossegue
A gente fica assim
de coração vazio
Como ficou vazia a casa
Hoje em dia
Acho que a gente nem mais consegue
Voar com aquelas asas
Mas, meu Deus...como eu queria
Brincar com a menina em fraldas
E ver brilhar
Aqueles olhos cor de esmeralda
Que quando me lembro, eu rio
Diferente daquela casa
Só de lembrar
Meu coração não é mais vazio.
Me mostre um cometa de compreensão
Que eu te mostro
Uma constelação de acusações
Me mostre um minuto de afeto
Que eu te mostro
Uma vida inteira de outra coisa
Me mostre um grão de amor
Que eu te mostro
Uma plantação de malmequeres
Me mostre um copo de garapa de doçura
Que eu te mostro
Um canavial de infundada amargura
Me mostre um grama de verdades
Que eu te mostro
Duzentas toneladas de incertezas
Me mostre um colibri de fé
Que eu te mostro
Uma revoada de desconfianças
Me mostre o que fizeste pra eu ficar
Ali há de encontrar
O motivo de eu partir.
Uma vez eu falei pra ela
Que eu não era uma propriedade
da qual ela pudesse dispor e mandar
Ela não entendeu nada
Na verdade, ficou revoltada
e então comecei a dizer
Meu coração pertence a ela
Minha alma pertence a ela
Assim como a minha vontade,
meu amor, meus dias presentes e futuros,
todas as frases que vier a criar
Num livro, num caderno
ou quem sabe...escrever num muro
Todas as minhas poesias e poemas
minhas alegrias grandes ou pequenas
e todas as lágrimas
seja de qual sentimento forem
todas as canções que escrevi
e as palavras de carinho que criar
Todo o tempo que eu tiver
E tudo que ela pedir
Estas coisas pertencem a ela
o resto é meu
A saudade que eu sinto
Quando ela não está por perto, por exemplo.
Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví
Hoje eu procurei no Céu
Uma pipa com a cor igual aquela
da qual nunca mais se ouviu falar
Tamanha era a dor da saudade
e tanta falta me fazem
todas aquelas amizades
Hoje sabem todos os que ficaram
Que somente os ventos prosperaram
O tempo passou lento
e foi levando, lentamente
Quase tudo. Tudo aquilo que fazia
A gente rir. Meu Deus, e a gente ria!
Ria, como não se ri hoje em dia
Hoje eu acho que a gente
Apenas cria algum argumento
Uma desculpa qualquer
Pra continuar aqui
Olhando pro Céu de vez em quando
e compreender
Que somente os ventos
Continuam no comando
Arrastando pra um lugar distante
todas aquelas pipas
todas aquelas lembranças
todos aqueles amigos
e todos aqueles sonhos
hoje antigos
Tão antigos quanto a infância.
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