Isso Ja Nao me Pertence mais
quando menino, já sabia da vida....
das dores dos grandes
quando homem, sentiu saudades das dores de quando era menino. (ivo)
Gratidão. (
Ali estava eu novamente, no centro de São Paulo, se escondendo da chuva. Já havia estado ali pelo menos umas dez vezes. Era uma agência de emprego. Na noite anterior eu havia decidido, caso não conseguisse um emprego, voltaria para Santa Mariana, mesmo derrotado. Aquela era a última tentativa. A agência de emprego ficava no segundo anda do prédio.r Fui até o balcão, cumprimentei a recepcionista, já minha conhecida, ela me olhou e disse --"nada, não apareceu nada pra você.", . Havia umas cadeiras ali, iguais àquelas de escola. Me sentei e fiquei pensando em como arranjar dinheiro para a passagem de volta para o paraná. A minha situação era a pior possível. Fazia um mês que eu estava batendo sola em São Paulo.
Como eu não tinha uma roupa apresentável, usava um terninho de tergal, propriedade do meu irmão. Terno brilhoso. A camisa com a gola puída, dele também, sem o primeiro botão. A gravata meia boca e torta O sapato era um número menor e do meu irmão também. Para piorar estava com a sola furada. Dinheiro não havia. Aluguel atrasado e para piorar estava com uma gastrite daquelas. A coisa estava tão ruim que na noite anterior, eu tinha brigado com todos os santos, (meus assistentes para assuntos empregatícios), cada um trabalhando com dez por cento de comissão, caso me arrumassem o emprego, seria uma doação para uma instituição. Como não tinham conseguido nada, despedi todos, incluindo o chefe maior. Depois de fazer uma bola com o travesseiro, comprimindo a barriga para diminuir a dor da gastrite, dormi e sonhei com minha mãe.
Então, enquanto eu estava sentado na cadeira, pensando na volta para minha cidade, ouvi uma voz dizendo para recepcionista --"minha empresa está precisando de um funcionário, que seja bom datilografo, faturista, e que conheça um pouco de acessórios de peças. Aquele homem me descreveu. Eu sabia fazer tudo aquilo. Tinha sido faturista na Oleopar, trabalhei na oficina do João Bampa. Meu currículo era mais ou menos. Mas que depressa desci e fiquei, novamente sob a marquise, esperando aquela pessoa. Quando ela apareceu, entrei da frente dela e disse, --'moço, (era um homem) me desculpe, mas estava lá em cima, na agência e ouvi o senhor falar com a moça., eu sou do Paraná, sei fazer tudo aquilo que sua empresa está precisando, "por favor, me consiga esse emprego"“, estou numa situação horrível. Os olhos já acompanharam o pedido, se enchendo de lágrimas. Ele me olhou, e disse:
-- vá até a minha empresa, vou ver se consigo te ajudar, ah, na parte da tarde, tá bem?"-., que nada, fui me informando com as pessoas como chegar até aquele endereço e , depois de uma hora de caminhada cheguei na empresa Agrale. uma empresa gaúcha fabricante de tratores e motores.
Depois de umas três horas de espera. Sofrer com o cheiro do almoço de um restaurante ao lado, ele me chamou, e disse: --” faça uma carta solicitando emprego e coloque alguns dos seus conhecimentos, coisa simples. Depois que você datilografar a carta, vou te apresentar para o nosso gerente, é ele que vai fazer a admissão. Sentei na cadeira, coloquei o papel na máquina de datilografia e comecei. Na primeira batida subiram duas letras e ficaram encavaladas perto do papel. Segunda tentativa a mesma coisa. Terceira tentativa: não consegui regular o papel, comecei a escrever e as letras ficaram tortas. Nesse momento aquela pessoa se aproximou pediu para eu sair da cadeira, sentou e fez a carta inteira e disse: --"Olha, para todos os efeitos, foi você quem fez a carta." Colocou meu nome eu assinei e ele me levou até o gerente. Me apresentou e saiu. O gerente leu a carta, começou a fazer perguntas inerente ao trabalho que eu ia executar, caso fosse admitido. Quando ele me perguntou quais eram as minhas pretensões salariais, lhe disse que precisava ganhar, salário de hoje, uns ¨$1.000,00, não me lembro qual era a moeda, aí ele me olhou e disse que o salário para aquela função não era aquele, era o dobro. Sai dali empregado. Comecei no dia seguinte e fiquei uns três anos trabalhando na Agrale. Fui faturista e tesoureiro. Fiz cursos, viajei para a matriz, Caxias do Sul.
Já me sentido empregado na Agrale, abri uma continha no bar perto do lugar onde morávamos. À noite, com a barriga cheia, tive uma conversa séria com os santos e com o chefe. Pedi desculpas, expliquei a situação etc., e dormi igual um anjo.A gastrite nem apareceu.
Tenho uma gratidão muito grande pelo homem que fez a carta para mim. Se não fosse ele, quem sabe, talvez estivesse morando em Santa Mariana e a minha história de vida seria outra.
Hoje acho que aquela pessoa que me ajudou, foi a mesma da sorveteria, só que de terno e gravata ao invés de bota e chapéu de boiadeiro, quem sabe.
algumas das minhas lembranças viraram contos e saíram por aí, contando suas proezas. já outras, enclausuradas, se escodem no infinito das minhas memórias. feridas de lutas desiguais, se acovardaram, ficando em silêncio, agarradas umas às outras como se defendendo das coisas ilusórias que sofreram..//i
Se eu pudesse voltar.
foi se um tempo
um tempo que, já quase esquecido,
surge de repente, agora se apoiando em velhas lembranças;
rebusca a memória, força momentos que vem e vão como se fossem estrofe de um velha canção de ninar;
fecho os olhos e me vejo em lugares, cheio de rostos
conhecidos com perguntas que ficarão sem respostas.
o tempo se foi hoje. /i
(Já postado algumas vezes)
...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia..
Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios.
Nos intervalos das "engraxadas' (eu era engraxate. Iniciante) eu ficava na porta no cinema e viajava naqueles painéis de fotos de "mocinhos e bandidos". Depois ficava esperando a matine de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do "bom contra o mau". O "mocinho bom" sempre vencia. No fim do filme sempre tinha a continuação dos seriados intermináveis, que deixavam um suspense no final. Acho que era para a gente voltar no próximo domingo. Perto do cinema havia uma sorveteria . A mais linda do mundo. (Eu só conhecia aquela) Os sabores dos sorvetes eram homenageados nos painéis(desenhos) que ficavam expostos nas paredes. Eu viajava naqueles sabores. O meu preferido era o banana splits, mesmo não conhecendo o sabor. Gostava da imagem.
O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto, lógico, pela aparência. Como eu era um dos que não podiam entrar, o negocio era ficar olhando pelo lado de fora e imaginando. E foi ali, naquela sorveteria, que um dia, um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, mandou que o homem ruim, servisse o melhor sorvete (aquele da foto que eu estava admirando banana split) para aquele menino que não podia entrar na sorveteria. O que foi feito sem relutar.
Do outro lado da pracinha, tinha um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogador de futebol, com direito a ganhar uma bicicleta, desde que você preenchesse um álbum imenso. Ganhar aquela bicicleta era quase impossível. Mas foi assim, que um dia, com 8 anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas, mesmo ele não tendo álbum de figurinhas e nem ter ganhado a bicicleta. /i Ivo Terra Mattos
Quem já assistiu Game o Thrones e acompanha a história política nos últimos anos vê que aqui tá tudo muito louco!
Gardena do Lima
Com a delicada violencia
Que já fora um dia herdada
De sua tímida beleza.
Você deixa boas cicatrizes
Você é flor
É arte
É abstrata
Que de um jeito ímpar
Convida toda atenção.
Quem sou eu
Pra descobrir os pesos
Que essa bela alma um dia ja carregou
Em tuas fartas primaveras
Mas com toda certeza
Eu prezaria em ser aquele
Que escutaria todas suas historias
Todas aquelas que te deixa
Com o sorriso armado
Que te deixa com olhos semi abertos
Que te deixa com olhar ofuscante
Daquele que emite tudo
Tudo que há de lindo em você.
Amores são temporários
Alguns tem eficácia por uma vida.
Já outros, tiveram validade apenas
De algumas primaveras.
Se for pra ficar louca
Que fique comigo.
De qualquer forma
Já me apaixonei por todas
As suas personalidades mesmo.
E por essas jornadas
já passei por todos pronomes,
já fui você,
eles,
já fui nós,
hoje eu estou conhecendo
o ser, eu.
Fora Orquestrada
Me pergunto se ela já fora orquestrada pelo universo. Se esses detalhes foram a vida que lhe dera, ou se ela conseguiu colecionar por conta própria. Fora uma metamorfose, não tão ambulante, vivera cada fase como deveria e como conseguia. E assim conseguiu, e também com algumas cicatrizes, que hoje são pinturas abstratas em sua pele. Mas ainda me pergunto se ela já fora orquestrada, com todos aqueles detalhes que virgula nenhuma saiba citar.
Já fui ventania
que trazia coisa boa,
já fiz vítmas
de minhas boas intenções.
Hoje sou errante na filosofia
do aprendizado.
Devemos apreciar essa vida,
esse corpo, a voz que temos,
as coisas que já vimos,
e as que vemos todos os dias.
Devemos apreciar a comida
a bebida aos lazeres.
Admirar as pessoas
e todo potencial que
elas conseguem ser.
Devemos existir na vida
e esquecer do tempo,
porque os momentos
eles nunca voltam,
mas eles sempre
acontecem.
Aprendeu a ter calma,
a sentir cada passo,
dos físicos aos metafóficos.
Já teve sonhos engavetados,
sonhos em rascunhos,
sonhos falidos e sonhos realizados.
Mas a vida não assustara,
não tinha medo da única coisa
que a vida tem a oferecer
é viver e assim seguia seus dias.
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