Isso Ja Nao me Pertence mais
Quando o crente declara que o ateu só é coerente quando está calado, isso não é argumento, mas uma tentativa de coerção psicológica por meio da raiva. A religião é uma ideologia política, o ateísmo também é uma ideologia política; portanto, ambos têm o direito de discutir e se expressar.
Se você é religioso desde criança, isso não é uma escolha, mas resultado de doutrinação cultural. Apenas o ateísmo ou o agnosticismo podem ser considerados escolhas reais, pois exigem o abandono da religião!
Se deus exige amor enquanto mantém o poder de me eliminar a qualquer instante, isso não parece amor, mas submissão. Ninguém ama de verdade alguém que mantém uma arma apontada para sua cabeça.
A máquina não precisa de consciência para exercer poder; por isso o Direito precisa de consciência para limitá-la.
Uma sociedade não pode esperar virtude extraordinária de todos, por isso cria regras ordinárias para limitar danos extraordinários.
O universo pode permanecer indiferente às nossas perguntas; isso não nos dispensa da responsabilidade de fazê-las com seriedade.
Eu entendo e até me simpatizo com algumas ideias do MGTOW. Mas, para mim, isso não é exatamente uma novidade. Nos anos 90, eu já era um solteiro convicto, muito antes de qualquer movimento dar nome a esse modo de existir.
E não me entendam mal: eu adoro as mulheres. Vivi histórias, paixões, encontros, descobertas. Elas fizeram parte da minha vida de muitas maneiras. Mas, para mim, existe uma diferença entre gostar da companhia de alguém e precisar tê-la dentro de casa.
Socialmente, gosto das pessoas. Em casa, prefiro meus gatos, meu cachorro e o silêncio.
Talvez porque eu precise dele.
Preciso ouvir o que permanece quando o mundo finalmente se cala. Preciso de espaço para escrever, para pensar, para perceber aquilo que o ruído cotidiano costuma esconder.
Às vezes, tenho a impressão de que o vazio não é ausência de alguma coisa. É justamente o lugar onde certas coisas começam a dizer o que pensam.
E eu preciso estar sozinho para escutá-las.
O outro é apenas um espelho. A pergunta certa não é ‘por que ele faz isso?’, mas ‘por que isso me afeta?’.
Não seja manipulado pela própria consciência, quando isso acontecer você se torna escravo e responsável por seu próprio fracasso.
Isso é um pedido de socorro.
Embora eu não saiba exatamente a quem socorrer, nem de que maneira se socorre alguém que já se acostumou a naufragar em terra firme. Talvez seja justamente esse o problema: tenho me afogado em lugares onde sequer deveria haver água, e, ainda assim, aprendi a respirar como quem pede desculpas por ocupar espaço.
Isto é um pedido de socorro, embora não haja gritos, embora não haja sangue, embora eu ainda responda quando me chamam e sorria quando esperam que eu sorria. Porque há uma crueldade particular em continuar funcionando quando já não se sabe ao certo o que, dentro de si, permanece em funcionamento. Como um relógio que, mesmo parado, continua certo duas vezes ao dia. Como eu, que, mesmo perdida, ainda sei apontar o caminho de volta para casa, mas já não reconheço a casa quando chego.
E tenho chegado a lugar nenhum com uma frequência assustadora.
Há dias em que me sinto demasiadamente viva para a vida que levo e demasiadamente morta para a vida que poderia levar. Permaneço nesse intervalo indecente entre o que sou e o que suponho que deveria ser, como se existir fosse uma prova cuja questão principal estivesse escrita em uma língua que todos compreendem, menos eu. Leio, releio, interpreto, sublinho. E, no fim, entrego a folha em branco, porque até as minhas respostas parecem perguntas mal formuladas.
Talvez eu esteja cansada de tentar fazer sentido de tudo aquilo que me acontece. Ou talvez esteja cansada de acontecer a mim mesma. Ou melhor, talvez esteja cansada de mim mesma.
Porque me aconteço todos os dias, e, a cada acontecimento, alguma coisa deixa de acontecer. Perco um pouco de mim para compreender o mundo, compreendo um pouco do mundo para perceber o quanto me perdi. E quanto mais me procuro, mais me proporciono ausências. Sou a procura que não encontra, o encontro que não reconhece, o reconhecimento tardio de que passei tanto tempo tentando me tornar alguém que me esqueci de perguntar se ainda queria ser alguém assim.
Há uma diferença entre mudar e ser mudado. Entre crescer e ser crescido à força pelas circunstâncias. Entre amadurecer e apodrecer antes do tempo, embora, de longe, ambos possam parecer frutos de uma mesma árvore. E eu já não sei dizer se tenho florescido apesar das intempéries ou se apenas aprendi a chamar de primavera os períodos em que a dor não faz tanto barulho.
Tenho essa mania miserável de transformar tudo em alguma coisa. A tristeza em texto, o medo em prudência, a ausência em saudade, a saudade em esperança. Como se, ao nomear o que me fere, eu pudesse diminuir a ferida. Mas nomear não é sanar. Conhecer a causa não significa cessar o efeito. E compreender a própria tristeza, às vezes, é apenas descobrir novas palavras para continuar triste.
Escrevo porque sinto. Sinto porque existo. Existo porque, até agora, não encontrei maneira de deixar de existir dentro de mim mesma sem levar comigo tudo aquilo que ainda gostaria de descobrir. E assim sigo, sobrevivendo às minhas próprias sobrevivências, fazendo da permanência uma espécie de partida que nunca se completa. Há algo de profundamente irônico em passar tanto tempo tentando encontrar um sentido para a vida e, no processo, perder o sentido das pequenas coisas que a tornam suportável.
Eu queria descansar sem precisar merecer o descanso. Queria poder não saber, não entender, não prever as consequências de cada escolha como quem calcula os prejuízos de um desastre antes mesmo de construir alguma coisa. Queria errar sem transformar o erro em identidade, falhar sem fazer da falha um sobrenome. Queria, sobretudo, deixar de me cobrar por não ser capaz de oferecer a mim mesma aquilo que mal consigo oferecer ao mundo.
Porque tenho sido generosa com tudo aquilo que me esgota. Dou tempo ao que me consome, atenção ao que me dispersa, afeto ao que me afasta de mim. E, nesse gasto constante, desgasto o pouco que me resta. Distribuo pedaços como quem distribui pão, sem perceber que também tenho fome. Alimento expectativas, sustento aparências, mantenho promessas que fiz a versões de mim que já não existem. E quando finalmente me falta alguma coisa, ainda me pergunto se não estou sendo egoísta por precisar.
É estranho como posso compreender tão bem a necessidade alheia e tratar a minha como um inconveniente. Como posso reconhecer o cansaço na voz de alguém e ignorar o cansaço que se instalou na minha. Talvez eu tenha aprendido a ouvir para não precisar ser ouvida. Talvez tenha me tornado tão boa em acolher que já não saiba como pedir abrigo sem me sentir um peso. Ou talvez tenha confundido independência com inexistência de necessidades, autonomia com abandono de mim, força com a capacidade de suportar indefinidamente aquilo que nunca deveria ter precisado suportar sozinha.
E, se for esse o caso, tenho sido forte por tempo demais nas coisas erradas.
Não quero ser admirada pela maneira como suporto. Não quero que chamem de maturidade a minha facilidade em silenciar o que me machuca. Não quero que confundam a minha capacidade de continuar com a ausência de motivos para parar, respirar e reconhecer que alguma coisa não vai bem. Há sofrimentos que não se tornam menores porque aprendemos a carregá-los; apenas nos tornamos maiores ao redor deles, até que já não saibamos distinguir o tamanho daquilo que nos dói do tamanho que precisamos assumir para escondê-lo.
E eu tenho me escondido de mim com uma habilidade que, se não fosse triste, seria admirável.
Às vezes, penso que o futuro é uma promessa feita por alguém que não conhece as condições do presente. Dizem que tudo passa, mas raramente explicam o que fazer enquanto não passa. Dizem que o tempo cura, mas não mencionam que o tempo também cobra, corrói, consome. Talvez o tempo não cure coisa alguma por conta própria. Talvez apenas nos conceda distância suficiente para que algumas dores deixem de ocupar todos os cômodos da casa. Ainda assim, há lembranças que permanecem como móveis antigos: mudamos tudo de lugar, reformamos as paredes, abrimos as janelas, mas continuamos esbarrando nelas no escuro.
E eu estou cansada do escuro, embora já conheça os móveis de cor.
Isto é um pedido de socorro.
Não porque eu tenha uma explicação definitiva para o que sinto, mas porque já não quero precisar de uma explicação definitiva para admitir que sinto. Não porque saiba exatamente do que preciso, mas porque reconhecer a necessidade deveria ser suficiente para começar a procurá-la. Não porque espere que alguém venha decifrar todos os meus silêncios, mas porque gostaria de aprender que posso falar antes de transformar tudo em silêncio.
Talvez o socorro não seja uma mão que me retire imediatamente de todos os lugares em que me perdi. Talvez seja alguém que permaneça enquanto aprendo a reconhecer as saídas. Talvez seja a possibilidade de dizer que não estou bem sem precisar apresentar provas, laudos, argumentos ou uma redação dissertativo-argumentativa que justifique a minha própria dor. Talvez seja compreender que nem toda tristeza precisa produzir alguma coisa, que nem todo sofrimento precisa virar aprendizado, que nem toda ferida precisa ser bonita para merecer cuidado.
E talvez eu precise aprender a não fazer da minha dor uma dívida que pago a mim mesma todos os dias.
Porque não quero passar o restante da vida tentando compensar a existência de quem sou. Não quero transformar cada amanhecer em uma nova oportunidade de me corrigir, como se houvesse alguma versão impecável de mim esperando do outro lado de todas as minhas renúncias. Quero poder existir sem estar constantemente em revisão. Quero escrever sem precisar justificar cada palavra, mudar sem precisar condenar quem fui, permanecer sem me sentir estagnada e partir sem interpretar toda partida como fracasso.
Quero descobrir que ainda existe diferença entre estar perdida e não ter salvação, entre estar cansada e ter chegado ao fim, entre não saber o caminho e não poder encontrá-lo.
Talvez amanhã eu ainda não saiba responder quando me perguntarem como estou. Talvez continue procurando palavras, tropeçando nas frases, confundindo o que sinto com o que consigo dizer. Mas gostaria que, algum dia, a minha resposta não fosse uma tentativa de parecer bem. Gostaria que a verdade pudesse sair de mim sem que eu precisasse primeiro torná-la aceitável.
Por enquanto, só consigo dizer isto: estou aqui dessesperadamemte viva, mas estar viva não signfica estar a viver. Com isso concluo que mesmo morta continuo, mas continuar não significa que não precise de ajuda. Sorrio, escrevo, estudo, converso, faço planos; sou capaz de todas essas coisas ainda que morta e, ainda assim, sou um morto-vivo que posso precisar que alguém perceba quando o peso delas se torna excessivo.
Não quero que me salvem de ser humana. Quero apenas deixar de acreditar que preciso sofrer em silêncio para provar que sou capaz de viver e não somente de sobreviver.
Isto é um pedido de socorro.
Desculpa por não saber me auto socorrer.
Santos
Quem de nós pode dizer que não peca? Nenhum de nós! Por isso devemos chorar como David fazia! Devemos ter esta atitude diante do Senhor.
Para que ele ponha em nós uma nova maneira de pensar, diferente da de ontem e da de hoje. Para que ele nos faça em cada dia mais santos. Que em cada dia, ele nos vá aperfeiçoando, até ao dia em que vamos nos encontrar definitivamente com ele!
Não há nada me esperando
Não há nada para mim aqui
Não há ninguém do outro lado
Isso nunca vai passar
Acabaram todas as desculpas
Amaldiçoou as ilusões
Desisto de toda essa farsa
Cansei de esperar pelo que não vem
Ela me feriu, são tantas elas
As feridas que jamais cicatrizarão
Eu nunca escolhi a vida
Só quero que a cortina se feche
Antes do amanhã chegar mais uma vez.
- Marcela Lobato
Eu não ligo pra quem acredita ou não nos meus deuses, porque isso não interfere na minha vida e nem tem relevância para o meu sagrado. Os que fazem isso, que tentam converter, no fundo, não acreditam no que tanto dizem acreditar. Apenas prostituem o próprio "sagrado" para evitar que qualquer pessoa questione ou pense diferente, levando o sistema interno dele a uma crise avassaladora pelo consciente começar a perceber que a "crença", tão absoluta na imaginação, pode ser nada além de uma mitologia sem pé nem cabeça.
- Marcela Lobato
A verdade é que, eu não quero que isso mude. Eu não sei o que do passado ficou, ou o que em outra vida acessei, mas sei que mesmo que eu sofra pra sempre e morra sozinha, não quero te esquecer. Não quero deixar de sentir, de te amar.
Ainda que seja em vão, que isso me dilacere dia e noite. Ainda que sinta sua falta para sempre, e que você nunca se lembre, eu não vou te deixar partir, não de dentro de mim. Te liberto, mas em mim sempre haverá essa chama, de algo que não compreendo, que me destroça, mas que também é a minha única força.
- Marcela Lobato
porquê se prender à morte?!
porquê esperar dar certeza se isso só te atrasa?! faz e não existem consequências importantes.
o jeito perfeito não existe, você tem que se ajeitar agora,o mundo é de se adaptar,e o mundo está muito mais veloz do que antes.
E o mundo não quer saber de ninguém,quem ficou ficou,vive aquilo que você é,Superior.
Faz, faz e pega de todos os lados,fração ou bruto,lucra no mesmo,respeita.
acho que eu só deveria aceitar o meu processo,o processo dos outros é mesmo do jeito que está acontecer com eles,tudo o quanto acontecer
nas minhas andanças é só para mim,a luz que deram é só pra mim.Olhos fechado no meio deles,e quando eles pedirem instrução,um dia terei tempo,um dia terei tempo,deixa fazer o meu,e somente meu,o meu mambo.Agora não,agora não é hora pra mostrar.
O humilde aprende até com o arrogante e não se sente inferior e nem superior por isso.
O arrogante tem dificuldade de aprender com o humilde porque acha que está sendo inferior por isso.
"Não basta achar que ela sabe quanto você a ama. Ela precisa ouvir isso. Porque palavras têm força, e um 'eu te amo' diário pode transformar qualquer dia."
Mickelve Santana
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