Introdução textos que Fale sobre Mim

Cerca de 16446 textos Introdução que Fale sobre Mim

⁠NA TERRA DOS ESTARRECIDOS

Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠RETRATO DE MIM

Olho-te e fico arrepiado...
Quando eu ainda julgava
E acreditava
Ser o fiel retratado,
Eis que surge a tal visão
Com cruel precisão,
Sempre a mesma
De iguais feições
E compleições
De um cão,
Feito aventesma.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-01-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠CHORAM OS MONTES

Tristes, os montes e outeiros
Já choram por mim.

Consigo ouvir o lamento dos pinheiros
Carvalhos, azevinhos e sobreiros
E de árvores amigas que tais,
Num sussurro
Quase em urro,
De tão reais.

Comungo das lágrimas dos pardais.
Sentem a saudade da vida dos dias,
Das nossas irmãs fantasias
Na imaginação de um mundo
Mais fecundo,
Sem dores fatais.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-01-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

NOSTALGIA

⁠Cai em mim uma nostalgia,
Sem eu a ter pedido no tempo.

É assim como uma melancolia,
Uma tristeza vaga,
Que não se apaga
No momento.

Que vida.
Que tempo.

Que amargura dura
E tão escura
Havia de me assaltar.

Agora, que eu só queria
Tão pouco,
Para não entrar em louco,
Descansar,
Repousar,
Para aprender a sonhar...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-04-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠VADE RETRO SATANÁS

Vade!
Afasta-te de mim, Satanás
E se não fores capaz,
Eu levo-te à Boca do Inferno
Aquele penedo eterno
Que na história e nos anais
Fica ali na Guia de Cascais
Ao sul deste Portugal profundo
Que ainda crê no Demo
Do inferno extremo
Do outro lado do mundo.

Ó diacho!

Não é preciso ir mais longe…

Empurro-te daquele penedo abaixo
E cais no oceano em chamas
Onde proclamas
Não seres demónio mas monge.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-04-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro


RISO DA MANHÃ

Se começo a rir, logo pela manhã...
Algo, em mim, toca a rebate,
Ou rameira de vinho verde,
Mesmo sem sede,
Ou então, vai ser mosca que mate...

Desde aí, é que eu desatino,
Sem decoro,
Sem remição até em choro,
Como sentença punitiva
Mas nunca assertiva
Que me seduz em pensar,
A meditar,
Por que jeito e destino,
Quando se começa a rir pela manhã,
Ao toque de um sino,
Chorar-se-á,
Quase sempre pela noite,
Com açoite,
Como se eu fosse sempre menino.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 25-07-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠EM MIM

Cai tanto nevoeiro em mim...
Enregela,
Amortiça,
Sem justiça,
Os pobres ossos.

Até os pardais se riem de mim...
Dos destroços
Que o nevoeiro
Traiçoeiro,
Deixa nos meus ossos.

Não é nevoeiro do ar
Aquele que me atormenta,
É mais aquele pesar
Pelo que me fazem passar
E mata de forma lenta.

Em mim, há fonte sedenta
De amor, paz e alegria,
Quer de noite quer de dia,
Verdade que não se inventa.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

NATAL DA REVOLUÇÃO

⁠Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?

Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.

Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.

Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS

⁠Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.

Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

EQUÍVOCOS

⁠Ao terráqueo mundo vim
Como tu vieste,
Antes ou depois de mim.

Vim, numa lufada de neve
Numa noite agreste
Ali pelo luar de Janeiro,
Partido em inteiro
Sem princípio nem fim,
Mas sei quem me teve.

Foi minha mãe dolorosa
Que da vida cedo fugiu
E levou com ela o útero
Como se fosse uma rosa
Murcha que ao secar floriu.

E na corrente do nascimento
Que me traz ao pensamento
A noite que me expulsou
Do ventre de minha mãe,
Não fico aquém nem além
De saber então quem sou.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-03-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Pecadores

Como pode acreditar em mim
Entregar sua vida ao meu egoísmo
Carregar minha vergonha no chicote
Ajoelhar ao meu orgulho ignorante
Deixou pregar em ti minha maldade
Espetado na ira a confirmação da vida
De braços abertos deixou teu amor
Teve fé nos pecadores sem luz
Nós filhos que seriam
Tua própria cruz

Inserida por silvio_flamel

⁠Onde estás, melodia trêmula e frágil,
Gravado em mim uma saudade mórbida?
Minha essência lamenta, alma lânguida e tímida,
Ausente de ti, a existência é sombra lúgubre.

Ah, meu coração, meu ser soluça em silêncio,
No silêncio da noite fria, ouço um eco rútilo,
Resgatando o nome que o silêncio conserva pálido,
O som do teu riso se torna um suspiro trágico,
O teu ser ainda machuca minha essência insólita.

Ah, como é cruel viver sem teu toque mágico,
Os dias deslizam em um silêncio árido.
O que sobrou de mim, oh solidão, senão o viver lívido?
Tua partida fez de mim viver no eterno martírio.

Se algum dia voltares, por favor,
Que seja na pureza de um sonho radiante,
Pois somente nos sonhos encontro alívio tênue.
Minha tristeza é como uma canção de pesar lúgubre,
Uma dor que persiste, sem fim,
E carrego o peso eterno fúnebre.

Inserida por pedrohmarianobarbosa

⁠Mulher forte💪❤

Tudo o que passei
serviu para mim fortalecer
me tornar forte mulher de fibra
flor do Jardim

Flor que ilumina
Aonde passa
Mulher forte
Forte como ninguém

Ela sendo ela
Ela sendo sua própria fortaleza
Coisas querendo derruba-lá
Mas ela se levanta

Segue forte
Vivendo seu mundo
Com força é determinação
Bela mulher, bela flor

Inserida por Anasantosescritora

Há dentro de mim um terrível medo
Medo de não agradar
Medo de ser rejeitado
Necessidade, de ser amado

Dai vem a insegurança
Sigo sofrendo por antecedência
Observando pessoas analisando olhares
isso já se tornou uma tendência

Quero dar oque esperam de mim
Estou aqui novamente pensando
Sofrendo, e esperando
Sem dar chances a mim

E sem ter ao menos tentado
Penso em desistir
Por estar sofrendo antecipado
E por medo de te ferir!

Inserida por julianarossicordeiro

Estava perdida,
tateando e andando
estava de mim esquecida
até que acabei me encontrando
o melhor encontro de minha vida
depois de tantos anos me procurando
posso dizer quem sou, ver-me
alguns traços estão embaçados
mas estou me reconhecendo
lembrando-me, surpreendendo-me
mas não esperava que estaria gostando
do que me tornei, me orgulhando
a auto estima recuperando
e já não me parece tão ruim
o amadurecer!

Inserida por julianarossicordeiro

⁠Oração pela Luz na Depressão
Senhor, quando a escuridão pesar sobre mim e minha alma se sentir cansada, ilumina meu coração com a Tua paz.
Dá-me forças para cada novo dia, esperança para cada pensamento, e fé para acreditar que não estou só.
Ampara-me no Teu amor e faz nascer em mim a alegria de viver.
Amém.

Inserida por MarcosAlvesdeAndrade

Constrangedor para mim seria, olhar do final da própria história e constatar que não teria sorrido os meus próprios sorrisos, chorado as minhas próprias lágrimas, não falado com as palavras que desejei falar e silenciado com a sutileza dos que tentaram os meu lábios cerrar.

Quão triste ser a mim mesmo desvendado que o trágico não foram riquezas que faltaram, nem ambições de grandes conquistas que não obtive, nem mesmo oportunidades de uma nova história que não escrevi, mas que meramente faltou autenticidade.

Quão frustrante seria que ao ter pensado em cantar: "Ideologia eu quero uma pra viver", na verdade não ter sido eu quem tivesse cantado, mas subconscientemente terem sussurrado com uma hipócrita delicadeza o que queriam que eu cantasse.

Penoso seria olhar para os meus verdadeiros heróis e saber que não se desviveram ao tentarem fazer deles Zafenates Paneias e Beltessazares, sendo o que deveriam ser e não o que queriam que fossem, ou seja, jamais tendo se deixado formatarem, mas ao voltar para mim mesmo me ver tendo, dançado, cantado, falado, ventriloquicamente sendo, mas na realidade sem jamais ter sido.

Não, mil vezes não! Quero Chegar no final da própria história sim, mas sem espadas que não foram minhas, sem guerras que não me pertenceram, sem abrir mão de ser eu mesmo, buscando simplesmente ser original, ainda que respeitando a todos, mas sendo um Eu com identidade própria, com um jeitinho mesmo que pouco seja, diferente de ser!

Inserida por Dercileychaves

⁠O amor para mim
Sempre foi como duas rosas
Pétalas macias
Delicadas
Perfumadas
Suave ao toque
Cuidados

Mas depois as pétalas caem
Restando só os espinhos
Esses que machucam
Matam de forma perversa
Aos poucos
O amor próprio

Quando nota-se
Resta apenas uma carcaça
Um zumbi
Sem fé em si
Sem vida
Apenas vegetando

Passei demais por isso
Não tenho mais forças
Não quero mais rosas
Não quero ser mais o "bem querer" de ninguém
Porque sempre acabará
No mau querer

Inserida por MikaeleTavares11

⁠Sabe aquele castelo
Que você construiu para mim
Com os detalhes que eu não sabia
O alicerce era de areia
Você foi embora de lá
Me deixou sozinha
Ele foi ruindo
E me levando junto
Fugi algumas vezes
Mas voltei
Voltei, voltei, voltei...
O castelo era falso
Seus sentimentos e promessas
Uma ilusão
E eu ainda vivo presa nelas
Me destruindo
A cada parte do teto que cai
Uma janela de vidro
Que além de rasgar meu corpo
Rasga minha alma
Tudo isso foi ceifando minha vontade de viver

Inserida por MikaeleTavares11

⁠Você me colocou no seu colo
Me embalou nos sonhos
Neles prometeu muito amor
Cuidar de mim
Para o resto da vida
Depois do nada
Sem motivos
Você transformou esses sonhos
Em pesadelos
Minha vida é literalmente um pesadelo
Esteja eu dormindo ou acordada
Esse tormento não passa
Essa desilusão
Me nocauteou
Que não consigo mais me erguer

Inserida por MikaeleTavares11