Intolerância
O incômodo que causamos no outro, deveria dizer mais para o outro sobre Si do que sobre nós mesmos para nós mesmos.
Sempre vai ter alguém que não vai gostar de você por problema dele. Pelos valores dele, pelo que ele já viveu, pelo que você pode representar de 'gatilho' pra ele sem ao menos saber, pelo que você está associado e as vezes se tratam de detalhes que nem são ruins. Existem casos de falta de conexão entre pessoas por conta de um mero sapato. Sim, um sapato literalmente. E por aí vai. Não somos responsáveis por isso. Fruto da intolerância? Talvez não seja tão simples resumir essas questões a um termo. As pessoas são complexas. MAS independente de tudo: não viva sob a necessidade de aprovação coletiva. Não tente se moldar para agradar e ser aceito. Não se anule jamais. Deixe ir.
O diferente, para os intolerantes, é como o mel deixado às formigas: se houver um caminho para chegar até ele, esteja certo que o encontrarão.
A pior herança da guerra é termos que explicar para as gerações futuras que incontáveis vidas se perderam por causa da nossa própria estupidez.
Nella città III - A cor da carne
Há dores que nascem antes do grito.
Não do corpo, oráculo por vezes calado,
nem da alma, que cedo se curva ao pranto.
Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio,
antes mesmo de saber-se ser.
Nasce, então, a dor sem nome,
antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua.
É o peso de um tom que destoa,
aviltado pela violência do olhar.
A cor da carne, que não é da alma,
não é identidade,
mas adorno passageiro —
incompreendido por olhos de cárcere,
que desferem o açoite mudo da ignorância,
a face vertida.
Vê:
a cor sublinha o corpo,
e não pede perdão pelo que é.
Aqueles que esperam que a cor se renda
não entendem o enigma da pele — nua,
que nenhuma voz pode enunciar.
O ano só será diferente, quando percebermos os outros como iguais.
A compaixão mede o progresso, a intolerância mede o regresso.
O fanatismo carrega consigo a venda para por sobre seus próprios olhos
quando precisar cobri-los para aquilo que ele não quer enxergar.
A internet quebrou as barreiras geográficas e os religiosos iniciaram uma guerra sob a ideia de declarar quem tem a maior verdade. Todos declarando como heresia as discordâncias entre si – Do ponto de vista de cada um, o outro é herege e vice-versa!
A falta de sensibilidade no tratamento com as pessoas, aliada ao mau entendimento de nossa fragilidade humana são fortes estimulantes da intolerância.
Não se relacionem nem apoiem aqueles que querem o seu mal. Ideias racistas, xenofóbicas e misóginas não são apenas opiniões divergentes — são promessas à espera de oportunidade.
Como pode um nordestino apoiar alguém que o despreza abertamente? Como pode uma pessoa LGBTQIAPN+ dar voz a quem nega sua existência? Como pode uma mulher defender quem insiste em reduzi-la à inferioridade?
A adesão a discursos que negam a dignidade de um grupo pode vir da desinformação, da manipulação emocional, de promessas individuais ou da ilusão de que "não é bem assim". Mas é exatamente assim. Palavras constroem narrativas, narrativas moldam políticas, e políticas definem vidas.
Não se enganem: o ódio normalizado hoje se torna a violência legitimada amanhã. Nenhuma promessa econômica justifica a negação de direitos fundamentais. Nenhuma tradição pode servir de desculpa para a opressão. O caminho para a barbárie começa com a aceitação da intolerância como mera opinião. E, contra isso, não há espaço para neutralidade.
Você quis que eu saísse da sua vida fragilizada.
Mas, ao me ver de braços com a esperança.
Precisou tragar sua insignificância.
Minha elegância, sempre destoou da tua arrogância.
Chega de intolerância!
Vou à procura de paz.
Aquela que perdi, ao conhecer-te.
Não tolerar, julgar e condenar. A cada dia que passa eu descubro que esse é o jeito mais errado de fazer o que é certo, e o jeito mais certo de fazer o que é errado.
Me desculpe se a minha simples opinião se transformou, aos seus olhos, numa verdade absoluta e trouxe ódio na cauda.
É difícil oferecer uma opinião, pois é vista como um disparo de uma arma e com a intenção de matar, quando apenas quer dar vida.
Não se permita abraçar a TOLERÂNCIA e sentir-se satisfeito, pois ela é um poço quase seco, com apenas um palmo de água, escuro, profundo e que poucos dele escapam. É o refúgio da incompreensão, disfarçando o nojo com um sorriso morno, travestida para agradar. Compreenda, não tolere...
Seja o que quiser MAS NÃO imponha suas ideias e modo de viver a ninguém, E MAIS, não condene quem pensa e age diferente e muito menos se ache melhor ou especial.
Às vezes, as hostilidades nos debates na internet me surpreendem negativamente. Aparecem os ególatras trazendo consigo a ignorância, a intolerância e a falta de educação. Será que, por ser um meio virtual, no qual o usuário se encontra confortavelmente atrás da tela de um dispositivo tecnológico, todas as boas regras de convivência devem ser alijadas? Penso que não. Os preceitos ético-morais devem valer ambivalentemente para a vida real e virtual.
