Infinito
O universo não fala em palavras, mas em silêncios que nos convidam a escutar o infinito dentro de nós.
Diante do infinito, há mais grandeza em admitir a própria ignorância do que em vestir o desconhecido com a fantasia da certeza.
A teologia dogmática tenta mapear o infinito: é a arte de inventar certezas sobre o que simplesmente não dá para saber.
A razão humana é suficientemente poderosa para perguntar pelo infinito, mas suficientemente limitada para não poder habitá-lo.
O ser humano é paradoxal: carrega dentro de si a vocação para o infinito e, ao mesmo tempo, os limites de uma criatura finita.
O infinito não cabe em nenhuma definição finita sem que algo essencial permaneça fora dos autos da razão.
Conhecer é desafiar os limites do pensamento sem abandonar a razão; é caminhar pelo infinito sem confundir a coragem de perguntar com a pretensão de possuir a verdade.
O infinito não precisa de uma porta de entrada; quem exige uma primeira porta talvez esteja apenas confundindo a arquitetura da mente com a arquitetura do universo.
Seria o universo um ciclo infinito de nascimento e morte? Ninguém é digno de inveja e todos são dignos de pena.
Sim
Marcélio Sena
