Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
E aĂ depois daquele dia, eu nĂŁo o procurei mais. NĂŁo estava a fim de bancar o compreensĂvel. Preferi evitar conversa.
Parece que a gente procura exatamente o que Ă© capaz de doer ainda mais fundo, qualquer coisa que seja capaz de sangrar, pisotear. Colecionamos palavras malditas, escolhemos a mĂșsica perfeita, melancĂłlica. AĂ assistimos o filme novamente, relemos o bilhete deixado, nos maltratamos sem nenhuma dĂł. A gente mesmo provoca punhaladas nas costas quando inventa de revirar cada palavra, cada melodia, cada cena, tudo milimetricamente desordenado, atĂ© a dor ser consumida, ser abafada ou transformada em outra coisa.
Te amo e te cuido em silĂȘncio todos os dias. Mas Ă© segredo, nĂŁo conta pra ninguĂ©m, nem pra vocĂȘ.
E principalmente Ă noite, antes de dormir, fico pensando que nunca mais vai acontecer de novo, que durou muito pouco, e que vai ficar marcado para sempre.
Uma gente que esquece da outra com facilidade. Que se diz amiga, mas some no momento exato que vocĂȘ precisa.
Agora, mais do que nunca, eu precisava ir adiante. Precisava ir além desses pensamentos mesquinhos e limitados.
Acordei muito bem hoje. Muito decidido, irreconhecĂvel, confiando em mim pra valer. Eu estou entrando em outro ciclo, depois de ter passado por dias escuros, bastante dolorosos. EntĂŁo, sĂł pra que ficasse mais claro, abri todas as portas de casa, deixei o que nĂŁo era pra ser sair pelas janelas. Estou com uma sensação de que, pela primeira vez na vida, as coisas estĂŁo começando a dar certo.
Ali, naquela chuva, quando os olhos de um se encontraram nos olhos do outro, perceberam que se esperavam por muito tempo, por vidas talvez.
Sabe aquela vontade de amar o que realmente importa? EntĂŁo, Ă© disso que eu estou falando. Nas Ășltimas semanas eu mudei muito, passei a ter mais orgulho de mim.
E tive que prender vårias vezes a vontade de chorar. Ainda tento. Mas, às vezes, é tão forte que eu agarro o travesseiro, à noite, e choro, choro e choro muito, até que uma hora, quem sabe, eu pegue no sono.
Eu nĂŁo o culpo mais. Na verdade, nem sei se ele teve realmente culpa por tudo isso. SĂł sei que, Ă s vezes, me lembro dele. E nĂŁo sinto mais aquelas dores de antes. NĂŁo sinto raiva, nem saudade. NĂŁo fico mais triste e nem perdido. SĂł permaneceu a certeza que eu sempre tive: uma hora o tempo iria passar.
De todos os rapazes que eu tinha visto ali, naquela manifestação, ele era o mais entregue, parecia um filĂłsofo platĂŽnico, sabia se portar, tinha umas coisas que fazia a gente nĂŁo tirar os olhos. E quando o vi, em meio Ă quelas fumaças de gĂĄs lacrimogĂȘneo, mesmo sendo tudo muito rĂĄpido e assustador, tive certeza de que havia sido feito unicamente para ele.
Na pior (ou melhor) das hipĂłteses, nĂŁo diga. Mesmo que ele demonstre alguma coisa, ainda que ele diga palavras bonitas que faça vocĂȘ sentir uma coisa forte por dentro, nĂŁo conte. NĂŁo confesse, nĂŁo se declare, caia fora. Deixe que ele faça isso por vocĂȘ.
As forças de uma pessoa se consomem pelo erros e pelas mås escolhas aos quais estão habituadas a vivenciar. Para sacudir o que não nos faz bem, precisamos antes de tudo arriscar conhecer novidades e pessoas diferentes, com pensamentos diferentes e aprender a ouvir não apenas o que gostamos de ouvir mas ao que nos engrandeça e nos faça melhor do que jå somos.
Seu destino, sempre modificado por segundos de atenção. Onde isso nos levaria ou nos levara? Um som, um toque, umas palavras, um esbarrĂŁo, um tempo perdido, um tempo ganho e tudo modifica o que vocĂȘ serĂĄ amanhĂŁ. Acreditar e por em pratica um bom motivo para mudarmos o que somos e o que queremos Ă© o sentido que a vida precisa para viver.
