Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Te vi nas estrelas hoje mais cedo
E me fez escrever denovo
Terceira carta que te escrevo
Os versos mais sinceros
Palavras rompem qualquer sentimento
Viver sozinho por opniÔes
Faz de mim ser igual a milhÔes
Quer saber a hora vai chegar
E quando eu te ver vou te entregar
Aquelas cartas que escrevi
Depois dos meus sonhos
Pra que ligar se todo tempo que te vi foi aqui dentro
Porque nĂŁo respode aquele emoji no seu celular
Vou viver sozinho por estar perdido sem voce
Aquela que tira meu sorriso e faz cada traço seu eu escrever..
Talvez vocĂȘ nĂŁo seja a pessoa dos sonhos de alguĂ©m, mas quem sabe vocĂȘ nĂŁo Ă© a pessoa da realidade que esse alguĂ©m precisa.
Val Assis
Ai tu tira uma foto mĂł linda pensando no amei dela Ă© ela da so like KKKKKKK dai ela vai lĂĄ e da amei na foto do cara idiota. Sinta-se feio kkkkk.
Do que adianta ter salĂĄrio bom e n poder compra blusinhas pra mina que a gente ama, pq ela n Ă© nada da gente.
Nada mudou.
Tanto tempo passou, e eu nĂŁo te esqueci.
NĂŁo esqueci seu cheiro, nĂŁo esqueci seu sorriso, suas brincadeiras, seu olhar, e acima de tudo nĂŁo esqueci o primeiro dia em q te vĂ. Quando vocĂȘ entrou na sala de aula. E foi amor a primeira vista.
DalĂ em diante minha vida mudou te amava em segredo.
Tanta coisa aconteceu, mas enfim namoramos e eu vivĂ meu conto de fadas particular. Meu Deus como te amei.
Se vc soubesse quantas vezes em prantos eu pedia a Deus pra vocĂȘ nunca me deixar. Pelo simples fato de temer esse dia.
Mas o inevitĂĄvel aconteceu e um dia vocĂȘ me disse adeus. E hoje 23 anos depois ainda me lembro do seu olhar naquela noite. Ainda choro quando me lembro de vocĂȘ se despedindo. E seu olhar sumindo na esquina com a mĂŁo acenando para mim.
Te perdĂ.
E ao perder vc me perdĂ. PerdĂ minha direção e vaguei entre amores que nunca foram meus. Te procurei em abraços que nĂŁo eram os seus. Fechava os olhos e fingia ser vocĂȘ. Ah Deus e o quanto isso me doĂa.
E hoje tanto tempo depois em madrugadas como essas, em que o sono me abandona. Ă de vocĂȘ que me lembro.
Ă quando a saudade me toma volto no tempo e sinto ainda tudo aqui.
Aquele mesmo amor..e vejo que dentro de mim ainda sou a menina que te amava a menina que ainda espera secretamente por vocĂȘ. Dentro de mim nada mudou.
Pareço brava, mas, gostaria ser cortejada ao som de gatinha manhosa do Tremendão ( Erasmo Carlos).
Onde vocĂȘ estĂĄ agora? Aqui, ali ou acolĂĄ! EstĂĄs em mim! Como sempre esteve, desde que te conheci; mesmo distante caminhas comigo amor, pois tu Ă©s tudo, meu sentido, meu ar, minha vida, pois esse amor foi presente de Deus e me sinto afortunada sĂł de te amar e ter conhecido o verdadeiro amor, sendo assim andarĂĄs para sempre comigo, mesmo em outras vidas...
E do nada um enorme medo toma meu coração, tenho sentindo coisas por ela que a algum tempo nĂŁo sentia por ninguĂ©m, nĂŁo sei como o coração dela estĂĄ e Ă© muito cedo para perguntar o que ela sente, sĂł sei que tenho medo e ao mesmo tempo ciĂșmes e ao mesmo tempo tenho a convicção de que ela Ă© tudo que eu mais quero e Ă© com ela que eu quero estar.
A verdade Ă© que eu sou egoĂsta de mais para me doar Ă alguĂ©m, as vezes eu tĂŽ de bom humor e outra nĂŁo, as vezes eu quero um abraço e em outro momento sĂł quero ficar sozinho. Eu acredito que me conheço o suficiente para dizer que ninguĂ©m merece aguentar o caos que eu sou.
O lamento da Cidade.
Ăh! Esses muros que brotaram.
Eles saltaram da terra e foram crescendo. Crescendo... criaram farpas sobre eles! Olha: agora são arames! Não! São elétricos.
Por todos os lados e em todos os lugares. Vejo somente prisÔes?
CadĂȘ? Onde estĂĄ a minha GoiĂąnia?
Aquela cidade em que cresci com as pessoas vendo as casas? As pessoas nas varandas. Os jardins rosados. Com cheiro de jasmim?
Onde estĂŁo as praças floridas e as fontes jorrantes? As crianças cheias de esperança, correndo ou em velocĂpedes... tĂŁo lindas! Nos seus rostinhos havia esperança.
Aos olhos de quarenta centĂmetros de altura, hoje tem tela branca.
Onde estĂŁo os cumprimentos? E os lugares que se chegavam?
A cidade virou um muro.
E dentro de cada fortaleza vivem pessoas. De magoadas, ficaram amargas!
A cidade não é mais minha. Nem eu pertenço a ela.
GoiĂąnia hoje Ă© cinza e espelhada. Mas nĂŁo se vĂȘ nos reflexos. Porque a imagem Ă© indigesta.
Ela deixou de ter a Rua 20 com a Casa do Dr Vigiano.
Mataram a Amoreira. Mataram as lembranças.
Nem sei se sou de GoiĂąnia. Ou ele que nunca foi de mim.
Hoje Ă© um Centro, onde eu tenho medo de caminhar.
Ă uma ausĂȘncia de cor. Numa ironia sarcĂĄstica frente ao Sol.
Ao invés de brilhar. Goiùnia consome a luz.
NĂŁo. NĂŁo Ă© uma cidade feita para nĂłs os seres humanos.
Transformaram GoiĂąnia para os carros.
De nossa terra... a um culto Ă vaidade.
Deparei-me assustada! Eu deixei de amar.
Quando aconteceu?
Como foi?
NĂŁo sei explicar!
Quando os espigĂ”es iam subindo. As pessoas ficaram mais egoĂstas.
E eu vi geraçÔes apagadas pelo materialismo. Sozinhos e tristes. Nossos sonhos se apagaram de luz natural amarela para luz branca.
O asfalto queima. Demonstra uma Anhanguera com o significado de seu nome. Ela arde nossa pele ao andar. Existe uma gaiola no meio dela. Uma falta de sombra.
Existe povos desencontrados dentro da minha encantadora ilusĂŁo. Mais educados querem ostentar. Os mais pobres ficavam marginalizados na periferia. Hoje a periferia da periferia Ă© para os ricos encarcerados em seus feudos de medo.
Muda-se de lugar. Mas nĂŁo muda-se a mentalidade.
O que mais de valor podemos dar? Dinheiro? NĂŁo! Dedicar nossos talentos e espalhar conhecimento. De que me adianta este altar de vaidade? Se somos todos perenes nesta Terra?
HĂĄ um clamor! Um choro que perpassa os nossos olhos e aceitamos como ânaturalâ. Este lamento Ă© a exposição nĂŁo de uma cidade. Mas de nossas crenças. O que fizemos com GoiĂąnia?
E minha linda cidade... Princesa adornada com lindos arcos deitados no meio do Cerrado.
Com pulseiras de flores e brincos de fontes.
Passou a ser um triste vazio. Um abandono escuro.
Na minha memĂłria.
Uma dor no meu coração.
Uma repugnĂąncia ao horror do progresso sem amor.
Fizemos GoiĂąnia. Lutamos no meio do nada por ela. Matamos a bela sonhada pelo jovem AtĂlio. Porque nĂŁo soubemos cuidar da cidade para nĂłs ao invĂ©s de para mim.
Hoje, ela mostra-se amarga. Ela chora e nĂłs sofremos.
E para os mais jovens... começa a diåspora!
A beleza.
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A beleza! A beleza ou ser belo Ă© uma busca do ser humano pelo concreto. E olha que tenho olhos adestrados para ela. Na BĂblia, no Antigo Testamento hĂĄ diversas narraçÔes sobre a beleza de certos personagens: JosĂ©, MoisĂ©s (quando um bebĂȘ), Sara, Bate-Seba, Davi, Saul, AbsalĂŁo _que foi colocado como nunca visto homem tĂŁo lindo no mundo_, Tamar..., mas na mais absoluta maioria, a beleza deles nĂŁo os ajudou muito, retirando MoisĂ©s do pĂĄreo, eles sofreram mais que beneficiaram por sua beleza.
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Eu tenho ouvido demais ultimamente a ligação da beleza Ă juventude. Eu tambĂ©m acho. SĂł que acho que o corpo de cada um apresenta sua beleza de acordo com sua faixa etĂĄria. Mas a verdade dos fatos Ă© que jamais a beleza fĂsica em si se sustenta. Fica fĂĄcil de explicar para quem trabalha com propaganda. Uma propaganda enganosa gera desprezo das pessoas pelo produto. EntĂŁo pensando em mim e vocĂȘ como produto: _ NĂŁo nos tornemos produtos!
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O ser humano Ă© dotado de dons, de uma beleza que transcende ele mesmo. NĂŁo confie na sua beleza. âMaldito o homem que confia no homem e faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!.â Jeremias 17:05. NĂŁo hĂĄ ninguĂ©m belo que resista a falta de perspicĂĄcia. NĂŁo existe ninguĂ©m tĂŁo bonito que se sustente em sua arrogĂąncia. Mas existem pessoas obesas, baixas, mancas, que se tornam lindas porque fazem do nosso dia a dia um jardim de gentileza e sorrisos.
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Eu nunca me acreditei numa mulher bonita, agradeço a Deus por isso. Quando me perguntam o que faço para manter a forma _ geralmente quem me pergunta isso sĂŁo meus amigos homossexuais _ eu respondo: _ Nada. Eu apenas cuido da saĂșde! _ Agora, nĂŁo nego, envelhecer Ă© difĂcil. Ă saber que a gente nĂŁo tem mais aquele tempo que a insensatez dizia que tinha. NĂŁo sei se para o homem ou para a mulher Ă© mais difĂcil, mas sĂł sei que Ă©. Ă a proximidade com o fim. Mas aĂ de novo eu estaria confiando no meu prĂłprio braço, quem sabe a minha hora alĂ©m de Deus?
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Como arquiteta, eu acho que o que Ă© realmente valoroso nĂŁo envelhece, se torna mais belo. A Capela Sistina, o Traçado de BrasĂlia, a mĂșsica Aquarela do Brasil. TambĂ©m acredito nisso nas pessoas. Acredito que eu posso ser bela aos cinqĂŒenta, nĂŁo como uma garota de vinte, mas como uma mulher de cinqĂŒenta. Existe uma conhecida minha, Enide Foizer, que um dia me escreveu num site de relacionamentos que queria ter a metade dos meus dons. E eu queria saber cantar pelo menos a metade do que ela canta. Ela Ă© uma mulher muito bonita, com a beleza compatĂvel a sua idade. NĂŁo faz mal fazer uma plĂĄstica se algo nos incomoda. Mas me faz muito mal ver gente perseguindo a juventude como se ela fosse capaz de trazer o tempo perdido. Eu prefiro parar para refletir e pensar nas minhas escolhas erradas; nas minhas covardias e o porquĂȘ de querer voltar atrĂĄs. Quem sabe assim, consigo prosseguir com uma mudança de vida.
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E finalizando, sabe quem nunca foi bonito como estĂĄ descrito na BĂblia? Jesus! Ele nĂŁo foi um homem bonito. E olha que o padrĂŁo de beleza naquela Ă©poca significava o mesmo conceito de hoje: aquilo que se diferencia. O homem belo daquela Ă©poca tinha de ser um homem mais forte, alto e geralmente mais ariano. O que Jesus nĂŁo era. E nem por isso Ele deixou ou deixa de ser apaixonante!
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âPorque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; nĂŁo tinha aparĂȘncia nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.â Isaias 53.2
20/04/2012
SolidĂŁo de Maria
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Maria nasceu lå nas décadas de sessenta. Do século passado.
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Maria aprendeu que o sexo Ă© proibido.
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Maria também foi perseguida. Não por soldados, mas pela sempre pronta e atenta, nossa querida sociedade.
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Quem mandou Maria nascer Maria e nĂŁo JoĂŁo?
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_ Ela é que pague o preço de sua escolha!
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Maria tem que ser calada, voluptuosa e burra. Porque Maria que Ă© Maria, Ă© mulher!
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Mas Maria nĂŁo foi nada disso.
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E ainda teve a ousadia de nascer preta. Preta sim! NĂŁo sou de meias palavras.
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Negro, não é nem raça. Preto é cor!
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Maria, além de negra, é preta. Não tem vida cor-de-rosa!
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Essa pobre coitada. Teve o desplante de perguntar.
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Nasceu inteligente e nĂŁo foi sĂĄbia de esconder sua mente.
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Maria percebeu o mundo. NĂŁo gostou! Mas as horas Maria nĂŁo era para sexo? NĂŁo Ă© para isso que o Brasil vende Marias e o mundo inteiro compra?
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Oras! Maria era para ser enganada! Mulher e negra? à classe e situação permanente. à o regime de castas brasileiro. Que a gente age.... Mas psiu! à impróprio falar.
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Maria que Ă© Maria, Ă© pra usar.
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Mas Maria nĂŁo aceitou.
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Maria... tola Maria! Questionou.
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E o tempo foi passando. Os anos se tornaram pesados. Maria ficou sĂł.
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Sem homem. Sem sexo. Apenas com seu gĂȘnero, raça e inteligĂȘncia.
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Maria que Ă© Maria. Tem que se resignar. Porque Maria quando nĂŁo Ă© Maria... fica sĂł, por questionar.
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E Maria ainda inventou de estudar. Teimosa, petulante e atrevida Maria! Como ousa?
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Vai chorar muito pra chegar lĂĄ. Mas num tenho pena! Nasceu assim, entĂŁo tem que sofrer! Tenho nojo dessa cor. Detesto esse jeito sinuoso de mulher, que nĂŁo se serve para os homens. E fico com raiva dela ser feliz! Ainda assim, Maria!
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Eu me alegro com cada sofrimento de toda Maria goiana.
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Ăita! O que Ă© que eu vejo ali? Mas nĂŁo Ă© que Ă© Maria! Toda faceira. Solta, alegre a andar? Que absurdo!
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Sozinha e sem homem? Como pode? Toda aprumada, com documentos a carregar.
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Num Ă© que Maria hoje, depois de muito sol, estĂĄ estudada!
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Onde este mundo vai parar? Dar emprego para uma Maria se tem tanto José pra trabalhar?
Fogo
Ele enfiou a mĂŁo na minha cara de novo. O punho dele me atingia como um mĂssel alcançando um passarinho que cruzou seu caminho. Era pesada, seca e gĂ©lida, mas cheia de sentimento. Meu rosto jorrava sangue e ele socava a parece tentando amenizar a raiva pra nĂŁo vir a fazer um estrago pior do que jĂĄ havia feito em mim. Eu estava caĂda no chĂŁo, mas nĂŁo chorava. Sentia tanta raiva quanto ele, mas ele chorava, eu nĂŁo.
Peguei a bolsa em cima da cama, abri a porta e olhei pra trĂĄs, ele ainda estava com a mĂŁo dentro do buraco que havia feito na parede, olhava pro chĂŁo e cerrava os dentes, bem como o punho livre. Suas mĂŁos estavam cheias de sangue, de ambos. Desci as escadas e nĂŁo olhei mais pra trĂĄs. Peguei meu celular e te liguei. VocĂȘ estava a quilĂŽmetros, mas como sempre, chegou em minutos. Eu esperei na calçada de casa e ele nĂŁo desceu pra me procurar, nĂŁo me ligou nem fez a mĂnima questĂŁo de saber pra onde eu havia ido. Enquanto te esperava eu cravava as unhas na carne das mĂŁos, acrescentava mais algumas luas Ă s minhas tantas outras e sangrava ininterruptamente.
VocĂȘ estacionou o carro de qualquer jeito, desceu correndo e me tomou nos braços perguntando o que aconteceu. Eu nĂŁo falei, nĂŁo conseguia. Apenas levantei, me evadi do teu abraço e dei a volta no carro. Entrei pelo lado do passageiro e pude ver tua camisa branca, fina de algodĂŁo completamente coberta do meu sangue. Dei um sorriso de lado e olhei pra frente. VocĂȘ levou as mĂŁos Ă cabeça e olhou pra cima, pro apartamento, ele estava na varanda, nos vendo sair e te olhando com o ar indiferente de quem sabe de todo o desfecho que vai se repetir.
Depois de entrar no carro vocĂȘ deu a partida e arrancou me fazendo incontĂĄveis perguntas das quais eu nem me lembro e eu sĂł te disse pra dirigir. Me perguntou pra onde e minha Ășnica exigĂȘncia era que fosse fora da cidade. SaĂmos, passamos pela placa de âatĂ© logo, volte sempreâ. Eu ainda sangrava e vocĂȘ enfiava o pĂ© no acelerador tentando de alguma forma dissipar a revolta e a confusĂŁo que sentia. Eu abri o vidro da janela e te disse pra nĂŁo falar porra nenhuma, sentei na janela com o carro em movimento, as costas pra paisagem e olhando pra estrada infinita que se estendia Ă minha frente. VocĂȘ pisou no freio e eu fiz um sinal negativo com a cabeça. Era madrugada, o vento frio assanhava meus cabelos e gradativamente coagulava meu sangue.
VocĂȘ parou o carro no acostamento, chorando e desceu, deu a volta e me puxou pelas costas, pela cintura. Me pedia uma explicação e eu simplesmente nĂŁo conseguia falar. VocĂȘ sabia o que tinha acontecido, no fundo sabia, sabia o que acontecia sempre, mas apenas me abraçou, abriu a porta, me conduziu pra dentro e assumiu de novo o seu posto. Colocou um de seus clĂĄssicos italianos no carro e sĂł dirigiu. Paramos em um desses motĂ©is de beira de estrada sem estrutura nenhuma. VocĂȘ segurou minha mĂŁo, tirou minha roupa e limpou cada um dos meus ferimentos. Os do rosto, os das mĂŁos, e me conduziu pro chuveiro, ainda vestido no seu terno preto com a gravata vermelha. Lembro de olhar pro teu relĂłgio dourado quando levantou a mĂŁo ao ligar o chuveiro, eram 03:00 da manhĂŁ.
A ĂĄgua caĂa no meu corpo e conforme a adrenalina me deixava, as dores começavam a aparecer e eu gritava. VocĂȘ percorria cada parte do meu corpo com as mĂŁos, numa delicadeza impecĂĄvel e me conduzia para manchas roxas milenares que eu nem lembrava que existiam. Os hematomas te faziam lacrimejar e vocĂȘ me abraçou, nua, debaixo do chuveiro e chorou junto comigo. Sem nenhuma segunda intenção, sĂł a compreensĂŁo mĂștua e silenciosa que compartilhĂĄvamos a tanto.
Te contei sobre a nova traição, sobre o apartamento destruĂdo e os copos quebrados, sobre as roupas que rasguei e sobre todos os hematomas que tambĂ©m deixei nele. Sobre os buracos dos murros na parede e sobre os em mim, a minha costela quebrada e o nariz dele, quebrado. Mas vocĂȘ jĂĄ sabia de tudo isso, sabia de toda a histĂłria, de todas as brigas. Me disse que era doentio e que eu sabia, estava certo como sempre. Me disse que ficaria tudo bem e que eu nĂŁo precisava mais ter medo, que o faria pagar e que ele nunca mais encostaria um dedo em mim. Eu te beijei. Fizemos amor pela primeira vez e foi realmente a primeira vez que me senti tĂŁo conectada com alguĂ©m. VocĂȘ jĂĄ tinha dito me amar outras tantas vezes mas essa fora a primeira que eu te disse. VocĂȘ estava tĂŁo lindo, tĂŁo radiante e iluminado, meu bem... dormimos abraçados e na manhĂŁ seguinte, quando acordou, vocĂȘ nĂŁo me encontrou, e por mais que se negasse a acreditar, sabia exatamente onde eu estava.
VocĂȘ Ă© paz demais pro meu caos.
Thaylla Ferreira Cavalcante {Os quatro elementos}
Queria em alguns momentos, me teletransportar para uma outra realidade.
Onde vocĂȘ pudesse me flagelar diferente, gastando sua raiva com pancadas.
Dores temporĂĄrias.
Suas palavras, espargem de cicatrizes meu tudo. Quem imaginaria isso?
