Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Dona moça
Menina-moça, tentaram me fazer acreditar que o amor nĂŁo existe e que sonhos estĂŁo fora de moda. Cavaram um buraco bem fundo e tentaram enterrar todos os meus desejos, um a um, como fizeram com os deles. Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos. Em construir castelos sem pensar nos ventos. Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim. A manter meu buquĂȘ de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes. Porque aprendi com a Dona Chica, que a vida, apesar de bruta, Ă© meio mĂĄgica. DĂĄ sempre pra tirar um coelho da cartola. E lĂĄ vou eu, nas minhas tentativas, Ă s vezes meio cegas, Ă s vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a prĂłxima etapa serĂĄ o tombo ou o voo. Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que nĂŁo dĂĄ Ă© pra ficar parado.
Se amanhĂŁ o que eu sonhei nĂŁo for bem aquilo, eu tiro um arco-Ăris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro Ă© maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrĂĄrios. Ă maior porque Ă© do bem. E nisso, sim, acredito atĂ© o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço. Disse um certo pai Ogum.
Viver, viver e ser livre. Saber dar valor para as coisas mais simples. SĂł o amor constrĂłi pontes indestrutĂveis.
Idealismo
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade Ă© uma mentira.
Ă. E Ă© por isso que na minha lira
De amores fĂșteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amĂĄ-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
Ă o amor do sibarita e da hetaĂra,
De Messalina e de Sardanapalo?!
Pois Ă© mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
â Alavanca desviada do seu fulcro â
E haja sĂł amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
O amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem o seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor. Por isso mesmo o amor é eterno. Porque se renova. Terminam as paixÔes, o amor permanece.
Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicĂĄvel faz o coração bater mais depressa. A garantia Ășnica Ă© que eu nasci. Tu Ă©s uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: eis os limites de minha possibilidade.
SerĂĄ possĂvel, entĂŁo, um triunfo no amor? Sim. Mas ele nĂŁo se encontra no final do caminho: nĂŁo na partida, nĂŁo na chegada, mas na travessia.
Vacina de ano novo
Muitos me desejaram paz e amor em 75. Mas havendo amor, haverĂĄ paz? Amor Ă© o contrario radioso dela. Ă inquietação, agitação, vontade de absorver o objeto amado, temor de perdĂȘ-lo, sentimento de nĂŁo merecĂȘ-lo, Ăąnsia de dominĂĄ-lo, masoquismo de ser dominado por ele, dor de nĂŁo o haver conhecido antes, dor de nĂŁo ocupar seu pensamento 24 horas por dia, e mais dias a pedir ao dia para ocupĂĄ-lo, brasa de imaginĂĄ-lo menos preso a mim do que eu a ele, desespero de o nĂŁo guardar no bolso, junto ao coração, ou fisicamente dentro deste, como sangue a circular eternamente e eternamente o mesmo. Amor Ă© isso e mais alguma triste coisa. E a tristeza incurĂĄvel do tempo nĂŁo passa fora de nĂłs, passa Ă© dentro e na pele marcada da gente, lembrando que eternidade Ă© ilusĂŁo de minutos e o ato de amor deste momento jĂĄ ficou mergulhado em ter sido. Amor Ă© paz?
Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida.
Ă o olhar caracterĂstico do amor que torna a pessoa sensĂvel e atenta para perceber os sinais e demonstraçÔes de afeto, por mais pequenos que sejam ou que aparentemente assim o sejam, que fazem nascer no coração um fundamental sentido de reconhecimento em relação a vida, aos outros, a Deus.
Aquele amor, mesmo nĂŁo retribuĂdo, tornou-se um souvenir, lembrança de uma Ă©poca bonita que foi vivida⊠Passou a ser um bem de valor inestimĂĄvel, Ă© uma sensação a qual a gente se apega.
O amor resiste Ă distĂąncia, ao silĂȘncio das separaçÔes e atĂ© Ă s traiçÔes. Sem perdĂŁo nĂŁo hĂĄ amor. Diga-me quem vocĂȘ mais perdoou na vida, e eu entĂŁo saberei dizer quem vocĂȘ mais amou. O amor Ă© equação onde prevalece a multiplicação do perdĂŁo. VocĂȘ o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim vocĂȘ olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu nĂŁo sei viver sem vocĂȘ. Eu nĂŁo posso ser nem a metade do que sou se vocĂȘ nĂŁo estiver por perto."
Antes disso eu nunca fora arrebatado
por amor tĂŁo sĂșbito e doce
Seu rosto vicejava como se uma flor fosse
E assim meu coração foi roubado.
Nossa capacidade de amar Ă© limitada, e o amor infinito; este Ă© o drama.
Tornar um amor real Ă© expulsĂĄ-lo de vocĂȘ, para que ele possa ser de alguĂ©m.
Ou a mulher Ă© fria ou morde. Sem dentada nĂŁo hĂĄ amor possĂvel.
