Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Tornar um amor real Ă© expulsĂĄ-lo de vocĂȘ, para que ele possa ser de alguĂ©m.
Ou a mulher Ă© fria ou morde. Sem dentada nĂŁo hĂĄ amor possĂvel.
Mesmo o amor que nĂŁo compensa Ă© melhor que a solidĂŁo
TrĂȘs Ăąncoras deixou Deus ao homem: o amor Ă pĂĄtria, o amor Ă liberdade, o amor Ă verdade. Cara nos Ă© a pĂĄtria, a liberdade, mais cara; mas a verdade, mais cara de tudo.
Damos a vida pela PĂĄtria. Deixamos a PĂĄtria pela liberdade. Mas Ă PĂĄtria e Ă liberdade renunciamos pela verdade. Porque este Ă© o mais santo de todos os amores.
Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu e vai à eternidade...
Onde estĂĄ a felicidade? No amor, ou na indiferença? Na obediĂȘncia, ou no poder? No orgulho, ou na humildade? Na investigação, ou na fĂ©? Na celebridade, ou no esquecimento? Na nudez, ou na prosperidade? Na ambição, ou no sacrifĂcio? A meu ver, a felicidade estĂĄ na doçura do bem, distribuĂdo sem ideia de remuneração. Ou, por outra, sob uma fĂłrmula mais precisa, a nossa felicidade consiste no sentimento da felicidade alheia, generosamente criada por um ato nosso.
DA CHEGADA DO AMOR
Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarĂŁo da amanhecice.
Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.
Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.
Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
nĂŁo assustasse.
Sempre quis um amor
que nĂŁo se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.
Sempre quis uma amor
que nĂŁo se chateasse
diante das diferenças.
Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade Ă© o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
Ă© observar
o desenho
do invĂłlucro e comparĂĄ-lo
com a calma da alma
o seu conteĂșdo.
Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fåcil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.
Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.
Sempre quis um amor
de abafar,
(nĂŁo o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mĂŁos.
Sem senĂŁos.
Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.
Eu sempre disse nĂŁo
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.
Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.
Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.
Sempre quis um amor nĂŁo omisso
e que suas estĂłrias me contasse.
Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.
Poesia extraĂda do livro "Euteamo e suas estrĂ©ias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,
O amor Ă© formado de uma sĂł alma, habitando em dois corpos.
Nota: Adaptação de um trecho atribuĂdo a AristĂłteles.
De Tanto Amor
Ah! Eu vim aqui amor sĂł para me despedir
E as Ășltimas palavras desse nosso amor, vocĂȘ vai ter que ouvir
Me perdi de tanto amor, ah, eu enlouqueci
Ninguém podia amar assim e eu amei
E devo confessar, aĂ foi que eu errei
Vou te olhar mais uma vez, na hora de dizer adeus
Vou chorar mais uma vez quando olhar nos olhos seus, nos olhos seus
A saudade vai chegar e por favor meu bem
Me deixe pelo menos sĂł te ver passar
Eu nada vou dizer perdoa se eu chorar.
Canção de Amor
Como hei-de segurar a minha alma
para que nĂŁo toque na tua? Como hei-de
elevå-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levĂĄ-la
atĂ© um sĂtio perdido na escuridĂŁo
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma sĂł nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mĂŁos?
Oh, doce canção.
As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possĂvel que o amor propriamente dito. DaĂ a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estĂŁo impedidos de expansĂŁo e movimento na direção do objeto amado. Os "grandes amores" da literatura sĂŁo grandes, nĂŁo por serem amores, mas por serem impossĂveis.
JĂĄ os grandes amores da vida real sĂł quem sente Ă© que sabe. A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensĂŁo ao que o exercĂcio da relação, talvez, tirasse. Na paixĂŁo impossĂvel sĂł estĂŁo as projeçÔes do que idealizamos, pretendemos ou nĂŁo conseguimos viver em nosso cotidiano. DaĂ ser fĂĄcil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados.
Ă por isso, aliĂĄs, que sĂł Ă© musa quem Ă© inatingĂvel. Case-se com a sua musa e acordarĂĄ com uma jararaca... Case-se com quem ama e serĂĄ feliz. Quer se ver livre de uma paixĂŁo colossal? VĂĄ viver com a pessoa objeto da paixĂŁo (observem, por favor, que nĂŁo estou usando a palavra amor). AliĂĄs, jĂĄ estĂĄ nos clĂĄssicos e, mesmo, antes destes, nos antigos: "A conquista enobrece e a posse avilta". Ou, como dizia Goethe: "Nas batalhas da paixĂŁo, ganha aquele que foge".
Quantas vezes as relaçÔes humanas terminam ou se interrompem sem terem esgotado o potencial de possibilidades adivinhadas, intuĂdas, sentidas. AĂ, o que nĂŁo se esgotou clama por vir Ă tona e, muitas vezes, ameaça ocupar (e Ă s vezes ocupa, efetivamente) todo o "ego".
NĂŁo Ă© por outra razĂŁo que o apaixonado Ă© o maior dos egoĂstas. Ao dedicar tudo ao objeto da paixĂŁo, estĂĄ Ă© alimentando a prĂłpria necessidade, seja de sofrimento, de idealização, de felicidade ou fantasia. Entupido de impossibilidades, ele clama. E a isso muitos chamam amor. Mas amor Ă© coisa muito diversa... Amor nĂŁo clama nem reclama: amor dĂĄ.
Eu nĂŁo espero que vocĂȘ seja o grande amor da minha vida, parei de acreditar nisso⊠NĂŁo quero que vocĂȘ me faça chorar. NĂŁo quero que vocĂȘ seja um motivo ruim na minha vida. VocĂȘ Ă© motivo de sorrisos, razĂŁo pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que vocĂȘ vai passar aqui⊠NĂŁo quero te odiar. NĂŁo quero falar mal de vocĂȘ pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de vocĂȘ como quem ama. Pois Ă©, ele nunca lembra de desligar o celular antes de dormir e sempre alguĂ©m do trabalho liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o mĂĄximo de irritação que vocĂȘ me provoca Ă© me acordar de manhĂŁ cedo falando bobagens que parecem ser importantes no celular. NĂŁo quero que vocĂȘ me largue. NĂŁo quero te largar. NĂŁo quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu nĂŁo tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. Ă sĂł que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com vocĂȘ, eu queria que desse certo. Que eu nĂŁo te largasse no altar. Que eu nĂŁo te visse com outra. Que eu nĂŁo tivesse raiva. Que vocĂȘ nĂŁo passasse a comer de boca aberta. Que vocĂȘ entendesse o meu problema com chĂŁos de banheiro molhados pra sempre. Que vocĂȘ gostasse e cuidasse de mim como disse ontem Ă noite que cuidarĂĄ. Eu quero que dĂȘ certo, nĂŁo estraga, por favor. NĂŁo estraga, nĂŁo estraga e nĂŁo estraga. Posso pĂŽr um post-it na sua carteira? Mesmo que a gente nĂŁo fique junto pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por vocĂȘ. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando vocĂȘ liga, sorri ou aparece⊠Mesmo que vocĂȘ apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. Ă sĂł o que eu peço.
Amor Ă© fogo que arde sem se ver. Ă ferida que dĂłi e nĂŁo se sente.
Nota: Trecho de soneto de LuĂs de CamĂ”es.
Dessa vez era um amor mais realista e nĂŁo romĂąntico; era um amor de quem jĂĄ sofreu por amor.
Enganar-se a respeito da natureza do amor Ă© a mais espantosa das perdas. Ă uma perda eterna, para a qual nĂŁo existe compensação nem no tempo nem na eternidade: a privação mais horrorosa, que nĂŁo Ă© possĂvel recuperar nem nesta vida... nem na futura!
Ah, então foi pra ele que eu dei meu coração e tanto sofri? Amor é falta de QI, tenho cada vez mais certeza.
Para vocĂȘ, desejo o sonho realizado. O amor esperado. A esperança renovada. Para vocĂȘ, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir. Todas as mĂșsicas que puder emocionar. Desejo que os amigos sejam mais cĂșmplices, que sua famĂlia esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida. Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente... EntĂŁo, desejo apenas que vocĂȘ tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade.
Nota: Adaptação do poema de Vilma GalvĂŁo, atribuĂdo erradamente a Carlos Drummond de Andrade.
Minha saudade é prisão. Minha preocupação, chatice. Minha insegurança, problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade, insuportåvel. Meus elogios causam solidão. Minhas constataçÔes boas matam o amor. As ruins, matam o resto todo.
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