Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

⁠tem muita coisa ruim na vida
nĂŁo deixe que o amor se torne uma delas

Ela nĂŁo queria um amor de vitrine.
Queria um amor de dentro –
daqueles que nĂŁo se prova, se habita.


“Como foi seu dia? O que doeu? O que te fez sorrir?”
E esperar a resposta como quem espera a chuva no sertĂŁo. Sabendo que ela nĂŁo enche o rio sozinha, mas molha a terra.


Palavras são como abraços: se soltas no ar, viram vento; se encostadas na pele, viram casa.


Ela queria um amor que lesse o silĂȘncio dela nĂŁo como ausĂȘncia, mas como calma. Um amor que nĂŁo apertasse a campainha sĂł para ouvir o prĂłprio dedo.


Um amor que entrasse, sentasse, perguntasse: E esse cansaço? E esse poema que vocĂȘ guardou no peito? Mostra?


Mas ele, coitado, aprendeu a encantar antes de aprender a ficar. Ela nĂŁo o julga. Ela sĂł se lembra de que tempo Ă© a Ășnica coisa que nĂŁo se recompra.


EntĂŁo ela disse, com a delicadeza de quem jĂĄ cansou de berrar na tempestade:


“Se for pra ser raso, que seja limpo, sem espuma de sabão.


Se for pra ser fundo, que seja devagar, com perguntas de verdade.


Eu topo os dois. Mas nĂŁo topo mais dançar sozinha no meio da sala escura enquanto vocĂȘ aplaude da porta.”


E guardou o vestido.


Porque, como bem sabia...


“Há flores que desabrocham mesmo sem aplauso.


E há mulheres que viram jardim sozinhas – não por falta de jardineiro, mas por excesso de vida.”


Ela virou.


Toda vez que ele nĂŁo perguntava, ela plantava mais uma rosa nela mesma.


... coisas sobre Ela e Ele

"O amor nĂŁo Ă© um problema a ser resolvido. É um mistĂ©rio a ser vivido. E mistĂ©rio, a gente nĂŁo decifra. A gente contempla."

Ele acreditava que o amor era o corpo. E eu acreditava que o corpo era o começo.


Mas o meu amor, meu amor era a fresta. Aquela coisa que nĂŁo se vĂȘ, que nĂŁo se toca, que sĂł se sente quando o silĂȘncio se senta entre a gente e olha para nĂłs. E ele, coitado, nĂŁo entendia o silĂȘncio. Ele o preenchia com a mĂŁo, com a boca, com o peso da presença.


Mas a presença dele, quando não tem a alma dentro, é um buraco. E eu caía. Toda vez. Ele me segurava, mas eu continuava caindo. Porque ele segurava a minha mão, e a mão segura o corpo, mas a queda... a queda ela segura a alma.


E ele nĂŁo sabia segurar almas.


Eu queria lhe dizer: "VocĂȘ estĂĄ aqui, mas o seu isso nĂŁo estĂĄ aqui." E quando eu falava, ele me olhava como quem olha para o mar: achando bonito, mas sem entrar. E eu queria que ele entrasse, que afogasse um pouco, que sentisse o gosto do sal nos lĂĄbios.


Em vez disso, ele me tirava da ĂĄgua. E dizia: "VocĂȘ estĂĄ segura."


Mas eu não queria segurança. Eu queria o risco. Queria que ele se perdesse em mim para que eu pudesse, enfim, me achar.


Ele faz café, ele faz amor, ele faz planos. Mas fazer não é ser. E eu sou a coisa que não se faz. Eu sou a coisa que simplesmente é. E o que é, não cabe em xícara, nem em abraço, nem em projeto. O que é, só cabe no olho nu e na palavra atravessada.


E ele nĂŁo atravessa palavras. Ele as resolve.


Como se o amor fosse uma conta a pagar.




... coisas sobre Ela e Ele

NĂŁo era amor. Era o desejo de ser amor.


Eram duas solidÔes que se abraçavam na esperança de que o abraço se transformasse em luz. Mas a luz é dura. A luz mostra as rugas, os dentes amarelados, a poeira debaixo do tapete.


Eles nĂŁo queriam a luz. Eles queriam o aconchego da mentira. Mas a vida Ă© uma coisa que nĂŁo pergunta. A vida pressiona.


E pressionada, a relação gritou.


Ela gritou com palavras bonitas e profundas. Ele gritou com açÔes prĂĄticas e silĂȘncios. E o grito um do outro nĂŁo era ouvido. SĂł a minha alma ouvia – a alma da escrita, que Ă© a alma dos que veem o que os corpos escondem.


E o que eu vi foi isto: ele a ama com a força de quem constrĂłi. Ela o ama com a força de quem desaba. Um constrĂłi muros para protegĂȘ-la. Ela quer que os muros caiam para que o vento entre.


Ele nĂŁo sabe que ela precisa do vento. Ela nĂŁo sabe que ele precisa dos muros.


E assim, eles se amam como o dia e a noite se amam: nunca ao mesmo tempo, sempre na fronteira, sempre no instante em que um morre para que o outro nasça.


O amor deles Ă© um parto eterno. E parto dĂłi. Mas dĂłi porque a vida estĂĄ nascendo. E a vida? a vida Ă© isso: a dor de vir ao mundo.


Eles ainda estão no começo da dor.


E o começo da dor, para os que não desistem, ainda pode ser o começo do mundo.


... coisas sobre Ela e Ele

NĂŁo tente entender o amor. Sinta-o. Como se sente o vento. Como se sente o medo. Como se sente a morte. Porque o amor, quando Ă© verdadeiro, nĂŁo se explica. SĂł Ă©.

Ele nĂŁo sabe que o amor Ă© a Ășnica coisa que nĂŁo se perde quando a gente se entrega. O que se perde, quando a gente se fecha, Ă© a chance de ser inteiro. E ele, ele merece ser inteiro.


É o que Ela acredita.

Fazer amor
Helaine Machado

Fazer amor a dois
Ă© simplesmente unir
saliva e desejo,
sentimentos e emoçÔes.
É misturar pele e alma,
prazer e paixĂŁo
em um instante
onde dois coraçÔes
se tornam um sĂł.
Helaine Machado

Campanha: Amor-prĂłprio Ă© prioridade
Helaine Machado

NĂŁo Ă© sobre falta,
Ă© sobre escolha.
É o direito de sentir
sem culpa, sem pressa.
Ela se redescobre no silĂȘncio,
se acolhe no prĂłprio toque,
porque prazer também é cuidado,
também é liberdade.
Helaine Machado

A lua me disse
 e eu vou ouvir
Que o amor que Ă© verdadeiro sempre vai florir
E se for pra sofrer, que seja assim
Melhor te amar
 do que não sentir
Helaine machado

NĂŁo quero mĂŁos que nĂŁo me alcancem,
nem palavras que nĂŁo saibam ficar,
amor que nĂŁo cuida, nĂŁo soma,
nĂŁo merece o verbo amar.


Helaine machado

Um cafezinho depois de fazer amor

o silĂȘncio ainda quente entre nĂłs,
lençóis bagunçados contando segredos
que a boca jĂĄ nĂŁo precisa repetir.
Teu cheiro ainda mora na minha pele,
teu toque insiste nos meus caminhos,
e enquanto o café esquenta no fogão,
meu corpo relembra o teu com calma.
Helaine machado

Lar é onde o coração repousa,
onde o amor não cabe — transborda.
É oração que nasce em silĂȘncio,
é dois coraçÔes no mesmo compasso,
batendo por um sĂł propĂłsito.
Helaine Machado

A maior virtude do amor
nĂŁo Ă© ser leve,
nem bonito aos olhos do mundo —
Ă© ser forte o bastante
pra calar o Ăłdio
quando ele grita dentro da gente.
Porque o Ăłdio invade,
rasga, consome,
faz do peito um campo de guerra
onde tudo perde cor.
Helaine machado

Amor, poder e razĂŁo
trĂȘs caminhos na mesma pulsação,
tĂŁo distantes entre si
que parecem nĂŁo caber
no mesmo peito —
mas cabem.
Habita em silĂȘncio
esse territĂłrio escondido
onde o querer abraça,
o dominar insiste,
e o pensar tenta organizar o caos.
O amor pede entrega,
o poder exige controle,
a razão sussurra cautela —
e nenhum deles aceita calar.
Quando florescem,
nĂŁo vĂȘm em ordem,
não pedem licença,
nĂŁo combinam entre si.
Helaine machado

Orgulho e preconceito,
dois caminhos que o amor nĂŁo consegue habitar.
Um afasta pelo silĂȘncio,
o outro condena antes mesmo de conhecer.
O orgulho ergue muros
onde o coração queria construir pontes.
O preconceito fecha os olhos
para aquilo que poderia florescer.
E no meio dessa guerra invisĂ­vel,
muitos amores se perdem
nĂŁo por falta de sentimento,
mas pela incapacidade de ceder.
Porque amar exige coragem:
de ouvir, compreender, mudar.
E onde existe arrogĂąncia ou julgamento,
o amor sufoca antes mesmo de nascer.
Helaine machado

As emoçÔes deixam marcas,
umas fazem sorrir, outras fazem chorar.
Mas quando o amor encontra o coração,
toda ferida começa a cicatrizar.
As emoçÔes deixam marcas,
que o vento jamais vai levar.
Porque quem ama de verdade
sempre encontra um jeito de recomeçar.
Helaine machado

Quando vocĂȘ se transforma, tudo ganha outra cor,
A tristeza vai embora, chega um novo amor.
Cada passo revela um novo amanhecer,
Porque mudar é também renascer.
Helaine machado

O amor divino alcança todos os seres, inclusive aqueles que erram.

Talvez o amor divino nĂŁo esteja na ausĂȘncia da liberdade, mas justamente na sua existĂȘncia. Porque um amor verdadeiro nĂŁo controla, nĂŁo escraviza e nĂŁo obriga. Ele permite a escolha. E Ă© exatamente por isso que podemos praticar a bondade, mas tambĂ©m podemos praticar a crueldade.