Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
NĂŁo consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei.
Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitårio do outro lado de mim.
Parece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada como devoção.
A diferença que hĂĄ entre esses trĂȘs tipos de amor manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos consideramos juntos e unidos Ă coisa amada, estamos sempre dispostos a abandonar a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que amamos; e, na devoção, ao contrårio, a preferirmos a coisa amada e não a nós mesmos, de tal forma que não hesitamos em morrer para a conservar.
O jeito Ă© direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor estĂĄ em todos os lugares, vocĂȘ que nĂŁo procura direito.
"VocĂȘ estĂĄ sĂł. Viveu um grande amor, que durou alguns meses ou vĂĄrios anos, nĂŁo importa, e agora estĂĄ naquele perĂodo conhecido como entressafra: nada nesta mĂŁo, nada na outra."
A recaĂda de amor acontece como num daqueles pesadelos que se estĂĄ caindo. De repente vocĂȘ acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu jĂĄ estava tĂŁo bem hĂĄ semanas. Volte a dormir, volte a dormir. VocĂȘ jĂĄ tinha decidido lembra? Nada a ver com vocĂȘ, chato, bobo, nĂŁo deu certo. Mas eu preciso saber.
Amor que Morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarĂŁo, ao longe, jĂĄ desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
SĂŁo precisos amores, pra morrer
E sĂŁo precisos sonhos pra partir.
Eu bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
Doutro amor impossĂvel que hĂĄ de vir!
Porque amor Ă© justamente isso, Ă© ficar inseguro, Ă© ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, Ă© ter medo de se perder todo dia. Ă vocĂȘ se ver mergulhado, enredado, em algo que vocĂȘ nĂŁo tem mais controle.
VocĂȘ me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu nĂŁo quero
Ser teu amigo...
Ă que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Ă, eu preciso dizer que eu te amo tanto...
Calma, raciocĂnio e estratĂ©gia sĂŁo dons de amor que para para racionalizar. Amor que Ă© amor nĂŁo para, nĂŁo tem intervalo, atropela.
NĂŁo caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de vocĂȘ, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida.
Pois eu sonhei contigo e caĂ da cama.
Ai, amor, nĂŁo briga! Ai, nĂŁo me castiga!
Ai, diz que me ama e eu nĂŁo sonho mais!
A paixĂŁo Ă© para todos, o amor Ă© para poucos. PaixĂŁo Ă© estĂĄgio, amor Ă© profissionalização. PaixĂŁo Ă© para ser sentida; o amor, alĂ©m de ser sentido, precisa ser pensado. Por isso tem menos prestĂgio que a paixĂŁo, pois parece burocrĂĄtico, um sentimento adulto demais, e quem quer deixar de ser adolescente?
