Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Jesus morreu de braços abertos para que sentĂssemos no aconchego de um abraço o significado da palavra amor.
No ponto mais alto e tenso da fita, SebastiĂŁo, para extrema surpresa e desagrado de Mr. Pratt, pĂŽs-se a rir a valer, enquanto Clare, tambĂ©m contendo o riso, lhe puxava a manga do paletĂł, num esforço inĂștil para fazĂȘ-lo parar. Devem ter se divertido muito, os dois juntos. E Ă© difĂcil de acreditar que todo esse calor, toda essa ternura, toda a beleza disso tudo nĂŁo tenha sido recolhida, nĂŁo esteja guardada carinhosamente, de algum modo, em alguma parte, por alguma testemunha imortal de uma vida mortal
VoltĂĄvamos para as espreguiçadeiras de vez em quando e cantĂĄvamos ditirambos hesitantes, engenhosos, nervosos e delicados sobre os sentimentos que começåvamos a experimentar um em relação ao outro. Na verdade, sĂł passĂĄvamos a ter aqueles sentimentos a partir do momento em que falĂĄvamos neles â pelo menos no meu caso; quando dava nome a um deles, eu o inventava e passava a senti-lo. De tanto agitar nossa sensação de estranheza e novidade, geramos uma espuma que se assemelhava ao amor, e nĂŁo ousĂĄvamos insistir demais naquela brincadeira, falar demais naquilo, com medo de que a espuma baixasse e morresse
NĂŁo hĂĄ antĂdoto para a alma atormentada, nĂŁo hĂĄ substĂąncia ou filosofia que preencha o vazio do peito â o vazio de sentir demais num mundo que valoriza o desapego, o vazio de amar e nĂŁo ser amado, o vazio de sentir saudades de momentos e sensaçÔes que se perderam para sempre.
Trecho do eBook 'PĂlulas de Esquecimento'
Somos mestres na arte de terminar romances, mas inĂșteis no dom de mantĂȘ-los. Amores instantĂąneos para seres humanos feitos de lĂquido.
ESQUINAS
Olhos de gato, mĂŁos de fada, sonhos de mulher.
Ela caminha sozinha a espera de um futuro qualquer.
Qualquer dia, qualquer encontro, qualquer beijo. Aquele beijo.
Na rua, as gotas de chuva caem silenciosas e solitĂĄrias. E ela segue seu caminho, paciente, Ășnica, a espera.
A espera de olhos como os seus, olhos de gato, fulminantes, e a mĂŁo de um anjo com sonhos de homem, nĂŁo qualquer homem, nem um para qualquer encontro. Aquele homem, aquele beijo.
E ele segue seu caminho, paciente, Ășnico, a espera. As gotas de chuva caem silenciosas e solitĂĄrias sobre ele tambĂ©m. Na mesma cidade, mesma realidade, mesmo desejo.
Na outra esquina.
Eu tive dias lindos por tua causa, por todo o bem que tu me faz e por tudo aquilo que posso ser quando estou contigo. Tu me fez descobrir sentimentos que eu nem acreditava que pudessem existir. Se hoje eu sou melhor, isso nĂŁo se deve Ă s minhas tentativas de ser melhor, mas sim por ter visto em teus olhos um espelho para minha alma.
A forma suave dos teus dedos finos me faz querer entrelaça-los aos meus. A leveza com que caminhas, me faz querer te levar no colo. Teu pescoço fino e rosado, me då vontade de morder-te. Ver teus låbios eróticos, femininos, me faz querer beijar-te. Meu corpo incandesce. Tu és a chama que me incendeia.
As vezes eu penso que poderia abraça-la, aspirar-lhe o cheiro dos cabelos, e aninha-la em meu peito, apertando bem forte. Forte como quem não quisesse largar jamais. Então vem a mão fria da realidade e diz: Jamais! Sol e lua, sol e lua! Quando um brilhar, o outro terå de esconder-se!
Quem eu amo, nĂŁo me quer, e quem me quer, nĂŁo Ă© a que eu amo. Eu nĂŁo quero a que me quer, e quem quer a que me quer, nĂŁo Ă© querido por quem me quer. Eu quero a que eu amo, e a que eu amo, nem me ama nem me quer. Ela quer um que nĂŁo a quer, e que quer uma que nĂŁo lhe quer. No fim, acabamos ficando com quem nĂŁo queremos, e deixamos de amar quem querĂamos por nĂŁo ter sido anteriormente amados por quem outrora quisĂ©ramos. E todo mundo fica com quem nĂŁo quer, porque ficar sozinho tambĂ©m nĂŁo quer.
Para garantir um mundo com arte e poesia, alguém tem que manejar as espadas e com a habilidade necessåria.
Nota sobre ela:
Ela Ă© sĂł nota, mesmo. Nunca mĂșsica. Como diz Nietzsche: "sem mĂșsica a vida seria um erro."!
Se vocĂȘ quiser entender o que Ă© um RELACIONAMENTO ABUSIVO, veja a relação entre um professor ou policial e o Estado.
Porque nĂŁo Ă© preciso precisar nada.
Trocar o foco pelo dinamismo, as convicçÔes pelo fluxo de idĂ©ias e contradiçÔes possĂveis. Deixar de ser pedra e fazer parte de um edifĂcio. NĂŁo ser, apenas poder, estar, transformar, amar, errar. Arrepender-se, levantar-se e surpreender-se com cada passo dado em direção ao que nĂŁo existe
â A paixĂŁo nĂŁo se permite ter donos, nem rĂłtulos ela aceita...
A paixĂŁo escolhe a hora e o lugar, nem adianta procurĂĄ-la ou esperĂĄ-la...
A paixão não pode ser subjugada, ela estå além das vontades...
A paixão pode até trazer dor, mas ela se faz sentir...
A paixĂŁo pode trazer o alĂvio, mas nĂŁo promete que este serĂĄ eterno...
Acho que por isso, desejo tanto a paixĂŁo, tal qual o suicida e os loucos em geral, ela Ă© auto-suficiente, honesta, rara e LIVRE.
Afeto Ă© troca
...e me pediram um beijo. Eu disse nĂŁo, Ă© Ăłbvio, jamais me permitiria uma indignidade dessas... entĂŁo nos beijamos, deliciosamente...
Beijo bom, nĂŁo Ă© dado nem roubado..
Beijo bom, mesmo, Ă© trocado ! (A.F.C)
