Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Quantas vezes alguém pensa que ama,
mas na verdade, apenas ama a si prĂłprio,
estragando tudo, egoĂsticamente,
pois o verdadeiro amor
Ă© sair de si mesmo
Amar Ă©
sempre deixar-se,
para ir
totalmente ao outro.
Canto a tarde
Lå vou eu cantando a tarde, para com ela seguir mansamente meus passos. Sim, eu canto a tarde, faço-lhe serenatas junto ao vento, colho algumas flores, que este, impetuoso, teima em desfolhar e assim oferto-as, jogando-as pelo espaço e a tarde sorri para mim. Fica mais leve, mais doce e perfumada. Parece até que demora mais a ir de encontro ao horizonte, para que o dia descanse e amanhã volte a nos encantar. Namoro sim com a tarde, quando do campo, uma revoada de passarinhos vem comigo duetar e felizes vamos pelas horas, num canto primaveril, enfeitando o momento vespertino, que é vida aos que o observam e que pode ser noite linda, depois da alquimia de um sol jå posto. A tarde traz lembranças boas, outras nem tanto, mas suas nuances de esperança pintam meu caminho e enchem de paz meu coração. Sei que em algum lugar, alguém com olhos de tarde morna, também assim a fita e então somos iguais em alma. Isso basta-me para ser feliz.
Puxei o fio do tempo
desde o inĂcio,
nele recordei, teci devaneios,
vi onde pintei quadros, sĂłis e luas,
sempre buscando saber o fim
Estiquei também o pensamento,
imaginei caminhos nĂŁo trilhados
o tempo sorriu para mim,
mostrou quem Ă© mais forte
deixou vislumbrar o que nĂŁo tinha percebido,
que pensava ser sonho,
mas num clarĂŁo real
vi que vocĂȘ, a seu modo,
sempre esteve,
nesse fio do tempo
ao meu lado...
Quando envolvida em tédio,
segue a noite no estio,
e sobre as flores adormecidas
nĂŁo hĂĄ gotas de orvalho
em carĂcias,
apenas horas mortas
sufocadas pelo calor,
mas a canção da vida nunca para
e nem poderia pausar,
quando o que se vai no coração
Ă© amor,
Ă© doce sonho,
Ă© um nĂŁo querer
acordar
Neusa Marilda
O tempo foi passando
inexorĂĄvel e sem dĂł,
aos poucos, deixando ver
que um adeus se faria
numa tarde mansa
de um dia qualquer
Um gesto, um olhar esquivo,
uma palavra sem nexo,
tudo mostrando que acabava
o sentimento maior
De repente o adeus se fez,
sem surpresa, sem nostalgia,
deixando apenas atrĂĄs de si
um coração jå desfeito
que para a solidĂŁo
uma taça de saudade
jĂĄ oferecia
NĂŁo deixe
as flores murcharem em ramalhetes
que carrego para te perfumar,
nem que se cale o canto do pĂĄssaro
que em sinfonia quer nos brindar,
nem deixe que a lua se apague
escorregando pelas sombras do jardim,
nĂŁo tarde amor, apresse teus passos,
caminhe firme,
em direção a mim
Leve beijos na boca e perdão no coração,
afine a voz dos sentimentos,
nĂŁo a deixe soar rouca,
noite e luar se completam,
mar e areia também,
sem perfume Ă© triste a flor,
deixe que o amor prevaleça,
sĂł assim a vida terĂĄ mais valor
Busca
Muitas vezes
juntei do quebrado coração,
todos os pedaços que perdi pelos caminhos,
onde tentei estar perto da beleza, do amor,
perto de ti...
Encontro sempre na poesia
com meu "eu" interior
tudo entĂŁo soa melodia
de vocĂȘ, de nĂłs, do amor...
Agora que a noite chegou
trouxe a saudade para mim
veio apenas em perfumes
de um suave e adormecido jasmim
Saltitando,
coração aos pulos,
crianças sem preocupação
recolhendo da vida o melhor,
assim deverĂamos sempre ser
em alguma parte da alma
e ali brincar livres, leves e soltos,
sem nenhum dever,
observando tudo ao redor,
para depois, novamente,
pouco a pouco...
crescer !
Em noites de lua cheia
faço de mim pedaços de luar,
esparramando-os por todas as trilhas
para enfeitar caminhos de sua alma,
nada e nem ninguém impedirå
que eu trace sonhos em arabescos de luz,
tudo loucamente desenhado,
como se lua fĂŽsse na amplidĂŁo,
na insana espera de que por ali
vocĂȘ caminhe seus passos,
vindo em minha direção...
Murmuro cançÔes em dueto
junto Ă brisa que passa rasante
imaginando ouvir a tua voz
chamando por mim todo instante.
O que nos acorrenta parece frågil, mas é a maior força existente, ligando nosso "eu" ao mundo exterior e pode ser chamado de amor.
HĂĄ pessoas, de fato, especiais !
humanas, amigas e amadas,
nĂŁo as esqueceremos jamais
enquanto a vida nos for dada !
Minh'alma vaga pelo firmamento
em busca de uma estrela maior,
sĂł encontra a saudade de outros tempos
quando encontrava o amor.
Vem de longe
o vento mansinho,
perfumando a noite,
a bailar,
traz vozes em carinho
meu coração quer tocar
fico em ĂȘxtase, vou ouvindo
a canção que talvez
seja sĂł minha
e ainda nĂŁo consegui decifrar
O poeta nasce pronto, se fortifica com o diålogo de seu interior e tudo que o rodeia, muitas vezes em luta insana. Em letras, sofre o poeta, subjugado por amores, desilusÔes, saudades, iras ou sorrisos. Mas elas mesmo o curam e ele traça com maestria seus versos. Mesmo que seja apenas no cofre de sua mente, onde guarda seus tesouros secretos.
Das estrelas fulgurantes, fagulhas d'alma
que vem na amplidão de meu céu interior,
hĂĄ nuances belas da ilusĂŁo nascida
puro devaneio de um estranho amor
Sonhando sob o som de cĂtaras de anjos
danço contigo entre nuvens e brisas,
agitando os corpos, abraços de almas,
somos miragens onde a vida desliza
