Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â Vejo a lua,
pequena e branca
pĂĄlida em sonhos
divagando em luzes
que esmaecem na madrugada fria
percebo essa lua,
assim em fascĂnio,
como mulher
frente ao sentimento puro
do amor e ao da ternura,
és mulher, ó lua!
entendes do coração
e pela noite leva sonhos
aos que prestam em ti
toda atenção.
â Que saudade dos tempos bons
de alguém ou de momentos
foi pintada em vĂĄrios tons
no meu arco-Ăris de sentimentos
Essa saudade que me invade
com ela posso dialogar
- nĂŁo vĂĄ embora, saudade!
meu coração é seu lugar
â Quero fazer uma trova
que a minh'alma ditou
mas que seja linda e nova
porque a inspiração cansou
Vejo que nĂŁo vem o mote
tudo parece mal feito
o coração då um galope
quase estourando no peito
E isso seria de amor
num versinho revelado
sem ter na face rubor
dando todo o meu recado
Tentei, tentei e nĂŁo consegui
as linhas se tornaram estranhas
esse amor que nem pedi
nĂŁo se retrata e se acanha
Por isso tenho que parar
de rabiscar essas besteiras
o sentimento irei guardar
para o resto de vida inteira!
â Entre perdas e danos,
escrevia poemas a rodo
no livro de sua vida,
um desengano
Enganou-se sozinho,
pleno de ilusĂŁo,
nunca teve, nunca foi seu
aquele coração
NĂŁo soube distinguir
qual era a verdade,
nem perceber que ela
tinha-lhe apenas amizade
â A tarde se vai,
e que nĂŁo tarde !
mas enquanto ela cai
a nostalgia nos invade,
vem a noite sussurrando
nos ermos de sua escuridĂŁo,
todo tipo de saudade,
que sabe, temos no coração
â Pense em teu querer,
mas sem muita ilusĂŁo,
lute pelo que deseje,
mas sem ferir o coração
O que hoje parece ser,
amanhĂŁ, talvez, nĂŁo mais
e apenas sofrerĂĄ se quiser,
procure viver em paz !
â NĂŁo Ă© o poeta que faz a poesia, ela Ă© quem o faz. Apesar dos pesares - em todo momento bom ou ruim - ela estĂĄ junto a ele, num laço apertado envolvendo sua alma que nĂŁo consegue calar.
Poesia Ă© a arte, o poeta Ă© apenas seu tradutor. NĂŁo pode fugir disso porque foi escolhido.
A poesia não tem explicação, não pode ser definida e cada um a sente de uma forma.
â Havia algo no ar, enigmĂĄtico,
desencontros, um vazio,
seria um adeus?
soando a melodia do cansaço
em compasso final, dolorido,
deixando desafinadas notas
a brindarem em acordes tristes
a saga do que foi, mas que talvez,
nunca tenha sido...
â As cores de mais um dia
no horizonte jĂĄ se apagaram
quisera que também se fossem
as tristezas que deixaram
Quantos coraçÔes batem sós
pelo amor que estĂĄ distante
vencidos pela saudade feroz
que os lancinam como açoites
A noite os pega de jeito
nem sonhar lhes dĂĄ a chance
a insĂŽnia ronda por perto
e nĂŁo deixa sonhar com romance
Ninguém merece o sofrimento
de amar sem ser amado
de apenas viver momentos
de sonhos nĂŁo realizados
â Na estrada um grĂŁo de poeira
nas retinas a balançar,
qual pĂĄssaro voando rasteiro,
pronto para partir e cantar
As marcas dos passos na terra,
miĂșdos, sem rumo, cansados,
qual andante sem nenhuma quimera
em busca do que hĂĄ sonhado
Na boca o sabor de fel e mel
nos beijos hĂĄ muito guardados,
no coração uma mortalha de véu
cobrindo um amor rejeitado
â Segue o dia, segue o verbo
ditando nos casos e acasos
desta vida em açÔes -
guarida, riso, choro,
tropeços - ninguém merece -
nem eu mereço,
mas quando chega a poesia,
escrevo, a obedeço !
â Feliz Dia das MĂŁes Ă todas as mulheres guerreiras que amam e cuidam de seus filhos, biolĂłgicos ou de coração.
â O vento suave espreita de mansinho
a cada rosto e cada olhar
varre as folhas e flores
chega e abraça a todos sem receio
até passando um carinho
fazendo-nos sentir que outono
também é amor
e apesar de alguns dias cinzas
a vida deve e tem que continuar
â Nas teclas do piano
o dedilhar de acordes,
onde se espargem sĂłis
aquecem a amplidĂŁo,
enquanto o coração
se dilui em gritos
que nĂŁo soam notas
de melodia, nem afinação,
pois um falso sustenido,
logo deu fim ao amor
- sem nenhum dĂł !
Dia dos pais
Figura que deve ser um suporte,
amar e cuidar de seus filhos
sempre com dedicação e alegria
os que assim fazem merecem
todo carinho deles e nĂŁo serĂŁo esquecidos
no seu principal e festivo dia
Infelizmente, hĂĄ os que dos filhos judiam,
nĂŁo nasceram para a missĂŁo de pai,
nĂŁo tem nenhuma psicologia e paciĂȘncia
maltratam sem nenhuma razĂŁo
esses, certamente, da vida
o seu castigo receberĂŁo
Vejo o céu bem carregado,
e a flor observa também ,
uma chuvinha seria um agrado,
mas serĂĄ que ela vem ?
Tarde quente, primaveril,
no vale o vento assobia
um melancĂłlico assobio
de um vento que até arrepia
Lembro passagem do tempo
de uma gostosa e feliz meninice,
onde brigava com esse vento
que pelo campo fazia traquinices
Apesar da briga, éramos amigos,
onde eu ia, ele logo ia também,
uivando e Ă s vezes mais comedido,
não fazia nenhum mal a ninguém
Era um vento que sabia cantar
as composiçÔes de seu Criador
e comigo chegou a melodiar
as cançÔes que eu fazia ao amor
â HĂĄ que se viver em força em coragem, qualquer um de nĂłs - mortais - em busca de caminhos melhores e principalmente o amor e a paz...
