Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
FLERTANDO COM A LUA
Oh! Por que brincaste comigo, oh, lua?
Por que fugiste de mim, apĂłs ressurgir?
Sim. Nossa prosa fora bem supérflua.
Sob o encanto de tua festa, louco, caĂ!
Com tua ausĂȘncia aparecera' o sol-rei.
Pra estes lados daqui, ele nĂŁo facilita.
Como cao sarnento, logo o encontrarei.
Ănsito semblante de um cao... carnalita:
Comiserado serĂĄs de mim, ao aparecer!
Que teu abraço seja cålido; consolador!
Poeta melancólico de coração arrefecer!
Lua, que tratado que hĂĄ entre ti e o sol?
Ocorreu-me esta absurda e leve duvida!
Por que os dois nĂŁo aparecem, no farol?
poeta_sabedoro
â â ABAIXO AO PONTO FINAL
A poesia pede reticĂȘncias, uma interrogação talvez,
interjeição quem sabe!. Mas nunca ponto final.
SenĂŁo fica limitada.
Dona das certezas, ela nunca foi, mas...
Comanda as coisas do coração.
Poesia nĂŁo e' logica. A Ășnica logica e' subjetivar;
Pessoas e coisas integrando 'a prĂłpria vida.
E' a arte que da' vida ate' mesmo 'a morte.
De sorte que,
Se logica fosse; nĂŁo faria sentido, nem razĂŁo.
A visão da poesia e' percebida com a lupa do coração.
Assinado: poeta_sabedoro
â â "ReflexĂŁo nĂŁo e' uma amaciada no ego, isto e' elogio; reflexĂŁo e' um balde de ĂĄgua fria quando se esta' dopado das percepçÔes."
â JOGO DE PODERES
â Na chama da esperança reluz meu caminho.
No doce de encantos, encontro-me bem-mal.
Na brasa da paixĂŁo, minha razĂŁo sĂł-racional.
Vou passeando entre todos, mas sĂł, sozinho.
Em avenidas de flores vou tropicando; miĂșdo.
Mente e coração entrando numa competição.
Ao fundo se escuta breve lampejo de canção,
Vislumbrando o amor que sobrevive conteĂșdo.
Como lobo velho uivando para sĂł amar, amar.
Coração desgarrado da mente pede alimento.
Desta' que a mente vai obedecer, mente e' ar.
Ar lĂmpido que clareia quando o coração, nĂŁo.
Pessoas, avenidas, flores, pessoa... sĂł e' dor!
Se mente não cuida, coração desafia coração.
poeta_sabedoro
DEVIR {soneto}
Alvorecendo o dia, percebo a vida diferente...
Vou ate' a janela, descortinada com o ventejar.
O rebolar das flores se despindo do usual, a notar.
Flores murcham, animais morrem, igual a gente...
O som dos påssaros, o balançar das arvores...
Olhando pra fora, percebi o clarão de um recomeço.
Tudo parecia numa conspiração só, um rebuliço.
Vida desprovida, despertei-me destes horrores...
Em nada o existir, tudo num habilita-desabilita.
NĂŁo hĂĄ garantias, nem estabilidade, tudo passa.
Ineficaz e' o existir, um sopro de vida que irrita.
Abraça pra sorrir, aperta pra doer, magoa pra sofrer.
â Que gosto tem uma lagrima? Antes era congelada?
Agora pode chorar, a lagrima nĂŁo e' nada! E' viver.
â "Saudades!: um reviver, uma experimentação de si num momento passado, onde o coração se agradou."
â A ARTE VISTA { soneto}
SerĂĄ que minha arte e' igual a tua? serĂĄ?!.
A vejo em casa, no trabalho, na rua...; nua.
Me vejo... a vejo... ensejo de ser, arte crua.
Queria sĂł por hoje saber, Minh 'arte... serĂĄ
Igual a tua? Vistes por fora melhor que dentro.
EntĂŁo!. A visĂŁo que vĂȘs e' a arte forjada ao lĂ©u.
Os saberes, que atuam por olhos, sob o céu.
Além... delineando as cores, sóbrio pelo centro.
Despojais de jugos, e dizei-me, dizei-me vĂłs:
Que arte e' esta? Persegue-me a todo lugar,
Na pintura, poesia, rachadura, até mesmo ar.
Deveras devo preocupar-me, estou sem saber.
Moldar-me-ei com outra visĂŁo senĂŁo a minha.
SerĂĄ que tinha arte igual a tua? Tinha?!.
poeta_sabedoro
â A VOZ DO PASTOR {Soneto}
Ouço grito ecoando pela montanha mais alta.
As pobre-ovelhinhas seguindo o velho pastor.
A relva verde dantes jĂĄ nĂŁo se repete pela cor.
O velho levanta o cajado e ordena "as peralta".
Se falta o prover o bom pastor sai a desbravar.
Novas terras hå de encontrar sem inseguranças...
As ovelhinhas jå acostumadas com mudanças...
NĂŁo hesitam na voz seguir, pois cegas alinhavar.
Oh pai, Que nunca um pastor deixe sua ovelha!
SĂŁo tĂŁo cordeiros... pois elas nunca se enfurecem.
Dóceis que vão a perdição sem notar e parelha.
Quando se vĂȘ jĂĄ desvirtuou-se de ser o que era.
Que a voz do pastor nĂŁo se perca delas, pobres!
Que o pastor nĂŁo se perca, pobre homem, Fera!
poeta_sabedoro
