Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Doer o peito ao lembrar e relembrar o passado, pode significar que no presente nĂŁo estĂĄ plantando-se o necessĂĄrio para o futuro. HĂĄ a possibilidade de colher os bons frutos que no passado foram plantados, largar os que estĂŁo podres e seguir em frente. PossĂvel Ă©, ainda, comendo-se os frutos colhidos, retirar as sementes para plantĂĄ-las agora, jĂĄ. Sempre hĂĄ alternativas. Sempre hĂĄ opçÔes. Contudo, sempre hĂĄ exceçÔes, nestes casos, Ă© necessĂĄrio esforçar-se para tornar o caminho a se seguir o quanto melhor.
Hoje, eu penso apenas em desistir. Desistir do que hĂĄ em vocĂȘ que me faz te querer. Desistir de te querer, e de querer que me queira. Hoje eu nĂŁo consigo parar de pensar em abandonar o que nĂłs temos, para tentar achar a felicidade em outros portos. Contudo, eu simplesmente nĂŁo posso. "O coração nĂŁo obedece a razĂŁo" e eu acabo cedendo a tentação de te amar. E, te amando eu navego justamente na direção oposta.
Olhando para trĂĄs, vejo o quĂŁo conturbada foi minha caminhada. Considerando tamanhas dificuldades enfrentadas, agora sei que posso. Tiro proveito do passado e sigo em frente.
Mas, na verdade, nĂŁo sinto falta de vocĂȘ. NĂŁo sinto falta de ter vocĂȘ ao meu lado. Sinto falta de quando tinha a sua presença e vocĂȘ me tinha como prioridade.
E lĂĄ estava eu, enrolado nos afazeres do dia-a-dia, entregando-me Ă s promessas dos deuses que guardam os segredos do amanhĂŁ, deixando que os dias passem por mim sem que eu passe por eles, adorava a automaticidade a que havia chegado, tornava as coisas bem mais tĂȘnues e livres de complicaçÔes.
Afinal nĂŁo existia nada de tĂŁo inovador em minha vida que me propusesse qualquer perspectiva diferente, mas pensava em muitas, e quase o tempo todo, embora nunca tivesse iniciativa para me propor jornadas tĂŁo ao horizonte lĂquido de possibilidades do desconhecido.
Isso é sempre algo que requer insensatez, intrepidez, para não dizer estupidez. Coisas que não habitam em mim hå sabe-se quanto tempo, costumo me convencer de que sou naturalmente inclinado à condutas que traçam linhas retas, sem desvios; retas ao que me prescrevo como razoåvel.
Mas este nĂŁo Ă© o ponto a que quero chegar.
Aconteceu que, de repente, algo começou a me incomodar o pescoço, como se alguma coisa tivesse me picado, passei a mão e me comprometi a olhar no espelho, quando chegasse em casa, tornando-me novamente aos afazeres mecùnicos do que a sociedade chama de profissão.
Com certeza a dor é algo que incomoda, assim como o caos à ordem. Quando sentimos dor, o incÎmodo acaba com a nossa concentração e transforma a si mesmo no palco para onde vertemos os holofotes da nossa atenção.
Eu nĂŁo estava acostumado Ă incĂŽmodos, sempre tinha tudo em ordem, estava completamente habituado ao ritmo sĂłlido e constante com que as coisas vibravam. Mas, hoje, mal podia fazer atividades medĂocres, que vinha fazendo hĂĄ anos Ă fio.
Ă bem verdade que essa rotina me transformou em alguĂ©m de pouco humor, sempre mordaz com as pessoas, dono de um ceticismo intragĂĄvel, Ă s vezes, nem mesmo eu suportava conviver comigo mesmo, mas o tinha de ser, se pode fugir de tudo na vida exceto de si mesmo. Esta Ă© uma responsabilidade de natureza perene, que cada um tem para consigo mesmo, a de arcar com aquilo que fizeste de si: âcriaste-te, agora, suporta-teâ â pensei.
Entretanto, não posso negar, situei-me por tanto tempo fora do espaço comum, que habituei-me a minha individualidade, meu espaço sem estrangeiros, com seus sotaques de ideias, suas religiÔes de valores, havia muito tempo que não me metia em conflitos, era só eu e eu mesmo.
Chegando em casa, fui logo ao quarto e me dispus a olhar-me no espelho, ali, bem no sĂtio em que me doĂa insuportavelmente. Para minha surpresa, nĂŁo havia nada. Exatamente, nada. Nem mesmo um Ășnico vergĂŁo, marca, bolha ou ferida. Mas doĂa como se o incĂŽmodo viesse da picada de um escorpiĂŁo. Dizem que Ă© uma das peçonhas mais doloridas e incĂŽmodas. Nunca fui picado, li em algum lugar. Diferente de nada, nada nĂŁo podia doer tanto.
Era violenta e invasiva, a dor. Não parava de latejar, sentia-a pulsar pelo meu corpo todo, mas se concentrava ali, no pescoço. Malditos calafrios.
Todo este arrebatamento, talvez se devesse a isto estar tirando-me do comum. Deveria ter passado no supermercado depois das vinte horas, que Ă© quando paro no trabalho, e ter comprado algo para entreter meu estĂŽmago. Isso, entreter e nĂŁo alimentar, pois Ă© isso que acontece nas sextas Ă noite. Mas com toda essa situação me afligindo, mal lembro se desliguei a luz quando saĂ.
Só consigo pensar nisso, em resolver este incÎmodo, que parece estar tomando o controle da minha vida. E inimaginavelmente, como pode fazer sofrer tanto algo que começou hå menos de doze horas.
Reclamei tanto comigo mesmo, fiz a dor acima de todos os meus sentidos.
O que mais me incomodava talvez fosse a confissĂŁo que devia a mim mesmo. E o diabo sabe como machucar. Azucrina com o que de mais importante guardamos no fundo do obscuro baĂș execrĂĄvel de nossas almas, mas nĂŁo podemos mentir a nĂłs mesmos eternamente. Uma hora a verdade nos consome, e o que fazĂamos oculto aparece. Ă como mĂĄgica, fingir bem Ă© a chave. Fingir tĂŁo bem ao ponto de que todos acreditem. E a mĂĄgica sĂł tem poder quando nĂłs mesmos acreditamos nela. Ă assim que o truque funciona.
No fundo, eu sabia de uma coisa, que quis esconder de mim mesmo, o motivo real da minha falta de controle sobre a situação, com todos esses rodeios mentais. Algo que era comum, ao menos para mim. Rodeios mentais.
Sempre tento argumentar comigo mesmo, como se existissem dois lados em disputa, um dizendo algo e o outro tentando impor suas ideias, seus anseios, em via contrĂĄria.
A dor no pescoço, todo este incĂŽmodo, esta agonia, sinto-me tirado de mim mesmo, para fora, para longe do confortĂĄvel buraco onde havia me enfiado desde a prĂ©-histĂłria da minha vida, para o horizonte lĂquido e detestĂĄvel de possibilidades, como eu o via, mas devo admitir, que ainda sinto os lĂĄbios dela marcarem suavemente um beijo de despedida no meu pescoço.
Cuidado, talvez sua opiniĂŁo apenas esteja explodindo o superficial do mais profundo sentimento preso no seu querer.
Acredite num final, seja feliz ele ou nĂŁo, apenas almeje algo concreto
Sabe aquele percurso que parece nĂŁo ter fimâŠquando atĂ© o cansaço se satura
Do âDesistirâ tire o âDâ e coloque âRâ do retroceder que ficarĂĄ Resistir
Estique o braço e abraceâŠporque o amor fortalece o espirito e saberĂĄ prosperar
Cré que no fim estå o recomeço
O amarâŠsĂł serĂĄ amado se saber que vale a pena amar.
Naqueles olhos tem um mistério
um vazio, sonhos, medos, ternura, desejos, eu vi um mundo naqueles olhos, eu me vi naqueles olhos ...
NĂŁo estranhe minha capacidade de renovação e inovação, sinceramente nĂŁo gosto de comparaçÔes, prefiro o diferente, autĂȘntico.
NĂŁo estranhe se eu te dizer adeus, quando ontem disse te amo, antes de ti, sou por mim.
NĂŁo estranhe a minha tamanha vontade de viver, acho que esse Ă© o Ășnico propĂłsito da vida, viver, eu tenho sede, eu tenho gula, eu amo a vida.
A cada dia percebo que as pessoas estão mais carentes, e a necessidade de estar com alguém, é maior que o sentimento (carinho, amor, respeito, etc.), e talvez este esse seja o erro, por isso observamos tantos desabafos, desafetos, tantas indiretas, tantas reclamaçÔes de amor.
Ă tĂŁo mais interessante, se amar, se respeitar, fortalecido com esses sentimentos para consigo, evitarĂamos sofrimentos desnecessĂĄrios. Parto do pressuposto que devemos nos permitir, mas daĂ, passar a ficar, manter certos relacionamentos por carĂȘncia, por status (ser ou estar), acho desleal consigo.
EntĂŁo, porque nĂŁo adquirir essa capacidade e fortalecimento do amor prĂłprio, nĂŁo vejo isso como egoĂsmo, vejo como a forma mais sensata de evitar tantas lamĂșrias, que por vezes cansa de tantas citaçÔes a respeito. Porque nĂŁo seguir independente, defenda seus princĂpios e suas verdades, se ame, seja feliz independentemente de encontros e desencontros, a vida Ă© bem mais que isso.
Meus versos sĂŁo seus
Guarda-os em teu peito frio
Pra quando seu coração estiver vazio
Se lembrar que nosso amor existiu
Me chamam de velha, hora bolas! SĂł porque eu me amo tanto que acredito nĂŁo ser o melhor momento para amar outro?
Tenho pensamentos tĂŁo cheios, que mal cabem em minha mente tĂŁo vazia. Deve ser por isso que choro tanto... Pensei ser tristeza, mas sĂŁo apenas os meus pensamos transbordando.
E a esperança que renasce dentro de mim, me faz reviver momentos no qual eu jå tinha esquecido, mas seu olhar me trouxe de volta a vida, e com a vida trouxe o amor!
NĂłs temos uma mania muito feia de achar que amanhĂŁ poderemos fazer diferente, que na prĂłxima semana serĂĄ diferente, que no ano seguinte serĂĄ diferente.
Nada vai mudar se nĂłs apenas esperarmos por dias melhores.
Ninguém tå preocupado com o que sentimos, com o que precisamos, ninguém tå nem aà pro que estamos vivendo realmente, pra como a nossa alma se encontra.
As pessoas sĂł entendem o estrago que estĂŁo fazendo quando perdem a oportunidade de fazer diferente na "prĂłxima vez".
Por isso a importĂąncia do egoĂsmo, do amor prĂłprio, da lucidez.
VocĂȘ nasce sĂł e vai morrer sĂł, o que acontece nesse meio tempo Ă© escolha e responsabilidade somente sua.
Quando as desculpas sĂŁo constantes Ă© sinal que nada estĂĄ sendo feito pra solucionar o problema de fato.
