Indignação
"Mentira."
Por que me senti ferido por só ter aguentado de pé a dor de uma mentira?Talvez por saber que embora tarde a verdade sempre aparece!!!
Não consigo ver justiça nem lógica em um Deus que supostamente predeterminou tudo e que predestinou cada um a um destino escolhido por Ele mesmo! Onde ficaria as responsabilidades individuais? Escolhas conscientes e não manipuladas? Ir ao inferno não por minhas escolhas e sim por que fui programado; isso é pagar uma conta que não seria minha, mas de quem me fez ir para lá, isso sim seria injusto e ilógico.
Cidadezinhas de Minas
canteiros
origens
raízes
sabores
perfumes
sons
tão diferentes
tão iguais
nascidas
no pé da serra
no alto da ladeira
ao longo do rio
Paraopeba
Doce
Cipó
Das Velhas
Velho Chico…
Cidadezinhas de Minas
tão queridas
tão especiais
serão amontoadas
num balaio de gatos!
Raiva é um desejo de fazer justiça com as próprias mãos, nos torna imediatistas e Juízes. Por isso não dê espaço no seu coração para isso, entregue para a Jesus que é Justo e fará o Juízo.
Não deixarei meu coração em chamas diante das mazelas da vida. Minha fé há de ser libertadora dos problemas que afligem meu caminho. Não há o que possa me impedir de ir aos céus na busca da luz para dispersar a escuridão do medo e da fúria que por vezes me toma. Deus é minha Força e Nele encontro a paz ou faço a guerra se preciso. Na injustiça sou um vulcão em erupção a despejar minha indignação.
Indigna se e decepciona se todo aquele equivocado que busca vantagens próprias , privilégios e vaidades pessoais nas oficinas de homens operários livres e de bons costumes espalhadas pelos quatros cantos de nossa casa tão justa e perfeita.
Estou perdendo a faculdade de indignar-me.
O som alto num quiosque da Enseada às sete horas da manhã dá para ser ouvido no meu apartamento na Praia de Pitangueiras.
Uns jovens e outros nem tanto, balançam visivelmente embriagados os corpos, as latas de cerveja e copos de bebida mais forte ao som estridente e de má qualidade que profere frases de apologia às drogas e ao crime.
Antigamente eu me indignava pela cidade, pela degradação que apresentávamos aos cidadãos e visitantes, pela falta de educação do povo.
Hoje não mais.
Incomodado busco meu quarto, protegido por janelas à prova de ruídos, ligo a televisão e em poucos minutos estou novamente dormindo, imune à agressão ao meu direito e à minha cidadania, deixando para quem ainda não esteja empedernido, a árdua tarefa da qual não sou mais capaz.
Exercitar a indignação.
