Ignorar

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Há uma tensão difícil de ignorar: alguém que se declara religioso pede por anos uma vida melhor, reconhece que o próprio entorno não melhorou como esperava e olha com inveja para lugares que tiveram resultados melhores sem ter adotado o mesmo campo político.

Mesmo assim, em ciclo após ciclo, volta a votar no mesmo grupo que já esteve no poder por muito tempo.

Isso não prova que a fé é falsa.

Provoca outra pergunta: a lealdade partidária está acima do critério que a própria pessoa usa para julgar resultado.

“Ignorar quem você é custa caro: chama-se infelicidade.”

“Ignorar o poder é como entrar num campo de batalha achando que é só um jogo.”

"Se não te responde, já respondeu. Ignorar é a mensagem mais clara que existe."

“Meu amigo dizendo pra ignorar opinião alheia… e postando story só pra ver quem curte.”

“No fim das contas, a melhor companhia sempre foi a que você tentou ignorar: você mesmo.”

"Ignorar uma mensagem por meses não é preservar sua 'liberdade', é abandonar o outro em um labirinto de suposições."

Ignorar a experiência é limitar a própria inteligência; afinal, a verdadeira maestria profissional é o que transforma alguém em referência.

- Saber ignorar-te é eficaz; debater com um ignorante, inútil.


Tatyane Nicklas

A "loucura" — no sentido planetário de ignorar valores humanos — talvez seja a única resposta lúcida para um sistema que exige que você sorria enquanto se decompõe.

“Toda pessoa carrega consigo uma pergunta que nenhum tribunal pode ignorar: por que minha existência valeria menos que a sua?”

O Direito torna-se injusto quando sua precisão matemática começa a ignorar a realidade humana.

Ter um direito de propriedade não significa possuir licença para ignorar todos os direitos ao redor.

Punir o erro sem compreender o ser humano é corrigir a consequência e ignorar a causa.

A epistemologia não pode ignorar relações de poder.

O Direito é a tentativa desesperada de colocar ordem no caos que o coração escolheu ignorar, transformando o perfume da juventude em tinta de carimbo e o suspiro em cláusula penal.

Nenhuma teoria sobre o homem deveria ignorar o homem concreto que existe por trás da abstração.

COMO PENSAR POR CONTA PRÓPRIA SEM IGNORAR OS OUTROS?

Pensar por conta própria não significa fechar os ouvidos.

Autonomia não é isolamento.

Somos atravessados por professores, família, cultura, religião, ciência, experiências, algoritmos, afetos e interesses.

A questão não é eliminar essas influências.

Isso seria impossível.

A questão é aprender a decidir quanto peso cada influência merece receber em cada situação.

Podemos ouvir sem obedecer.

Aprender sem reproduzir.

Admirar sem idolatrar.

Discordar sem deixar de compreender.

Autonomia não é ausência de influência. É autoria na administração das influências.

Talvez pensar por si mesmo comece exatamente quando percebemos que até aquilo que chamamos de “meu pensamento” possui uma história.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

"IGNORAR"
é a forma mais dolorosa
de rejeitar alguém!

⁠Talvez não haja o que se esperar dos que insistem em ignorar a Complexidade e a Diversidade de um mundo habitado por mais de oito bilhões de pessoas.


Talvez, para esses, o conforto das respostas prontas seja mais sedutor do que o desconforto das perguntas profundas.


Afinal, enxergar o mundo em sua multiplicidade exige mais do que opinião — exige escuta, exige dúvida, exige a coragem de admitir que não sabemos quase nada.


Vivemos tempos em que certezas são produzidas em escala industrial, embaladas com convicção e distribuídas com a promessa de clareza.


Mas há algo de perigosamente frágil nessas verdades que não suportam nuance.


São ideias que não respiram, que não se adaptam, que não dialogam.


São muros erguidos onde deveriam existir pontes.


Ignorar a complexidade é uma forma de recusar a realidade.


É escolher versões simplificadas de um mundo que, por natureza, é intrincado, contraditório e, muitas vezes, desconcertante.


A diversidade, por sua vez, não é um obstáculo a ser tolerado, mas uma condição essencial da existência humana.


Negá-la é empobrecer a própria experiência de estar no mundo.


Talvez o problema não seja a falta de informação, mas o excesso de convicção.


Quando tudo parece tão claro, tão definitivo, perde-se o espaço do diálogo — e sem diálogo, não há aprendizado, apenas repetição.


E repetir não é compreender.


Ser contemporâneo, talvez, seja aprender a conviver com o inacabado.


É reconhecer que cada pessoa carrega um universo próprio, moldado por histórias, dores, culturas e perspectivas que nunca serão totalmente acessíveis a nós.


É aceitar que o outro não cabe em nossas categorias simplistas.


No fim, não se trata de abandonar convicções, mas de permitir que elas sejam atravessadas pela dúvida.


Porque é na dúvida que mora a possibilidade de transformação.


E talvez seja justamente aí — nesse território incerto e vivo — que ainda haja algo a se esperar de nós.