Ícaro
ASAS
Sonhos sem asas foi o meu
Busquei o infinito
Senti um despertar
Um sonho de Ícaro...
Nuances belas avistei
Num multicolorido indescritível
Voei alto demais, busquei o pináculo...
Enveredei pelo desconhecido...
Sem estruturas minhas asas cansaram-se
Lutando e sonhando compreendi...
Sou mero sonhador, um tolo, um bobo...
Um pobre pecador, que suplica piedade...
Amém!
►Ícaro & Talo
O jovem garoto que voou
E que naquele mar se afogou
Seu pai te alertou
E por deslumbre, dele se afastou
A liberdade e tranquilidade em ti, pairou
O Sol te iluminou
E teu desejo em alcançá-lo, radicou
Pois então a cera das asas se soltou
Fim de sua liberdade isto culminou
"Não se aproxime do Sol", seu pai lhe falou
E vendo-o próximo aos rochedos do mar
Ele se pôs a chorar
Uma ilha com teu nome irá chamar
Um jovem que viu sua vida passar e acabar
No momento em que conseguiu se libertar
Junto ao seu pai, o labirinto escapar
A luz de sua liberdade acabou contigo
Quem sabe era este teu destino?
O que parecia impossível foi feito
O plano de fuga perfeito
Pai e filho fugindo daquele jeito
E no fim, termina com ele no leito
O erro que cometeu não pode ser desfeito
Por causa de Tesseu, isso aconteceu?
O terrível Minotauro por fim faleceu
A Minos, Dédalo prometeu
Uma obra de arte ao rei, ele deu
Mas no final, o filho do rei perdeu
E pai e filho, Minos rendeu
Para dentro do labirinto os mandou
Pela morte do monstro, nunca os perdoou
Dédalo, em luto, em uma ilha se refugiou
A morte da pessoa mais querida
Do sobrinho Talo, inveja mal vista
Atena, lá do penhasco ele o lançou
Em um pássaro, pela deusa, Talo se transformou
E no enterro de seu filho, Talo observou
Será que a vingança ele alcançou?
Por que os deuses deixaram sua morte acontecer?
Desculpem, mas isso não sei dizer
Minos se arrependeu do que fez?
Mesmo que a cera da pena se desfez
Ícaro voou pelo menos uma vez.
Ícaro à Meia-Noite
Como Ícaro, voo, mas noturno. Iludo-me, mais sagaz. Oculto na noite: espectro, vampiro, assombração. Evito a luz para sobreviver. Não almejo o brilho — é a altura.
Com asas de papel e sonhos colados em cera, enfim compreendo: o próprio voo já é queda.
Não desejo ser ícaro nem fênix.
Só queria poder voar e viajar por entre montanhas,arquipélagos e mares.
Pra isso me bastaría ser eu mesma só que com asas.
CONFISSÕES DE ÍCARO
Me desfaço do peso de minhas asas
ao contemplar da minha loucura.
Aos sois que nunca se calam,
que nunca se entregam a tua fúria.
Ao amanhecer dos outonos dispersos.
Da fome de inevitáveis versos.
Ao despencar das nuvens mais distantes,
Ao sol que penetra a alma com a força de gigantes.
Sobre as tuas asas carrega o peso de tais horrores.
De tuas doutrinas sem cores.
Sem delongas afim de teorias mestras,
apenas juntar se ao sol é o que nos resta.
Minhas lamentações iram de perecer,
sobre olhos de quem não vê.
Que os sonhos são apenas impossíveis
para quem não consegue crer.
Pois sou o faminto dos sonhos,
ao qual o fim do céu quero chegar.
Ao rasgar de meus poros
o segredo da arte encontrar.
Ícaro
Arrotar grandeza é um problema de indigestão
Não saber digerir a humildade da razão
Viver a vida sem saber de ante mão
Que as asas de Ícaro derreteram
Por querer voar ao sol, e de tão em tão
Ganhou em vez do céu o traiçoeiro Egeu
A magnitude da sabedoria se encontra
Na simplicidade de igualar a todos nós
Não entre espertos e tolos
Mas entre os olhares de cada mundo
Onde cada olhar guarda consigo um profundo saber
Que pode até ser equivocado,
Entretanto não há nada que não possua migalhas
Do escasso certo ou do gigante deserto errado.
Era uma vez uma Planta.
Tão bonita quanto Narciso,
Tão perigosa quanto o sol de Ícaro.
A Planta brotou em uma madrugada de segunda,
Formosa, serena, vaidosa.
Seus caules curiosos sonhavam em tocar as águas do Rio em Camboja. Mas, como chegar tão longe sendo apenas uma...
Planta.
Simples!
Ela era perigosa.
Arrumou as malas, pentou as folhas, arrancou o caule da terra desde o âmago
Para ser....
Formosa, serena, vaidosa
Em Camboja
Onde sabia que além de tudo séria...
Feliz.
No regaço do ceticismo descansa minha alma,
Repleta de dor, de magoa e de trauma,
Fui como icaro fugindo do labirinto do meu ser,
Mas meu anjo era um demôino e só eu nao pude ver.
Cego se tornam os coraçoes puros.
Quando amam são ate chamados de burros.
Tornou-se meu corpo templo da razão.
Desprezando o sentir do coraçao.
Sobrevivendo um dia de cada vez.
Sem esperar por amar, mas sim mantendo a lucidez.
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