Ícaro
Ícaro à Meia-Noite
Como Ícaro, voo, mas noturno. Iludo-me, mais sagaz. Oculto na noite: espectro, vampiro, assombração. Evito a luz para sobreviver. Não almejo o brilho — é a altura.
Com asas de papel e sonhos colados em cera, enfim compreendo: o próprio voo já é queda.
Não desejo ser ícaro nem fênix.
Só queria poder voar e viajar por entre montanhas,arquipélagos e mares.
Pra isso me bastaría ser eu mesma só que com asas.
CONFISSÕES DE ÍCARO
Me desfaço do peso de minhas asas
ao contemplar da minha loucura.
Aos sois que nunca se calam,
que nunca se entregam a tua fúria.
Ao amanhecer dos outonos dispersos.
Da fome de inevitáveis versos.
Ao despencar das nuvens mais distantes,
Ao sol que penetra a alma com a força de gigantes.
Sobre as tuas asas carrega o peso de tais horrores.
De tuas doutrinas sem cores.
Sem delongas afim de teorias mestras,
apenas juntar se ao sol é o que nos resta.
Minhas lamentações iram de perecer,
sobre olhos de quem não vê.
Que os sonhos são apenas impossíveis
para quem não consegue crer.
Pois sou o faminto dos sonhos,
ao qual o fim do céu quero chegar.
Ao rasgar de meus poros
o segredo da arte encontrar.
Ícaro
Arrotar grandeza é um problema de indigestão
Não saber digerir a humildade da razão
Viver a vida sem saber de ante mão
Que as asas de Ícaro derreteram
Por querer voar ao sol, e de tão em tão
Ganhou em vez do céu o traiçoeiro Egeu
A magnitude da sabedoria se encontra
Na simplicidade de igualar a todos nós
Não entre espertos e tolos
Mas entre os olhares de cada mundo
Onde cada olhar guarda consigo um profundo saber
Que pode até ser equivocado,
Entretanto não há nada que não possua migalhas
Do escasso certo ou do gigante deserto errado.
Era uma vez uma Planta.
Tão bonita quanto Narciso,
Tão perigosa quanto o sol de Ícaro.
A Planta brotou em uma madrugada de segunda,
Formosa, serena, vaidosa.
Seus caules curiosos sonhavam em tocar as águas do Rio em Camboja. Mas, como chegar tão longe sendo apenas uma...
Planta.
Simples!
Ela era perigosa.
Arrumou as malas, pentou as folhas, arrancou o caule da terra desde o âmago
Para ser....
Formosa, serena, vaidosa
Em Camboja
Onde sabia que além de tudo séria...
Feliz.
No regaço do ceticismo descansa minha alma,
Repleta de dor, de magoa e de trauma,
Fui como icaro fugindo do labirinto do meu ser,
Mas meu anjo era um demôino e só eu nao pude ver.
Cego se tornam os coraçoes puros.
Quando amam são ate chamados de burros.
Tornou-se meu corpo templo da razão.
Desprezando o sentir do coraçao.
Sobrevivendo um dia de cada vez.
Sem esperar por amar, mas sim mantendo a lucidez.
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