Homem Palavra
RESUMO DA REALIDADE
A Ideia (Deus) gera, a Palavra revela, o Gesto realiza e a Virtude dignifica.
António da Cunha Duarte Justo
Ser emo nunca foi uma fase ou um mero modismo pra mim. Mesmo antes de conhecer essa palavra, já era a personificação do seu significado. O emo, tanto o original, enquanto vertente do rock, como no aspecto do estilo, assim como modo de ser, sempre me agradaram e foram parte de mim. Conheci um pouco antes de se tornar um modismo, e nunca neguei ser e gostar.
Quando gosto de algo, não me importa se ninguém conhece, se ninguém gosta, se é uma "moda do momento" ou se é extremamente popular. Pra mim, a única coisa que sempre importou foi se eu gostei ou não. Se me identifico, se aquilo conversa com o meu mundo particular, se me agrada.
Lembro de uma amiga que dizia que quando eu estivesse um pouco mais velha, veria como não gostaria mais do emo e nem me afirmaria como tal. Bom, ela se enganou. Fui, sou e sempre serei emo. Keep emo alive! Mantenha o emo vivo! Viva a cena alternativa!
- Marcela Lobato
O Verbo Amar De Quatro Letras Conjugado Com Quatro Patas
A palavra “amor” possui quatro letras, mas, graças a ti, percebi que também pode ter quatro patas; lembrei que a felicidade não é uma constância, sim uma soma de momentos felizes e, certamente, cada um ao teu lado, eu fui feliz; muitas vezes, quando estava triste, a tua animação ou o teu silêncio repousando aos pés foram o abraço de conforto mais sincero que recebi — a tua maneira carinhosa de falar que ia ficar tudo bem, que ainda não era o fim.
Por tua causa, então, passou a ser muito estranho ouvir que um animal tão empático é irracional; mostravas mais sensibilidade e bom senso do que muita gente, sempre sabias se eu estava bem ou se estava mal. Foste presente de várias formas, a minha melhor companhia em certas ocasiões, inclusive durante as tempestades, em fases que fiquei quase sem forças — uma fidelidade desumana pelo nível de excelência. O amor expressivo transbordava da tua essência.
Hoje, afirmo seguramente que foi fruto da Providência Divina a tua existência na minha vida, parte importante da minha jornada. Agradeço imensamente ao Senhor. E agora, o teu lindo amor de quatro patas é sinônimo de saudades, continuará existindo numa área reservada da minha mente, assim, será um lembrete do que é amar de verdade; uma luz aprazível de ânimo e um fôlego para minha alma. Às vezes, um latido alegre vale muito mais do que um “eu te amo”.
Palavra para hoje
PROCESSO
NÃO QUESTIONE O PROCESSO NÃO RECLAME DAS FASES NÃO FUJA DO PROBLEMAS! AQUILO QUE VOCÊ NÃO ENTENDE HOJE, FARÁ SENTIDO AMANHÃ. AS VEZES DEUS NÃO QUER QUE VOCÊ ENTENDA, ELE QUER QUE VOCÊ... CONFIE. AMÉM
🙏✨️
Leiam sempre o dicionário, e verifique a palavra certa no Google, para não passar vergonha na Internet.
QUANDO A ESCASSEZ DRENA VOCÊ
Há um ponto em que a palavra fracasso deixa de ser abstrata e bate na porta com forma concreta. Falta comida. Falta roupa adequada. Falta o básico que permite pensar além da sobrevivência imediata. Nesse nível, o discurso sobre esforço soa quase ofensivo. Porque quando o essencial falta, a vida se reduz a manter o corpo funcionando. E isso consome tudo.
Você, homem ou mulher, sabe que a fome não é apenas física. Ela invade o pensamento, encurta o horizonte, rouba a capacidade de planejar. A falta de vestes não é vaidade ferida. É exclusão prática. É não poder entrar em certos lugares. É ser lido como incapaz antes de qualquer conversa. É carregar no corpo o sinal visível da escassez.
Quando o fracasso chega assim, ele não pergunta se você tentou o suficiente. Ele apenas se impõe. E quem nunca viveu isso costuma subestimar o impacto. Costuma achar que basta aprender algo, desenvolver uma habilidade, empreender alguma coisa. Mas essa lógica só funciona quando há um mínimo de estabilidade para aprender, errar e insistir.
Quando você tem habilidades, ainda existe uma margem. Você pode vender força de trabalho específica. Pode trocar conhecimento por dinheiro. Pode improvisar. Não é fácil, mas existe algum movimento possível. Mesmo assim, esse caminho cobra um preço alto. Exige energia, tempo, foco. Coisas que a escassez drena rapidamente.
Mas quando você não teve acesso a desenvolver habilidades valorizadas, a situação muda de nível. Você passa a depender de um sistema que promete proteção, mas entrega lentidão, humilhação e abandono. Um sistema falido que mantém você vivo, mas não permite que você viva. Que administra a pobreza sem resolvê-la. Que trata a sobrevivência como favor e não como direito.
Esse tipo de sistema mata aos poucos. Não com violência explícita, mas com desgaste contínuo. Filas intermináveis. Burocracias que desumanizam. Auxílios insuficientes. Promessas que não se cumprem. Você se sente preso ou presa em um limbo onde não consegue sair por conta própria e não recebe reforço suficiente para avançar.
O fracasso, nesse contexto, não é pessoal. É estrutural. Mas ele se manifesta dentro de você como vergonha. Como sensação de inutilidade. Como raiva contida. Você começa a se perguntar o que há de errado com você, quando na verdade está reagindo a um ambiente que não oferece saída real.
A ausência de habilidades não é falha moral. É consequência de um percurso onde aprender nunca foi prioridade porque sobreviver sempre foi. Não se estuda com fome. Não se planeja com medo constante. Não se desenvolve com violência ao redor. Essas verdades são ignoradas por quem nunca precisou escolher entre comer hoje ou pensar no amanhã.
Depender de um sistema falido também corrói a dignidade. Você perde autonomia. Precisa provar o tempo todo que merece ajuda. É avaliado e avaliada por critérios frios que não captam sua realidade. Isso cria uma sensação profunda de impotência. E impotência prolongada vira desânimo crônico.
Ainda assim, você continua. Não porque é forte no sentido romantizado, mas porque não tem opção. A resistência aqui não é heroica. É básica. É levantar mais um dia e tentar resolver o imediato. Essa luta invisível raramente é reconhecida como esforço legítimo.
É importante dizer com clareza. A falta do essencial não define seu valor. Ela define a violência do contexto em que você está inserido ou inserida. Quando o sistema falha, ele empurra indivíduos para uma culpa que não lhes pertence.
Usar habilidades a favor é um privilégio relativo. Desenvolver habilidades exige tempo, acesso, orientação. Quem nunca teve isso não está atrasado por preguiça. Está limitado por realidade concreta. Reconhecer isso não paralisa. Pelo contrário. Retira o peso da autodepreciação e permite pensar em estratégias possíveis dentro do que existe.
Enquanto o sistema não muda, você faz o que pode. Às vezes é pouco. Às vezes é quase nada. Mas não é inexistente. Manter-se vivo e viva em um ambiente que falha constantemente já é uma forma de resistência que não aparece em discursos de sucesso.
O fracasso que bate à porta quando falta comida e roupa não é um teste de caráter. É um sinal de que algo maior está quebrado. E você não é o defeito dessa engrenagem.
Entender isso não resolve a escassez imediatamente. Mas muda a forma como você se vê dentro dela. Você deixa de se tratar como erro e passa a se ver como alguém atravessando uma realidade dura, injusta e exaustiva.
E essa mudança interna, embora não encha o prato nem o armário, impede que o sistema falido termine o trabalho mais cruel. Fazer você acreditar que não vale nada.
Você vale. Mesmo quando falta tudo. Mesmo quando depende. Mesmo quando o mundo falha. E sustentar essa verdade, em silêncio se for preciso, é uma das poucas coisas que esse sistema ainda não conseguiu tirar de você.
Cada palavra que dizemos, cada atitude que tomamos, cada pequena escolha aparentemente insignificante se transforma em uma semente. E toda semente, cedo ou tarde, produz frutos.
Então eu lhe pergunto: se o mundo de amanhã fosse construído apenas pelas escolhas que você faz hoje, você teria orgulho de viver nele?
“O amor pediu a palavra”
Conheci a Política numa praça onde as estátuas desciam dos pedestais para descansar os braços. Ela estava sentada junto ao chafariz, remendando uma bandeira com fios retirados do próprio cabelo. A cada ponto, uma janela se acendia na cidade; a cada descuido, alguém ficava no escuro.
Aproximei-me com a imprudência de quem ainda acredita que pode amar aquilo que não compreende.
Você está ferida eu disse.
Ela escondeu os dedos sob o tecido.
Há muito tempo confundem meu corpo com uma cadeira.
Sentei ao seu lado. Trazia nos bolsos algumas certezas, mas todas começaram a derreter. Escorreram pelas minhas pernas e formaram no chão um pequeno lago onde peixes cegos discutiam o futuro.
A Política tirou os sapatos. Tinha nos pés o barro de todas as ruas que os discursos nunca haviam visitado.
Eu quis beijá-la.
Ela me entregou uma chave.
Antes, preciso lhe mostrar onde moro.
Entramos numa casa que por fora parecia pequena. Por dentro, havia corredores suficientes para perder um século. Numa sala, crianças dividiam uma laranja tão fina que podíamos ver o inverno através dela. Noutra, uma professora escrevia no quadro com os ossos dos dedos. Mais adiante, um homem esperava atendimento havia tanto tempo que criara raízes sob a cadeira.
A Política parou diante dele e tentou soltá-las com as mãos.
Ajoelhei-me para ajudar.
Trabalhamos em silêncio. Quando conseguimos levantá-lo, já era noite dentro da casa.
Ainda quer me beijar? perguntou.
Eu olhei para suas unhas quebradas. Até então, pensara o amor como uma espécie de abrigo: duas pessoas fechando a porta enquanto a tempestade passava. Mas aquela mulher tinha uma casa cheia de gente, e a chuva entrava pelo teto.
Beijei sua testa. Depois procurei uma escada.
Durante a madrugada, subimos ao telhado. Lá de cima, vi que a cidade dormia de maneira desigual: em certos bairros, os sonhos tinham varandas; em outros, precisavam dormir em pé.
Ela chorou, e suas lágrimas ficaram suspensas no ar. Dentro de cada uma havia um rosto que alguém reduzira a número.
Estendi a mão. Uma lágrima pousou na minha palma e disse seu nome.
Nunca mais consegui esquecê-lá.
Ao amanhecer, chegaram homens trazendo espelhos enormes. Queriam cobrir as janelas da casa.
Assim, todos verão grandeza anunciaram.
A Política recusou. Ofereceram-lhe joias, um vestido novo, uma cadeira que prometia durar para sempre. Um deles puxou meu braço e sussurrou que eu também poderia ter alguma coisa, desde que a convencesse a fechar os olhos.
Ela me observava.
Foi ali que nosso amor correu perigo: por um instante, imaginei como seria fácil viver num quarto sem ouvir os corredores.
Soltei o braço.
Juntos, levamos os espelhos para a praça e os viramos para o céu. Os homens foram embora, furiosos, enquanto as nuvens se examinavam com espanto.
A Política encostou a cabeça no meu ombro.
Você vai concordar comigo sempre?
Não.
Ela segurou minha mão com mais força.
Envelhecemos um pouco naquela manhã.
O suficiente para que a paixão perdesse a pressa e aprendesse a escutar.
Quando nos beijamos, o chafariz voltou a correr. As estátuas permaneceram entre as pessoas. E, na casa de corredores intermináveis, alguém abriu uma janela por dentro.
Descrição:
“O amor pediu a palavra”, o encontro amoroso com a Política representa a descoberta de que cuidar da vida coletiva exige sensibilidade, responsabilidade e disposição para agir. A Política ganha corpo de mulher para que possamos enxergar suas feridas e compreender quanto as decisões públicas atravessam a existência de pessoas reais.
Ao remendar uma bandeira com os próprios cabelos, ela tenta reconstruir aquilo que pertence a todos, oferecendo algo de si. As janelas que se acendem ou permanecem escuras mostram as consequências desse trabalho: uma decisão pode ampliar oportunidades, enquanto um descuido pode deixar alguém desamparado. Quando ela diz que confundem seu corpo com uma cadeira, denuncia a redução da política à disputa por cargos e à permanência no poder.
As certezas do narrador derretem quando ele se aproxima dessa realidade. Essa imagem representa a necessidade de rever convicções diante do sofrimento humano. Os peixes cegos que discutem o futuro sugerem o perigo de debater os destinos de uma sociedade sem enxergar as condições em que ela vive.
A casa de corredores intermináveis é o espaço da vida coletiva. A criança com uma porção insuficiente de alimento, a professora que se desgasta para ensinar e o homem que cria raízes esperando atendimento tornam visíveis a fome, a desvalorização da educação e o abandono de quem precisa de cuidados. O surrealismo dá forma física àquilo que a repetição pode tornar aparentemente comum: uma espera tão longa que parece prender uma pessoa ao chão.
É dentro dessa casa que o amor do narrador amadurece. Ele chega desejando um beijo e termina procurando uma escada para consertar o telhado. O sentimento ganha consequência prática: amar aquela mulher significa também se envolver com as vidas que ela abriga. O gesto de ajudar nasce do encontro com uma necessidade concreta.
A cidade onde alguns sonhos têm varandas e outros dormem em pé expressa a desigualdade até no direito ao descanso e à esperança. Já as lágrimas que carregam rostos devolvem identidade às pessoas tratadas apenas como números. Quando uma delas revela seu nome, o sofrimento se torna uma presença que o narrador já não consegue ignorar.
Os homens com espelhos oferecem uma grandeza feita de aparência. Ao cobrir as janelas, impediriam que a realidade fosse vista. As joias e a cadeira duradoura representam a sedução dos privilégios e do poder. O narrador também sente essa tentação: imagina o conforto de um quarto onde não precisaria ouvir os outros. Esse instante torna sua escolha mais humana, pois mostra que o compromisso precisa resistir inclusive à própria vontade de se acomodar.
Quando a Política pergunta se ele concordará sempre com ela, a resposta negativa revela um amor que preserva o pensamento e a liberdade.
A discordância pode fazer parte do cuidado: quem ama também questiona, aponta falhas e ajuda a corrigir caminhos.
No final, a janela aberta por dentro sugere uma transformação que começa na consciência e encontra passagem para a vida pública. A prosa apresenta o amor à política como compromisso com a dignidade das pessoas. O título reúne essa ideia: o amor pede a palavra porque também tem algo a dizer sobre a maneira como dividimos o mundo e sobre quem deixamos esperando à porta.
A sabedoria
A verdadeira sabedoria baseia-se na Palavra
E contrasta com a sabedoria terrena,
Que é movida por ambição e inveja.
A sabedoria divina se manifesta
Na mansidão, pureza e frutos que se deseja.
A aplicação prática da verdadeira sabedoria
Revela-se na conduta pacífica
E em obras feitas com humildade,
Longe do mero acúmulo intelectual.
Gastamos a maior parte do tempo sagrado
Em coisas tolas que não fazem sentido.
E somos advertidos a não levar a vida de forma insensata;
Contudo, resgatamos o nosso tempo perdido,
Que Deus nos concede diariamente de graça.
A sabedoria é uma verdade,
Que traz o conhecimento da realidade.
Mas somente Deus tem a totalidade
E a plenitude de tal propriedade.
A sabedoria é a prudência
Que busca equilíbrio e moderação,
Para que não haja excesso,
Dando sempre mostras de razão
Na escolha de relações de sucesso.
A sabedoria tem fundamento religioso:
O sábio é o homem piedoso por excelência
E tem suas atitudes amadurecidas
No temor devido a Deus por sua presença.
Deus concede a todos, generosamente,
A verdadeira sabedoria a quem clama.
E Ele a entrega liberalmente,
Para desfrutar segundo o Seu plano.
Deus é a soberania da sabedoria.
O homem é o limite
Em outra categoria;
Não há como comparar, e ele admite
Que não chega nem perto. Aleluia!
Raimundo Nonato Ferreira
Outubro/2026
TODO TIRANO TEM UMA PALAVRA BONITA PARA CHAMAR SUAS CORRENTES
“Chamam de liberdade o direito de escolher. Eu já vi o que os homens fazem quando podem escolher. Se preciso retirar deles uma parte da liberdade para impedir que destruam tudo outra vez, então que me odeiem. Prefiro carregar o ódio de um mundo vivo a receber o perdão de suas ruínas.”
— Malak-Asur, personagem
Fragmentos, The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc
A liberdade é uma conversa fiada, é palavra de efeito, sempre no meio de uma frase para impressionar os desatentos, no fundo estamos presos à incapacidade de ser outra coisa diferente do que somos, do que a história da gente tramou.
Houve um tempo em que me deixava seduzir pelas provocações, como se cada palavra fosse um convite irrecusável ao embate. Eu respondia às infantilidades com a mesma medida, acreditando que, ao retrucar, preservava minha dignidade. Mas, aos poucos, percebi que essa dança era estéril, um ritual de desgaste que apenas me afastava da serenidade que tanto almejo.
Foi nesse instante de lucidez que compreendi: crescer não é vencer o outro, mas vencer a si mesmo. É abdicar da necessidade de provar, é escolher o silêncio como forma de resistência, é perceber que a verdadeira maturidade se revela na recusa ao que não acrescenta. A provocação só tem poder quando lhe concedemos espaço; e eu decidi não mais ceder.
Esse gesto de afastamento não é desamor, tampouco desprezo. É, antes, um ato de amor-próprio. Reconhecer que certas presenças já não se ajustam ao tecido da minha vida é aceitar que o amadurecimento exige desapego. Não porque o outro seja menor, mas porque já não cabe no horizonte que escolhi trilhar.
Hoje, compreendo que a grandeza está em cultivar a paz interior, em erguer-se acima das disputas triviais, em investir energia apenas naquilo que floresce. Amadurecer é aprender a não se deixar arrastar pelo que é pequeno, é transformar o silêncio em fortaleza, é escolher relações que edificam em vez de corroer.
E assim, ao decidir crescer, percebi que não há mais espaço para o que me diminui. A vida pede profundidade, pede vínculos que inspirem, pede caminhos que conduzam à plenitude. Deixar para trás não é perda: é libertação. É abrir espaço para o que realmente importa, para o que me fortalece, para o que me faz ser inteiro.
“Por mais difícil que seja o caminho, a palavra de Deus é a âncora que mantém a nossa esperança firme."
—By Coelhinha
