Histórias Antigas
Você
Sempre penso em você
Sinto saudade
Adoro seu jeito de falar
Sua voz e suas gírias antigas
Você gosta de contar histórias
As conta bem, se expressa bem
Tem olhos expressivos
Eles mostram bem o que sente
Gosto quando você me olha e me toca
Seu olhar transborda sentimentos
Seu toque me aquece
Você e eu, nós
Somos calor, desejo, vontade
Saudade.
Daqui pra Frente
Me desprendo de amarras antigas em busca de uma vida um pouco mais feliz. Arrisco sem receio e tento não levar em conta os pensamentos dos outros.
Pautei meus passos sempre nas pegadas de outros e apartir de agora quero deixar as minhas próprias na areia...
Como não se apaixonar?
Então você junta pedacinhos por pedacinhos de todas as antigas desilusões, com armas de guerra, escudos e armaduras promete nunca mais sentir nada além da indiferença, como se fosse um cavaleiro atroz que não esperasse nada da vida, além da solidão. Você realmente acredita nisso? Que ira cumprir todas as promessas que faz a si mesma? Sinceramente, a verdade é que não importa o quanto você repita na frente do espelho que não vai se apaixonar, o quanto diga isso a suas amigas, quantos sorrisos negue, quantos corações tente partir (para empatar o jogo). Em um dia de chuva você vai acordar e ver o sol na sua janela, vai abrir um sorriso bobo e rir a toa. Em um dia vai desejar um dilúvio para ficar em casa chorando por nada. Quando perceber vai ter voltado a escutar aquelas musicas que não queria mais saber, vai cantarolar indo pro trabalho e dar Bom dia a todos os passantes desconhecidos. Você percebe? Não há como fugir, vai se olhar no espelho e ver que as velhas feridas cicatrizaram e que você se entregou mais uma vez, sem se quer notar, e isso vai te dar uma dor de cabeça terrível que vai passar logo quando a imagem da vez vier a sua cabeça. Então você me pergunta o que fazer, e eu lhe digo, não há o que fazer, a paixão é como um elixir espalhado ao vento, quando menos se espera você esta infectado e o que resta é esperar as novas dilacerações surgirem(porque mais certo que as paixões são as suas dilacerações). E que seja assim, por toda a vida, porque não imagino o que seria de nós mortais sem as nossas paixões, posto que são elas que alimentam o nosso ego, os nossos sonhos e desejos. Em fim apaixone-se, o que é uma dorzinha aqui, outra ali, visto o êxtase de uma paixão.
Não adianta você querer consertar o que fez de errado com atitudes melhores. As suas antigas atitudes vão ficar, mesmo você as mudando hoje.
Para preparar um bom terreno é preciso arrancar as plantas antigas pela raiz, para que não prejudiquem as novas sementes que vão ser semeadas. Assim é seu coração...
O cajueiro
O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas recordações de minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás de casa. Agora vem uma carta dizendo que ele caiu.
Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo. Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá-manga, da grande touceira de espadas-de-são-jorge (que nós chamávamos simplesmente “tala”) e da alta saboneteira que era nossa alegria e a cobiça de toda a meninada do bairro porque fornecia centenas de bolas pretas para o jogo de gude. Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas, lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes, “beijos”, violetas. Tudo sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado de casa e o imenso cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas protegendo a família. Cada menino que ia crescendo ia aprendendo o jeito de seu tronco, a cica de seu fruto, o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro lado e os morros além, sentir o leve balanceio na brisa da tarde.
No último verão ainda o vi; estava como sempre carregado de frutos amarelos, trêmulo de sanhaços. Chovera; mas assim mesmo fiz questão de que Carybé subisse o morro para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo de outras terras um parente muito querido.
A carta de minha irmã mais moça diz que ele caiu numa tarde de ventania, num fragor tremendo pela ribanceira; e caiu meio de lado, como se não quisesse quebrar o telhado de nossa velha casa. Diz que passou o dia abatida, pensando em nossa mãe, em nosso pai, em nossos irmãos que já morreram. Diz que seus filhos pequenos se assustaram; mas depois foram brincar nos galhos tombados.
Foi agora, em setembro. Estava carregado de flores.
VENDO
1. dores antigas
2. quase mortes
3. falsas epifanias
4. medo de escuro
5. medo do fim do amor
6. sorte no jogo
7. sustos
8. panturrilhas inchadas
9. ressacas
10. azias
11. unhas quebradas
12. cacos
Lembranças antigas são como cadáveres. Nunca são as mesmas depois de desenterradas.
(Vovó Hester)
“o que é o amor? talvez seja uma das perguntas mais antigas e ainda sem resposta definitiva. o amor não é algo que se possa medir, pesar ou definir com exatidão. ele é tão vasto quanto o céu e, ao mesmo tempo, cabe no mais íntimo dos silêncios.
o amor é escolha e instinto. é aquele impulso que faz o coração bater mais forte ao ouvir uma voz, mas também é a calma que sentimos ao olhar para alguém e saber que ali é o nosso lugar. não é sempre perfeito, e talvez resida aí a sua beleza: na imperfeição de quem ama e ainda assim se entrega, nas diferenças que se complementam, nos erros que ensinam a perdoar.
é contraditório. o amor pode ser leve como um sopro e pesado como um oceano. ele nos ensina a soltar e, ao mesmo tempo, a segurar firme. é sobre querer a felicidade do outro, mesmo que isso às vezes signifique abrir mão da nossa. e, no entanto, é nele que encontramos a mais profunda alegria, porque amar alguém é sentir que, por mais que o mundo seja grande e assustador, a presença daquela pessoa torna tudo menor, mais suportável.
o amor, muitas vezes, não vem com garantias. ele carrega o medo de não sermos bons o suficiente, de não sermos compreendidos, de sermos deixados para trás. e ainda assim, continuamos a amar, porque o amor é também um ato de coragem. é olhar para o outro e dizer: ‘eu te aceito como você é’, mesmo sabendo que ninguém é perfeito.
o amor é construir. não é só sobre o que sentimos, mas sobre o que escolhemos fazer com esse sentimento. é cuidado, paciência, dedicação. é o esforço de olhar além de nós mesmos, de colocar o ‘nós’ acima do ‘eu’. e, ao mesmo tempo, o amor também nos devolve a nós mesmos, nos revela quem somos quando somos verdadeiros.
o amor é poesia que não se explica, mas que todos entendem ao sentir. é a soma de tudo o que nos torna humanos e a essência do que nos torna divinos. no fim das contas, talvez o amor seja isso: uma força que nos conecta ao que é mais puro, mais belo e mais verdadeiro em nós e nos outros. uma dança eterna entre o caos e a harmonia. o amor, talvez, seja simplesmente tudo.”
A vida se repete em cansativas lembranças, lembranças que de tão antigas, ja se apresentão em preto e branco. Morenos cada dia um pouco. Eu hoje so quero esquecer, esquecer o motivo da minha ilusão, Quero esquecer o que eu queria, quero apenas encontrar resposta para minhas eternas interrogações . Daqui a pouco talvez eu esqueça, talvez algum dia eu esqueça, Quem sabe uma amnésia aconteça. A lua, me expreita pela janela e me fala baixinho . Deite a cabeça em seu travesseiro, não leve para seus sonhos duvidas. Pois amar ainda é o melhor da vida . Boa noite.
Sou um professor das "antigas". Acredito que o carinho, o afeto, o respeito, o sentido do que se ensina, a importância do que se aprende, são e serão sempre mais importantes do que qualquer tecnologia. Respeito quem pensa diferente. Mas, eu não quero me curar dessa certeza, caso esteja errado.
Que as incertezas saibam me ensinar o que os caminhos ainda não disseram.
Que as dores antigas encontrem abrigo no tempo, e dele nasçam histórias bonitas.
Que a fé, essa força mansa que mora em mim, me lembre todos os dias que o impossível também floresce.
E que o desejo de ser feliz continue me chamando pra vida, com doçura, coragem e recomeços.
— Edna de Andrade
CLASSIFICADO LUNÁTICO
vendo
estrelas antigas
em perfeito estado de
constelação
autor: Quito Barreiros
(Cada Poesia Importa)
