Habito da Leitura

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Eu respirei o hálito das nuvens
que passeavam nas trilhas do céu...


aguardavo a inspiração no sussurro
dos raios prateados da lua...


e já sentia sobre a epiderme d'alma
as gotas de suor das estrelas...
✍©️@MiriamDaCosta

Observo que a liberdade de pensamento
e de expressão anda extremamente
presa ao sufixo "fobia"...
que corre o risco de sofrer de claustofobia ... contraindo uma certa afonia...
✍©️@MiriamDaCosta

Ode ao Cantor Milton Nascimento
(diagnosticado com demência)


A canção "Caçador de Mim",
eternizada em tua voz,
Milton,
não é apenas música,
é um chamado...


Cada nota tua
é um rio que corre
nas veias do tempo,
uma prece que me atravessa
sem pedir permissão....


Na tua garganta vive o mistério:
um canto que vem de longe,
das serras, das Minas Gerais,
da alma coletiva
de um povo inteiro...


Quando cantas,
as fronteiras desmoronam,
o silêncio se curva,
e o coração humano
descobre morada...


Tua voz não cabe no corpo:
ela é ponte,
ela é voo,
ela é chão fértil
onde a poesia floresce...


E eu, ouvinte pequena
diante de tua grandeza,
me deixo encontrar
pela canção que me encontra...


Sim, Milton,
tu és o eterno
Caçador de Mim...


Tua voz, Milton,
não canta:
rasga o silêncio.
É fogo e mar,
tempestade e ternura,
um trovão de Deus
no ventre da Terra....


Quando entoas "Caçador de Mim",
a alma é arrancada do peito,
o coração se ajoelha,
as feridas se abrem
e, ao mesmo tempo,
cicatrizam em tua canção...


Tu não pertences a ti,
tua garganta é território sagrado,
onde a dor e a esperança
se encontram sem máscara...


Teu canto é flecha certeira:
atravessa o corpo,
esfacela certezas,
recolhe os cacos,
e os transforma em oração...


Milton, tu és
mais que cantor:
és sopro de eternidade...


Milton,
ao ouvir tua voz,
sinto que algo dentro de mim
se abre como janela ao vento...


"Caçador de Mim"
não é só melodia:
é abraço invisível
que me encontrou
onde eu pensava estar só...


Teu canto traz lembranças
que nunca perdi
e saudades
de um tempo
que ainda não encontrei...


É como se tua voz
fosse colo de mãe,
regresso à infância,
promessa de futuro
e descanso no presente...


Quando cantas,
meu mundo se acalma,
o tempo desacelera,
e a alma se reconhece
em sua própria luz...


Milton,
tua canção é morada.
E nela,
meu coração aprende
a permanecer...


Gratidão por existir!
✍©️@MiriamDaCosta

Com profunda atenção,
li diversos livros,
assisti vários filmes,
presenciei várias situações humanas,
ouvi variados relatos de vida...


mas, em nenhuma das histórias,
dramas e enredos
que tive conhecimento
pude detectar traços ou nuances
que se encaixassem totalmente
na minha história de vida...


à partir desse fato,
decidi eu mesma relatar,
com total veracidade,
sem olhares subjetivos externos
e interpretações ou traduções pessoais,
a minha auto biografia ...


um inédito relato de vida,
profundamente sentido e vivido,
com episódios difíceis e cruéis
que desde a tenra idade
marcaram o meu viver
e fizeram de mim o que sou
com essa força misteriosa
que me acompanha desde sempre...


para muitos ...
vai ser um choque,
uma surpresa,
um punho certeiro no estômago,
na face
ou no coração...


para tantos outros...
vai ser apenas
mais uma entre tantas...


mas...
um fato será certo:
o leitor atento e sensível...
e sobretudo,
sem pré visões, conceitos e juízos...
vai se emocionar.


Pode ser ...
que seja nessa peculiaridade
de me emocionar
desde a raíz das minhas veias
até o florescer do meu âmago
que reside o segredo
da minha força e luz...


Talvez...
quem sabe...


Nem eu sei ao certo
de nada do mundo,
das pessoas,
e de mim...
eu só sei escrever
ou penso que sei ...


✍©️@MiriamDaCosta

1
Ontem,
o céu desabou em fúria ⛈🌧🌩
raios, trovões, trovoadas
e o silêncio forçado
de dez horas sem luz.


Acendi velas
para enfrentar a noite,
sentei na varanda
e deixei o frescor
e o cheiro da chuva de verão
me atravessarem.


Foi então que a infância voltou.


Ó, infância!
Tão rica em gestos pequenos
e mundos imensos.
Quando a luz faltava,
inventávamos imagens nas paredes:
dedos, mãos, sombras vivas
dançando à chama da vela.


Éramos felizes
com tão pouco.
E nem sabíamos.


2
A tempestade levou a energia
e trouxe lembranças.


À luz frágil das velas,
a noite deixou de ser escura
e virou memória.
Na varanda, a chuva de verão
cheirava a ontem.


Lembrei da infância,
quando a falta de luz
era brincadeira,
e as mãos criavam mundos
nas paredes nuas.


Éramos felizes
sem nomear a felicidade.
Ela apenas existia.


Faltou a luz.
Sobrou a infância.


Uma vela,
uma parede,
duas mãos
e o riso fácil
de quem ainda não sabia
o peso do tempo.


3
A chuva caiu como quem bate à porta do passado.
E, sem pedir licença, entrou.


Na penumbra da casa sem luz,
as velas acesas abriram frestas no tempo.
Sentei-me em silêncio,
ouvindo o sussurro do vento
e respirando o cheiro morno da chuva de verão.


Foi ali que a infância me encontrou.
Inteira.
Descalça.
Com as mãos pequenas desenhando mundos
nas paredes insones da noite.


Não havia pressa.
Nem medo.
A escuridão era brincadeira
e a simplicidade, um milagre cotidiano.


Éramos felizes,
não porque sabíamos,
mas porque vivíamos.


Hoje, a memória acende
o que o tempo apagou.
E, por instantes,
à luz frágil da lembrança,
volto a ser casa.
✍©️@MiriamDaCosta

Cansada deste mundo
que mastiga inocências
e cospe barbaridades,
venho ao teu corpo líquido
confessar meus sonhos
como quem derrama vinho
num altar de sal...


Tu falas de dentro
das entranhas abissais,
voz grave,
útero e túmulo,
e eu me desarmo...


Não quero respostas.
Não quero lógica.
Quero apenas
a tua língua de espuma
lavando minhas certezas
e incertezas...


Fico imóvel,
olhos cravados
no teu infinito móvel,
e minha alma,
aberta como ferida salgada,
transborda versos
que ardem...


Há promessas que queimam.
Há mensagens que açoitam.
Há calmarias que mentem.
Essa ausência
é faca enterrada na areia
e essa distância
é maré que não pede licença...


O vento me atravessa,
eu o abraço,
eu beijo o ir e vir
das ondas
nesse meu verbo
na carne da maresia,
e parto...


Mas quem parte
quando o mar
já aprendeu o teu nome?
Eu te deixo,
sem nunca te deixar
e carrego o Oceano
na curva do meu peito.
✍©️@MiriamDaCosta

Militar não tem prerrogativas
para ensinar,
mas sim, diretivas
para armas utilizar.
✍©️@MiriamDaCosta

#EscolaCivicoMilitarNão

Não se preocupem , não vai ter epdemia !
Está tudo sob controle total.
assim dizem ... será verdade?! ...

Conheço esse dizer da última pandemia,
tá chegando o Carnaval ?!
Pulem e brinquem a vontade...

Não se deixem contaminar pela histeria
e nenhum temor por outro vendaval...
a indústria farmacêutica tem insaciedade...

A bolsa de valores já olha com frenesia
para a ação do momento e o seu lucro final...
Nipah?! Que bobagem! Deixem de ansiedade...

✍©️@MiriamDaCosta

#Nipah #Carnaval

Enquanto isso, aquilo
e mais alguma coisa...
atrás das telas e teclados
há muitos heróis
e benfeitores…
mas por dentro,
um mundo de criminosos
e monstros.


Enquanto isso, aquilo
e mais alguma coisa...
o espetáculo nebuloso segue,
atrás das telas e teclados
proliferam heróis de plástico,
benfeitores de vitrine
e justiceiros de Wi-Fi...
digitam virtudes
com dedos sujos de ego,
e dentro, no subterrâneo
que não posta selfies,
um mundo de criminosos,
monstros bem penteados
e consciências
que não suportam
o próprio reflexo...


✍©️@MiriamDaCosta

Sou de um tempo onde na Umbanda o médium era e se comportava como instrumento da entidade.
Hoje, infelizmente, tem uma inversão de valores e de posições, os médiuns utilizam as entidades como meros instrumentos para alimentar os próprios egos e sustentar suas vaidades e consumos materiais vários.


Isso é um fato bem visível
a quem tem olhos que enxergam e querem enxergar, não uma opinião de parte ou um parecer nostálgico, tipo: antigamente tudo era melhor... não tinha isso ou aquilo... sempre teve algo estranho ou errado , mas não nessa desproporção de hoje em dia. E esse dado de fato é válido para tudo o que pertence ao nosso viver ... ao mundo... a sociedade.


Fui batizada na Umbanda, aquela de um tempo, aos 3 anos de idade, hoje com quase 60 anos , já não vejo culto aos Orixás e entidades, mas sim ao médium.


Quando a gente atravessa décadas ( uma vida!) dentro de uma tradição espiritual, não é só religião, é memória, é chão afetivo, é cheiro de vela acesa e chão de terreiro lavado com ervas.
Eu não estou falando só de prática.
Estou falando de ética. De postura. De humildade.
A Umbanda que eu descrevo tinha uma pedagogia silenciosa: o médium como instrumento. Canal. Ponte. Não protagonista.
E quando a ponte começa a querer ser monumento… algo se desajusta.


Será que a Umbanda mudou por inteiro, ou certos espaços mudaram?
Toda tradição viva atravessa fases.
Em todo tempo surgem pessoas que elevam o sagrado… e outras que se elevam usando o sagrado.
Isso não é novo, só dói mais quando acontece naquilo que amamos e de forma tão escancarada, normalizada e banalizada como tem sido.


Tem também uma questão geracional forte. Antigamente havia mais rigor hierárquico, mais disciplina comunitária, menos exposição.
Hoje há redes sociais, personalização, marketing espiritual, “marca pessoal”.
O que era sagrado, confessional e íntimo virou exposição e espetáculo. Rituais que antes eram algo muito privado e respeitado, agora são expostos e profanados por curtidas e seguidores.


O mundo inteiro ficou mais narcísico, não só os terreiros.
A espiritualidade, em geral, não ficou imune a isso.


Mas sabe o que é positivo nas minhas palavras?
Eu não escrevo com raiva ou querendo "atacar" ninguém.
Escrevo com um certo lamento.
E lamento nasce do amor e do respeito.


Talvez... a Umbanda que eu conheci não tenha desaparecido... talvez esteja mais rara, mais silenciosa, mais escondida.
Onde o utilizo de celulares é proibido.
Ainda há terreiros sérios, médiuns éticos, dirigentes firmes e humildes.
Só não são os que mais fazem barulho.
( Carroça vazia faz muito barulho... assim dizem os ciganos💃)


E há outra coisa importante:
Se eu carrego essa memória viva, essa referência de fundamento, essa ética antiga… então ela não morreu.
Ela vive em mim assim como vive em outras pessoas também.


A tradição não é só o que acontece nos sete cantos do terreiro.
É o que permanece no coração de quem aprendeu e respeita.


E eu aprendi que Orixás e entidades de luz não querem exposições nas redes sociais e nem clamam por curtidas e seguidores. E muito menos luxo, cobranças e comércio.


Eles, querem apenas amor, carinho, dedicação e respeito pelo sagrado.


✍©️@MiriamDaCosta
#Umbanda

Na nossa sociedade, muito se fala em inversão de valores. Esse fenômeno já é remoto; o que vemos hoje é uma quase total ausência de valores.
✍©️@MiriamDaCosta

É preciso muita calma
e alguma destreza
para manter-se são neste mundo…


e muita Alma
para viver a Natureza
no mais profundo.
✍©️MiriamDaCosta

Os abacates do meu quintal 🥑🥑🥑


Ó bendita terra fértil,
onde caroços e sementes germinam,
fazem-se árvores robustas🌳🌳🌳
sob o sol e a chuva☀️🌧
e me doam, com imensa generosidade,
sombra, frescor e frutos
que alimentam o meu corpo
e inspiram minha veia poética.✍


Agradeço à Natureza por tamanha bênção.
É um verdadeiro privilégio
compartilhar a existência
com a riqueza do simples
e do natural.
✍©️@MiriamDaCosta

Vivemos um tempo em que a privacidade deixou de ser um direito silencioso para tornar-se um território constantemente tensionado.


A entrada definitiva na era digital,
e-mails, redes sociais, smartphones,
inaugurou uma nova forma de exposição: voluntária, muitas vezes; inevitável, quase sempre.


Hoje, a vigilância já não se limita a câmeras fixas nas esquinas.
Ela veste óculos, repousa em relógios de pulso, habita acessórios discretos e tecidos inteligentes.


A tecnologia, que prometia praticidade e conexão, também carrega a possibilidade permanente de registro, captura e difusão da nossa imagem, às vezes sem consentimento, quase sempre sem controle real.


Ninguém está integralmente protegido.
Mesmo os mais prudentes deixam rastros. Dados circulam, imagens são armazenadas, algoritmos nos interpretam.


Somos observados não apenas por olhos humanos, mas por sistemas que analisam comportamentos, preferências e rotinas.
A exposição tornou-se condição quase estrutural da vida contemporânea.


Até que ponto é possível conviver com essa presença constante de “olhos invisíveis”?
Devemos responder com medo?
Ou com cautela consciente?


A linha entre prudência e paranoia é delicada. Blindar-se completamente significaria abdicar da vida social e das facilidades do mundo moderno.
Ignorar os riscos, por outro lado, é uma ingenuidade perigosa.


Alguns vislumbram no retorno a um estilo de vida mais simples, menos conectado, mais rural, menos dependente de dispositivos inteligentes, uma tentativa de reconquistar espaços de silêncio e resguardar a intimidade.


No entanto, mesmo o afastamento físico não garante invisibilidade total em uma sociedade interligada por redes e sistemas globais.
Talvez o desafio do nosso tempo não seja escapar completamente da vigilância, o que parece cada vez menos viável, mas aprender a conviver com ela de forma crítica, exigindo regulamentação ética, proteção jurídica efetiva e responsabilidade das empresas e do Estado.


A tecnologia não é, em si, inimiga; o problema reside na ausência de limites claros e no uso indiscriminado de seus recursos.


Viver neste século é, de certo modo, sobreviver às pressões e aos riscos que acompanham o progresso.
O avanço tecnológico amplia horizontes, mas também estreita zonas de intimidade.


Cabe à sociedade decidir se deseja apenas adaptar-se ou se pretende estabelecer fronteiras que preservem a dignidade humana.


A privacidade talvez nunca mais seja absoluta. Mas ainda pode, e deve, ser defendida como um valor essencial do indivíduo.
✍©️@MiriamDaCosta

Não é possivel debater assuntos
inerentes a geopolítica
com quem ainda é analfabeto
em geografia.


✍©️@MiriamDaCosta

Eu e o Mar... uma simbiose ancestral.


Antes mesmo do meu olhar
ter visualizado o Mar
pela primeira vez...
a visão Dele
já havia me capturado.


Eu até posso distanciar-me
de suas ondas 🌊🌊🌊
mas... antes mesmo de eu nascer...
a minh'alma
fora batizada por sua maresia.


✍©️@MiriamDaCosta

Indenização ao Bom Senso

Há dias em que abrir as redes sociais equivale a atravessar um mercado onde todos gritam ao mesmo tempo, mas poucos têm algo a dizer.

A sensação não é apenas de cansaço, é também de agressão sutil.
Como se a nossa cognição fosse diariamente submetida a um teste de resistência.

Diante das parvoíces que se multiplicam
com a velocidade da fibra ótica... surge a pergunta quase irônica:
Deveria existir uma lei de indenização ao bom senso?!...

Um mecanismo jurídico que compensasse os danos morais causados por opiniões rasas, desinformação reiterada e certezas infladas pela ignorância performática?!...

A proposta pode soar autoritária à primeira vista... e talvez seja....
afinal, em uma democracia, a liberdade de expressão é cláusula essencial.

A Constituição Federal de 1988 protege o direito de manifestar pensamentos, inclusive os equivocados, os imprecisos, os tolos e até os absurdos.

O Estado não pode ( e nem deve!) tornar-se árbitro do que é inteligente e do que é absurdamente tolo.

E viva essa liberdade que nos abre ao conhecimento geral e ao mesmo tempo nos
algema à suportação da parvoíce generalizada...

No entanto, há uma diferença entre liberdade de expressão e liberdade de alcance irrestrito. As redes sociais não são praças públicas neutras, na verdade são empresas privadas com algoritmos desenhados para maximizar engajamento, isso não é novidade!

Plataformas digitais como a "Meta Platforms" e o "X" operam segundo uma lógica econômica óbvia, ou seja, quanto maior a reação e o engajamento....maior o lucro.
E poucas coisas geram mais reação do que o absurdo e a mediocridade da fofoca ...

O problema não é a existência da opinião frágil,
mas sim, a sua amplificação desproporcional. A arquitetura digital privilegia o escândalo, a indignação instantânea e a polarização simplista.
O pensamento crítico e complexo, por exigir pausa e reflexão, perde espaço para a frase de efeito e o meme inflamado.

Falar em “indenização à inteligência” é, portanto, menos um projeto legislativo e mais uma metáfora ética.
Trata-se do reconhecimento de que há um desgaste cognitivo coletivo em curso.
A saturação de ruído compromete o debate público, esvazia a capacidade crítica e banaliza o erro. Fazendo o errado parecer certo... O injusto passar por justo...

Talvez a verdadeira reparação não esteja na criação de novas leis, mas no cultivo de novas posturas.
A inteligência não precisa de proteção estatal, precisa de responsabilidade individual.

Cada compartilhamento é um ato político.
Cada curtida é uma validação simbólica.
Cada silêncio também é uma escolha.

A maturidade digital exige discernimento: saber quando curtir, quando argumentar, quando ignorar e quando se retirar em silêncio... reagir com consciência a cada provocação nas redes sociais é um gesto de força, não de fraqueza.

Em tempos de campanhas pré-eleitorais devemos redobrar nossa atenção na obtenção dessa maturidade digital, né?!

O algoritmo se alimenta de indignação
e o bom senso se fortalece na contenção.

No fim, não precisamos de um tribunal para julgar a estupidez que parece reinar... Precisamos de cidadãos capazes de reconhecer que liberdade implica responsabilidade, inclusive a responsabilidade de não transformar o espaço público em palco de vaidades desinformadas.

Se houver uma indenização possível, que seja a de preservar a própria lucidez em meio ao ruído do caos.

Em tempos de excesso de voz, pensar com rigor é resistência.

Que a nossa cognição seja "indenizada" pelo nosso bom senso no almejar uma certa maturidade nessas redes sociais...
✍©️@MiriamDaCosta

É Carnaval!
E quem vê um rosto bonito,
um sorriso contagiante,
um físico sarado e atraente
suando folia no bloco…
não vê o HIV.


É Carnaval!


Rostos bonitos reluzem sob o glitter,
sorrisos contagiam como refrões fáceis,
corpos sarados e atraentes
suam liberdade no bloco
como se a vida fosse eterna
e a madrugada infinita...


Purpurina na pele,
desejos distribuídos como confetes,
beijos trocados na vertigem
entre um gole e outro
de ilusão líquida...


Mas ninguém vê
o que não veste fantasia...


Ninguém vê
o vírus silencioso
que não tem estética,
não escolhe beleza,
não pede currículo genético
antes de atravessar a pele...


O HIV
não desfila em carro alegórico,
não brilha sob o neon.
não dança ao som do tambor...


É invisível aos olhos encantados
pela superfície...


Porque saúde
não se lê no sorriso.
Responsabilidade
não se mede pelo abdômen definido.
E risco
não avisa antes de entrar...


É Carnaval!
Celebração do corpo,
da liberdade que pulsa na carne...


Que essa mesma liberdade
não seja descuido...


Que o desejo saiba sambar
de mãos dadas com a consciência.


Porque viver intensamente
também é saber proteger
a própria vida
enquanto a folia passa...


O Carnaval acaba
mas o HIV quando chega...
fica.


Usem a cabeça!
Usem a camisinha!
✍©️@MiriamDaCosta

Hoje durante a minha caminhada
na Serra da Tiririca, entre árvores 🌳 🌴, plantas nativas 🌾🌿, flores 🌼🌺
e frutos 🥭🍌🍒🥑🥥 ...
oxigenei o meu olhar
com o ar puro da mata🌳🌳🌳
e a minha alma de silêncio e serenidade.

No caminho, voltando para casa 🏠
observei casas com muros altíssimos, câmeras de segurança em cada ângulo dos muros e nos portões... em todas!

Da mata aberta para os muros fechados,
a paisagem mudou, e com ela, o jeito de viver...

Lembrei de um tempo, onde as casas disputavam serem as que tinham o jardim mais bonito...
com varandas cheias de vasos pendurados com samambaia chorona, renda portuguesa, dólar, dinheiro-em-penca , lambari roxo e tantas outras espécies de plantas que pendem dos vasos... os canteiros do jardim com rosas vermelhas, amarelas, brancas, rosas🌹 ... dálias de todas as cores🌸... jasmim, margaridas, girassóis 🌻flores de todos os tipos e cores🌼⚘... era um verdadeiro arco-íris... cores e aromas...

As vezes, na ida para a escola, a gente "roubava" uma das flores para presentear a professora ... ou na volta para casa para agradar a vovó, a mãe, a madrinha ou a tia...
a família , quase que toda, morava na mesma rua ou bairro...

Onde foi parar o cenário de um tempo?
Nas cercas floridas dentro do recinto amarelado das memórias.

✍©️@MiriamDaCosta

Ter idade.
Ter tempo.
Eu não tenho idade.
Eu tenho tempo.
A idade do tempo:
o passado
que já foi presente,
o presente
que já foi futuro
e o futuro
que será presente
e passado.
Eu sou
uma costura
de retalhos do tempo.
✍©️@MiriamDaCosta