Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.
Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.
Há encontros que só acontecem
quando nos deixamos afundar,
como raízes que se procuram no subsolo até se reconhecerem,
e só então perceberem que
sempre foram a mesma árvore.
Há pessoas que irrompem na nossa vida como relâmpagos: rasgam o céu da alma e deixam na pele um clarão que não se apaga. Atravessam-nos por dentro e ficam a arder no lugar onde antes só havia silêncio.
Carrego-te como quem leva pedras e flores no mesmo fôlego.
No peso que me curva, há um rumor teu, uma memória que se acende entre as rochas, como se cada grão de pólen soubesse o teu aroma.
As flores presas à minha mochila interna respiram contigo, frágeis e obstinadas, lembrando que até o que pesa pode ser ternura.
Caminho, e o vento toca o que não ouso dizer, esse quase‑toque que vive entre o ombro e o mundo.
E no silêncio da marcha, o desejo é só isto:a beleza que insiste, mesmo quando dói, e o caminho que se torna pele quando penso em ti.
Há caminhos que só florescem porque, algures no tempo, alguém os atravessou carregando pedras que nunca foram suas.
“A liberdade é o ponto em que o Direito finalmente reconhece que há dimensões da existência humana que não lhe pertencem.”
Um novo ano já começou.
Ha apenas algumas horas
E assim os dias passarão
Um a um
Minuto a minuto
Dia após dia...
Novos dias, novas oportunidades.
São mais 365 dias
365 oportunidades para fazer melhor
Fazer diferente
Novas tentativas, propositos de mudanças
Que ao final desse tempo
Possamos contabilizar
Quantas estrelas
Fizemos brilhar
“Seja denso. Como um iceberg. Revele apenas o necessário; preserve, nas profundezas, o que há de mais valioso.” — Leonardo Azevedo.
Posfácio Filosófico
O ponto em que o ser basta
Há um instante em que o caminhar cessa,
não por desistência,
mas por compreensão.
O buscador compreende que o caminho não leva a lugar algum,
porque o caminho é ele mesmo.
A ascensão, tão almejada, não é um lugar acima —
é o desvelar de um estado interior onde nada mais é necessário.
O filósofo desperto não se ocupa em provar verdades,
nem em convencer consciências.
Ele sabe que a verdade não precisa de defensores,
apenas de presença.
Quando o ser alcança a quietude que outrora buscava no mundo,
tudo se aquieta em torno dele.
Não há mais pressa, nem promessa.
O tempo perde o domínio sobre o que é pleno.
E se, em algum momento, suas palavras tocarem outros corações,
que assim seja —
mas mesmo que não toquem,
a semente já cumpriu seu propósito,
pois floresceu dentro de quem a trazia.
O verdadeiro mestre é aquele que não ensina —
é aquele que é.
E a filosofia, enfim, revela-se não como um campo de estudo,
mas como o estado natural de um espírito que reconheceu sua própria origem.
Assim, o ser se basta.
E o silêncio se faz verbo.
