Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
"Não há 'caminho errado' para quem entende que cada passo é um dado coletado para o próximo ajuste."
O passado já não mais existe, o futuro, ainda há de vir, já o presente, o aproveite, pois, é o único momento em que vivenciará.
O dia termina na calma constante daquilo que não fizemos - há, no entanto, a esperança do amanhã...
Há dores que não pedem consolo, porque nenhum alívio superficial alcança aquilo que elas realmente querem dizer. Não nasceram para ser abafadas, mas para produzir consequência: ruptura, deslocamento, transformação. Certos sofrimentos surgem quando a vida já não suporta continuar na mesma forma. E, nesses casos, a dor deixa de ser apenas ferida — torna-se convocação silenciosa para que algo, enfim, mude.
Na política, não defendemos a decência, mas a canalhice que está à altura da nossa. Não há, nem nunca houve, ser humano íntegro.
Há um sussurro que só se escuta quando tudo parece perdido: não vem de fora, mas do porão mais antigo da consciência, onde repousa o fragmento que nunca se partiu. Ele diz que o caos é apenas o modo da alma lembrar ao ser que ainda há territórios inexplorados. E, ao atender esse chamado, descobre-se que nenhum desespero é definitivo, porque todo abismo, quando olhado com coragem, revela uma escada esculpida na própria escuridão.
Há dores que persistem não por falta de superação, mas por excesso de silêncio. O que não encontra palavra desce, infiltra-se, organiza-se em hábito e passa a governar o ser por dentro. Quando a consciência ousa escutar o que foi empurrado para o fundo, algo se desloca: a dor deixa de ser tirana e torna-se mensageira — severa, mas justa.
Há algo anterior ao nome, ao trauma e à memória — o PRIMEVO — onde a alma não se explica, apenas pulsa. É desse território que brotam as neuroses, não como falhas, mas como mensagens mal traduzidas do fundo arcaico que insiste em existir. Quando a consciência tenta domesticar o PRIMEVO, nasce o sintoma; quando aprende a escutá-lo, nasce o sentido. Toda cura começa no instante em que o ser aceita que não é senhor da própria origem, apenas intérprete tardio de um chamado antigo.
Há lugares que não se atravessam com os pés, mas com as fissuras da alma. A praia, quando aceita como rito, não lava o corpo: dessalga a dor, toca as feridas sem pergunta e devolve ao ser aquilo que o mundo tomou — a leveza silenciosa de existir sem grades.
Há escolhas que parecem pequenas, mas decidem destinos inteiros. Não pelo que produzem fora, e sim pelo que autorizam dentro. Cada vez que a consciência se trai para evitar desconforto, algo se estreita; cada vez que sustenta a verdade apesar do custo, algo se expande. Viver, no fundo, é negociar diariamente com aquilo que não aceita ser corrompido.
Há pessoas que querem respostas prontas para perguntas que exigem transformação. O mundo não se explica a quem não aceita mudar de lugar interior. Por isso, certas verdades só aparecem quando a antiga versão do ser já não serve mais.
Há pensamentos que não emergem da clareza conquistada, mas do colapso das defesas. O ego, enquanto sustenta suas versões de si e do mundo, mantém a ilusão de controle; quando o esforço se torna insustentável, algo cede — e é nessa fratura que certas verdades surgem não como insight buscado, mas como residual do que não pôde mais ser evitado. A clínica reconhece essa fenomenologia: a iluminação que chega no limite do esgotamento, não como prêmio da resistência, mas como o que sobra quando ela finalmente falha. É uma forma de lucidez que não se conquista — se recebe, quando o psiquismo já não tem fôlego para fingir.
Há verdades que o processo analítico desvela e que não produzem alívio — produzem exposição. Retiram os mecanismos de defesa que sustentavam uma ilusão funcional, e deixam o sujeito diante de si sem as metáforas protetoras que tornavam possível a existência cotidiana. O que a clínica precisa aprender — e que o paciente aprende a custo — é que nem toda lucidez é terapêutica no sentido de reconfortante; algumas formas de verdade apenas exigem a coragem de continuar sem os disfarces que antes eram necessários para permanecer. O que foi desnudado não se veste novamente: só pode ser integrado ou negado, e a negação, nesse ponto, já não é gratuita.
Há estados de suspensão que o ego não governa — intervalos em que o aparato psíquico parece recuar de si mesmo, desacelerar sua produção sintomática, poupar energia de defesa. A clínica os reconhece não como patologia, mas como autorregulação: o psiquismo que cessa antes de romper, que retrai antes de dissociar, que descansa para não entrar em colapso. É o organismo fazendo o trabalho que o ruído da vida cotidiana impediu. Quando a engrenagem retorna, volta com mais fluência — não porque foi reparada de fora, mas porque o silêncio fez o que nenhuma intervenção externa conseguiria substituir.
Ainda há muita coisa para viver
mas isso não quer dizer que posso esperar tanto tempo assim
pois já perdi tempo demais
deixei escapar tantos sonhos e desejos
mas agora eu preciso correr contra o tempo
para conquistar o que eu realmente quero
um pouco mais madura, com cicatrizes que nunca irão desaparecer
mas muito mais focada no presente, no momento
pois no fundo, é que o importa
a vida é agora
quanta coisa já perdi
e sei que nunca mais vou recuperar
pois o tempo não volta
é bom saber que tenho uma segunda chance.
“A beleza não está no padrão que se vê, mas na energia que se sente. Há rostos que encantam, mas almas que apagam; e há essências que brilham, mesmo sem se encaixar no ideal de beleza.”
