Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Não existe a perfeição sobre as coisas. Há sempre algo que se analisarmos bem, fica a desejar. As pessoas cada vez mais críticas, e assim, automaticamente as coisas ficam menos importantes quanto ao seu verdadeiro valor. Como um bom exemplo cito o Sol. Ele é a maior esfera brilhosa de todo Universo. Tem um brilho tão intenso que jamais há outro igual. Mas, mesmo com essa capacidade, por mais brilhoso que seja e por maior que seja, ele sempre deixa a metade do nosso planeta (Terra) no escuro.
Valorizo tanto o abstrato indizível que não há como dizer algo sem me trair nesse ato frustrado por fundamento.
A terra está cheia de pessoas querendo... Buscando... Quase não há lugar para todos
Mas quando se voa, percebemos que há espaço até mesmo para brincar.
Mulher e Seda
Há algo em cada mulher que se tateia como se tocássemos seda.
Não me refiro ao que há de frívolo ou comum na expressão "como seda",
mas a algo mais radical que se tateia porque não se sabe e fascina;
que é seda porque especiaria, porque de procedência outra e mistério.
Há algo em cada mulher; ou melhor, na atmosfera que envolve cada mulher,
que transforma as coisas e as faz mais interessantes.
Em torno de cada mulher há um silêncio;
levíssima ausência que sentimos na espinha.
A atmosfera em torno de cada mulher recolhe todas as palavras e,
algumas vezes, nos leva também o ar.
Diante de certas mulheres, há paisagens inteiras.
Há mulheres líquidas que olham como se derramassem o oceano sobre nós e,
outras, diante das quais pressentimos intimidade sombria
com rumor de águas fundas.
Há mulheres de doçura múltipla e de uma urgência que alimenta
e outras que, quando se as vê, prenuncia-se tormenta.
Há mulheres febris e mulheres simétricas.
As que emergiram de uma tela e as que saíram de uma fruta.
Há ,mulheres que flutuam, que deslocam-se como um conceito.
Algumas ventam e tanto que nos sopram num canto;
outras são de lua e nos beijam na rua.
E há aquelas que perdemos; as que não veremos nunca mais.
Mulheres que nos invadem ainda;
às vezes, como punhais.
Há algo em cada mulher que se tateia como se tocássemos seda.
No sentido também de como deve ser sensível o nosso toque.
Que ele não fira. Que não tergiverse e não desvie.
Que seja simples e inteiro sempre.
Que, sobretudo, nosso toque seja tão somente um jeito
de realçar o que faz da seda feminina.
O que nos encanta, além da palavra, o que desconcerta,
neste ser que ilumina.
Não fexe os olhos para o mundo, pois há alguem que espera pelo brilho do teu olhar...
Não chore, pois há alguem que é apaixonada por teu sorriso...
Não desista dos seus sonhos, pois há alguem que está torcendo por você...
Pode haver várias apaixonadas por você...Mas só uma delas quer olhar profundamente em teus olhos e dizer: Ei tenho várias razões para viver... e uma delas é VocÊ!
Há silêncios que falam; e há silêncios que gritam. Não se calem essas vozes; não se abafem esses gritos. E que os ouça quem for capaz...
Tudo permanecera igual, nada se modificara. Não era isso o esperado, não era o mais desejado.
Há palavras e mais palavras que podem ser explicitas no silêncio, existem aglomerados delas, porém, só as uso eu, repetidamente.
O tudo e o nada tornam-se aborrecidos, exaustivos, fazendo com que mais nada valha a pena, fazendo com que não haja razoes para agir.
Algo preciso é algo desejado, no entanto, nada disto é realizado. Nada sinto. Frustração.
O certo é que, por mais esperto que seja o cara, não há como esconder por muito tempo o que o coração reflete nos olhos.
"Há tempo para recomeçar, mesmo quando não se acredita em mais nada; às vezes é melhor recuar do que seguir a adiante percorrendo o caminho errado; para perceber que a vida é uma obra inacabada e que por isso é melhor viver da forma que se pode, mesmo que não vá muito longe, do que deixar as preocupações consumirem os seus nervos."
Não há mesmo algo que possa ser mais precioso que o tempo. E para quem pense em outros clichês como “amor”, “felicidade” e “saúde”, é preciso dizer que o tempo é naturalmente presente e fundamental para estes. Isso porque o amor, por exemplo, desvanece se não houver o tempo para cuidá-lo, entendê-lo, permiti-lo ou mesmo o sentir.
É o tempo que permite a felicidade simples – a única real e possível – das coisas comuns do dia: aproveitar o frio de uma manhã de inverno, andar pelas ruas da cidade, ver as luzes distantes das casas ainda mais distantes desenharem estranhos e belos mosaicos nas paredes da noite. Viver é simples, mas é preciso tempo para fazê-lo.
A correria dos dias, o absurdo a que o trabalho nos obriga, os afazeres diários, os compromissos, as cobranças, as filas de banco, a espera ao telefone dos centros de atendimento, o trânsito, os celulares tilintando a todo o momento... tudo isso nos distancia do tempo, nos leva para fora dele: e os relógios não nos libertam, mas nos escravizam. Não conheço ninguém que não esteja, no mínimo, cinco minutos atrasado para alguma coisa. Às vezes, para nada. Mas sempre atrasado.
Parecemos ter esquecido as pequenas e edificantes tarefas em desobrigação: remexer os velhos livros e discos, lembrar do que significam alguns deles, recordar os amigos a quem não vemos há muito; ir à feira e escolher os legumes com delicadeza, pensando nas possibilidades que nos permitem, cozinhá-los em fogo brando, com o azeite do tempo, e comê-los sentado à mesa, como se nada mais importasse; rolar na cama preguiçosamente e traçar novos acordos com o dia – para depois descumpri-los, sem culpa; rever fotos antigas, relembrar e esquecer nomes; desfrutar da companhia singela da bela esposa ou do marido tranquilo, divertir-se com as novidades dos filhos miúdos a fazerem graça; assistir a um filme italiano despretensioso e sem bruscos movimentos de câmera; pensar.
É o tempo, sua presença, que nos permite exercícios simples como esses. E são, não tenho dúvidas, exercícios de felicidade. A praticidade em que nos metemos, a velocidade, as multitarefas põem nos dias um amargor que não lhes é natural. Por isso, hoje, na contramão do mundo, o tempo é meu e serei, sem necessidade de decretos, plenamente feliz.
Há sentimentos que são tão belos que nao podemos explicá-los, apenas senti-los. E é um desses sentimentos que me faz orar à Deus e dizer: "Obrigado por ela existir".
Ausência
Na sala vazia
Somente o branco
Não há portas,
Não há janelas.
Nada entra,
Nada sai.
Ali somente os sonhos...
Tudo é branco e só.
Não há portas.
Não há janelas.
Na sala vazia,
Somente ruínas...
Tudo é branco e pó.
Nada entra.
Nada sai.
Na sala vazia,
Somente o branco...
Tudo é dor
e pranto.
Na sala vazia,
Somente a esperança
de um dia, ver no branco,
a alma de todas as cores.
Não quero guerra nem paz
nem saber se há céu, mar,
terra, flores, ar
passarinhos, outros bichinhos.
Não vou lembrar de safados
de honestos, dos modestos,
dos cometas dos planetas
dos continentes
de idiomas diferentes
hoje eu quero o vazio
o nu.
que importa o vento
o frio ou o calor
quero o nada.
Nem sonhos
menos ainda realizações
nem fastio me atrai.
candura, ardil
frescura ou secura
tanto faz,
não quero.
Eu não quero existir
sentir.
Não estou a fugir
só não quero
nem fingir.
Me dispo de tudo,
esvazio.
Que importa a poluição
a má intenção
que interessa a solidariedade
o rancor, o amor?
Fico parada, sem pensamento
nem que seja por um momento
não quero saber de nada.
Não há ninguém ao qual foi dado de conhecer tudo, nem ninguém, por outro lado, ao qual não aconteceu de ter recebido da natureza algo especial. O estudante prudente, portanto, ouve todos com prazer, lê tudo, não despreza escrito algum, pessoa alguma, doutrina alguma. Pede indiferentemente de todos aquilo que vê estar-lhe faltando, nem leva em conta quanto sabe, mas quanto ignora. Daqui se origina o dito platônico: 'Prefiro aprender modestamente as coisas dos outros a ostentar descaradamente as minhas'.
