Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
O quê? Eu deveria matar todo mundo e fugir? Desculpem. As vozes... Estou brincando! Calma! Não foi isso que elas falaram.
Os gatos não têm nomes - respondeu.
Não? - perguntou Coraline.
Não - respondeu o gato. - Já vocês, pessoas, têm nomes. É por isso que não sabem quem são. Nós sabemos quem somos e por isso não precisamos de nomes.
Você não pode ter medo de ser o que é. E daí se você é louca? As melhores pessoas são. E daí se você fala o que pensa? A verdade machuca mas é necessária. E daí se você quiser sair por aí sem se importar com nada e com ninguém? Você pode.
Eu não queria que tirassem a minha foto porque eu ia chorar. Eu não sabia por que eu ia chorar, mas eu sabia que, se alguém falasse comigo ou olhasse para mim muito de perto, as lágrimas iriam voar para fora dos meus olhos e os soluços iriam voar para fora da minha garganta e eu choraria por uma semana. Eu podia sentir as lágrimas transbordando em mim como água em um copo que está instável e muito cheio.
Círculos viciosos
Eu lia, mas não sabia ler,
e tudo que eu lia,
porque não sabia,
não fazia sentido
dentro de mim.
Procurei a ponta condutora,
qual um filão
do entendimento.
Nada!
Busquei fantasmas
em cada negativa.
Vi mortos-vivos,
de passados tão presentes
e mergulhei no fundo,
mais íntimo,
em um reflexo de ternura.
Vi, na minha imagem
um enorme vazio
que transformou meu sonho
na dureza fria
da realidade.
Seria maldade,
ou o desejo de um fortalecimento?
E, afinal, eu vi,
mas não sabia ver.
E tudo que eu via,
porque não sabia
não impressionava
o negativo de minha alma.
E, assim, caminhei passos
sem saber,
e, porque não sabia caminhar
meus passos a nada me conduziam.
E, ainda sem saber,
retornei ao ponto de partida,
sem mais esperanças.
Deixa partir o que não te pertence mais, deixa seguir o que não poderá voltar, deixa morrer o que a vida já despediu... O que foi já não serve, é passado, e o futuro ainda está do outro lado.
Algumas pessoas chamam de péssimo gosto para homens, eu chamo de enxergar o interior e não o exterior.
Confissões
Vivendo no curto tempo à frente
e apesar de não querer pensar nelas,
algumas lembranças estão comigo,
maltratando meu corpo e mente
como feridas que deixam sequelas
provocadas pela ação de um inimigo.
É uma forma constante e mui danosa
que me atinge e se torna perigosa.
Sei que fiz coisas que não devia,
mas também não fiz outras que merecia.
Em algumas delas, fui traído,
em muitas outras fui culpado
por fazer sofrer alguém amado
sem perceber o quanto estava errado.
Gostaria de ter o poder de bloqueá-las
por não mais suportar e pensar
em parte desse passado que me faz mal,
pois me maltrata e me persegue
há tantos anos, e mesmo assim segue
a me mostrar os erros cometidos,
confrontando-me com toda a insensatez
da visão míope, falsa e superficial
dos relacionamentos não compreendidos.
Quanto tempo demora? - perguntou ele.
- Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs.
Dói e é incômodo. Vontade de não saber perdoar, de não ser compreensivo, tolerante — de não me contentar com o pouco.
"Os sábios não veem o mundo com os olhos, mas sim, com a alma; não se consideram mestres, mas sim, eternos aprendizes da vida."
