Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Há um cansaço que não se cura com o sono, uma espécie de ferrugem silenciosa que começou nos meus ossos e agora dita o ritmo lento do meu sangue.
Viro os bolsos da alma e só encontro os restos de quem eu prometi ser, enquanto o silêncio da casa se torna um inquilino que não paga aluguel e ocupa todos os cômodos.
Escrevo para não ter que gritar contra as paredes, mas as palavras saem como estilhaços de um vidro que eu mesmo quebrei, cortando a garganta antes de ganharem o ar.
O tempo aqui dentro não corre, ele sangra, transformando cada lembrança num peso morto que eu insisto em carregar como se fosse um troféu ou uma condenação.
No fim, sobra apenas esse corpo que é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, e a triste certeza de que a solidão é a única coisa que nunca me deixou pela metade.
Há uma diferença entre estar vivo e estar consciente da vida, e eu já não consigo mais separar os dois, porque cada instante carrega uma análise implícita, e, nesse excesso de lucidez, a simplicidade se tornou inacessível.
Há uma exaustão que não vem do corpo, mas do peso de sustentar pensamentos que não descansam, como se minha mente fosse um tribunal permanente, onde eu sou, ao mesmo tempo, acusado, juiz e sentença.
Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.
Há uma majestade silenciosa no esforço de Sísifo que poucos têm coragem de contemplar, ele não é vítima da pedra, é senhor do seu próprio peso. Cada ruga em seu rosto é um testemunho vivo de uma vontade que aprendeu a não se curvar, mesmo diante do inevitável. O sucesso não está no topo inalcançável, mas na paz que nasce durante a subida, como quem entende que há propósito até no cansaço. A verdadeira glória não repousa no fim, mas na firmeza de quem continua, como se cada passo fosse visto por algo maior que o próprio mundo.
- Tiago Scheimann
Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.
Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.
Há uma coragem silenciosa em continuar.
Principalmente quando ninguém está olhando. Quando não há reconhecimento, nem testemunhas, nem aplausos. Nessas horas, a luta se torna íntima, e ainda assim imensa.
Há tristezas que não pedem consolo, apenas uma cadeira vazia e o respeito de quem aprendeu a ouvir o próprio ruído interno.
Não há nada mais firme que os olhos abertos de uma mulher quando enfim consegue enxergar que o que tinha era dependência emocional por um traste.
Todos nós que viemos à Terra trazemos e levamos uma história digna de ser reconhecida ou não. Há muitas vidas que, enquanto vivas, passam anónimas aos olhos de outras pessoas e do mundo, despercebidas dos olhares dos muitos, discretas e silenciosas diante do mundo, embora imensas e intensas dentro de si. Peregrinam à margem do aplauso verdadeiro ou falso, do elogio, do louvor, da hagiografia, sem se imporem, só se dando pela sua presença após a sua ausência deste mundo.
Há uma "doença psicológica" para quase tudo, então, por que não criar uma para os gananciosos que roubam trilhões das pessoas ao redor do mundo? Devemos colocá-los em uma camisa de força, tomando injeção, dentro da cadeia.
Porque não é sinal de saúde mental correr atrás desesperadamente de tanto dinheiro, quando sabemos que toda essa riqueza ficará para trás quando a vida terminar.
Há um erro em acreditar que toda escolha pode ser desfeita. O tempo não é uma estrada de mão dupla. Certos caminhos aceitam apenas a ida, e quem os percorre por impulso descobre tarde demais que o retorno deixou de existir.
Cada sonho é uma chama que pede céu, mas arde primeiro no peito; e quem o segue descobre que não há triunfo sem ferida, nem voo que não nasça da promessa secreta da queda.
Há uma maturidade que não se anuncia: ela se reconhece na recusa de provar valor o tempo inteiro. O ser que já se encontrou não disputa lugar, não implora reconhecimento, não se explica em excesso. Caminha com a sobriedade de quem sabe que a própria presença basta — e que toda necessidade de aplauso é apenas fome de confirmação.
Há uma dignidade silenciosa em não reagir a tudo. O ser que amadurece percebe que responder a cada provocação é ainda estar preso ao jogo do outro. A verdadeira força não se manifesta no confronto constante, mas na capacidade de escolher onde a energia deve permanecer — e onde o silêncio já é resposta suficiente.
A vida é apenas uma viagem, uma breve passagem
não há bagagem que se leve além do que ficou no coração.
Aproveite a vida, pense em todos os momentos e experiências que você deixou de ter apenas pelo medo de tentar...a segurança e a estabilidade não existem nessa vida breve. Preocupe-se mais em ''ir'', do que em apenas ''possuir'', mais em ''ser''. Seus pertences serão deixados para outros. Seu conhecimento, sua aprendizagem e sua experiência permanecerão em sua alma para todo o sempre.
