Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa

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⁠O mundo é o jardim de Deus, e cada criança a muda de uma flor; algumas necessitam de um cuidado especial, mas quando florescem
enfeitam e embelezam não só o jardim de Deus, mas também a nossa Alma.

À frente, uma janela — belo contraste com o entardecer. A luz da tarde desenhas-te com reverência. Os raios alaranjados do sol revelam teus contornos, enquanto teu olhar vaga distraído: olhar de quem apenas vive... mas vive como um espetáculo íntimo, só para ti.

És como uma valsa, uma dança do acasalamento — um jogo perigoso que, majestosamente, sabes jogar.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.

Mas quem ama a presença de Deus começa a sentir algo diferente: uma paz limpa, uma clareza, uma leveza, como se a alma estivesse sendo iluminada por dentro. miriamleal

⁠Todo o prazer insaciado é uma oportunidade perdida pela vida.

Emil Cioran
Nos cumes do desespero. São Paulo: Hedra, 2012.

MIGALHAS DA GRANDE MESA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Existe uma silenciosa tragédia moral no coração humano contemporâneo. O homem aprendeu a medir grandezas pela abundância exterior, mas ainda não compreendeu que a verdadeira riqueza pertence ao domínio invisível da consciência. Enquanto o mundo contabiliza patrimônios, o Espírito contabiliza virtudes. Enquanto a matéria exige acúmulo, a alma pede iluminação. É exatamente nesse contraste que o ensinamento evangélico apresentado em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 16, item 9, revela uma das mais profundas advertências espirituais já oferecidas à humanidade: o homem somente possui aquilo que pode levar consigo após a morte do corpo.
A inteligência cultivada. A moral edificada. A indulgência praticada. A caridade silenciosa. Eis os únicos tesouros incorruptíveis.
O ensinamento espírita desmonta a ilusão milenar da posse absoluta. Nenhuma propriedade material acompanha o Espírito além do túmulo. O ouro permanece na Terra. Os títulos ficam nos cartórios. Os aplausos dissolvem-se na memória coletiva. Porém, cada gesto de benignidade grava-se indelevelmente no perispírito como patrimônio eterno da consciência.
Quando Paulo aconselha, na Epístola aos Efésios, que sejamos benignos uns para com os outros, ele não oferece mera orientação moralista. Trata-se de uma lei psicológica e espiritual profundamente ligada ao mecanismo evolutivo do ser. A benignidade não é simples delicadeza social. É disciplina da alma. É engenharia íntima. É exercício de transcendência do ego.
Sob a ótica espírita, toda criatura humana encontra-se mergulhada num processo educativo de múltiplas existências. Cada convivência representa uma oficina de aperfeiçoamento emocional. Cada atrito humano converte-se em instrumento pedagógico para dissolução do orgulho. Por isso, Emmanuel recorda que o monopólio do trigo não elimina a necessidade de apenas algumas fatias de pão. O corpo possui limites naturais. A ambição, entretanto, não os possui.
A avidez humana nasce menos da necessidade e mais da insegurança espiritual.
O homem acumula porque teme. Retém porque desconfia. Exagera porque desconhece a própria imortalidade da alma. Quem compreende profundamente a continuidade da vida não transforma bens transitórios em fundamento existencial.
É por isso que a caridade independe da abundância.
Uma das mais belas lições do texto encontra-se justamente na valorização das pequenas ações. O Espiritismo ensina que Deus não observa apenas a exterioridade das obras, mas principalmente a intenção moral que lhes dá origem. Um copo de água oferecido com amor possui magnitude espiritual superior a fortunas distribuídas por vaidade. Um silêncio prudente diante do mal pode evitar tragédias morais irreversíveis. Um sorriso fraterno pode impedir que alguém mergulhe em desespero invisível.
Na maioria das vezes, o homem despreza essas delicadezas porque ainda está fascinado pela grandiosidade aparente das ações espetaculares. Contudo, o Cristo jamais vinculou o Reino dos Céus às demonstrações de poder terreno. Pelo contrário. Jesus engrandeceu os pequenos. Aproximou-se dos esquecidos. Valorizou os simples. Elevou pescadores, enfermos, viúvas e crianças à condição de símbolos espirituais.
A benignidade é uma expressão prática da humildade legítima.
O texto faz importante distinção entre humildade e servilismo. O humilde não é aquele que se anula psicologicamente diante dos outros. É aquele que venceu a necessidade de sentir-se superior. O orgulho deseja destaque. A humildade deseja utilidade. O orgulho exige reconhecimento. A benignidade serve mesmo sem aplausos.
Sob análise psicológica profunda, muitos sofrimentos humanos nascem precisamente da expectativa constante de valorização externa. Quando alguém executa tarefas invisíveis e sente-se ignorado, frequentemente revolta-se porque ainda condiciona seu valor ao olhar alheio. O Evangelho propõe libertação dessa dependência emocional. O bem verdadeiro não necessita de plateia.
A Doutrina Espírita esclarece que ninguém vive isoladamente. A interdependência constitui lei natural da experiência humana. O exemplo do automóvel apresentado no texto é extraordinariamente pedagógico. Um simples veículo depende de dezenas de profissionais invisíveis para existir e funcionar. Da mesma forma, toda sociedade humana sustenta-se numa vasta rede silenciosa de cooperação.
Isso destrói a ilusão da autossuficiência.
Ninguém cresce sozinho. Ninguém sofre sozinho. Ninguém vence sozinho.
Cada trabalhador anônimo participa silenciosamente da sustentação coletiva da vida humana. O orgulho, entretanto, impede frequentemente que o homem reconheça essa realidade. Por isso a benignidade converte-se em necessidade civilizatória. Sem ela, a convivência humana degenera em disputa, ingratidão e violência moral.
Quando Emmanuel convida à reflexão sobre a Tolerância Divina, ele conduz o pensamento a uma das mais sublimes percepções espirituais. Deus continua sustentando a humanidade apesar de suas guerras, crueldades e perversidades. O Cristo continua amparando consciências rebeldes mesmo sendo constantemente negado pelos próprios homens que afirma amar.
Há nisso uma revelação profundamente consoladora.
A misericórdia divina não funciona segundo os critérios estreitos do ressentimento humano.
O homem interrompe relações por pequenas ofensas. Deus sustenta séculos de rebeldia humana sem abandonar Suas criaturas. O homem exige perfeição alheia enquanto permanece indulgente consigo mesmo. O Cristo, ao contrário, continua oferecendo luz aos próprios perseguidores.
Essa compreensão dissolve gradualmente os sentimentos de vingança, mágoa e melindre. O ressentimento funciona como veneno psíquico. O indivíduo magoado aprisiona-se vibratoriamente ao mal que recebeu. Sob perspectiva espírita, cultivar rancor significa prolongar internamente a própria dor.
Daí a necessidade do perdão.
Não como submissão emocional. Não como negação da justiça. Mas como libertação íntima.
O texto alcança extraordinária profundidade ao perguntar o que teria acontecido se Jesus houvesse desistido da humanidade por causa da ingratidão humana. Essa indagação possui imenso alcance filosófico. Revela que o amor verdadeiro não depende da resposta recebida. O Cristo prosseguiu amando mesmo rejeitado. Continuou ensinando mesmo perseguido. Permaneceu servindo mesmo crucificado.
Eis a benignidade elevada ao grau sublime.
A Natureza inteira testemunha essa lei. A chuva não escolhe onde cair. O sol não ilumina apenas os bons. A árvore oferece sombra até ao lenhador que a golpeia. Toda criação divina ensina silenciosamente a generosidade espontânea.
O homem, porém, ainda luta contra si mesmo.
Por isso o Evangelho insiste tanto na transformação moral interior. Não basta conhecer conceitos espirituais. É necessário converter o conhecimento em sentimento vivido. A verdadeira evolução não ocorre apenas no intelecto. Ela acontece quando a alma aprende a amar sem cálculo, servir sem orgulho e tolerar sem humilhação.
A benignidade é uma das mais altas expressões da maturidade espiritual porque nasce da compreensão de que todos somos viajores imperfeitos na mesma estrada evolutiva. Hoje auxiliamos. Amanhã necessitaremos de auxílio. Hoje compreendemos. Amanhã pediremos compreensão.
E nessa sublime reciprocidade da existência, o Cristo continua chamando cada consciência humana para a grande mesa da fraternidade universal, onde até as migalhas do amor sincero possuem valor infinito diante da eternidade.
Fontes.
O Evangelho segundo o Espiritismo.
Pão Nosso.
Fonte Viva.
Vinha de Luz.
Bíblia Sagrada. Efésios 4:32.
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A Liberdade do Seu Mar

A sua alma é profunda e a sua superfície é bela, desfruta de uma certa espontaneidade; a sua liberdade é muito notória, faz parte de todo o seu ser; busca proteger a sua valiosa integridade, cuja essencialidade é bastante intensa — certamente, atributos peculiares de uma natureza grandiosa, singular, que a cada raiar do sol se renova.

A maneira com a qual a sua personalidade vai se expressar muitas vezes é imprevisível, chamativa, aprazível; tem seus admiradores e nem sempre agrada, mas não se importa, depende do momento, do clima, do tempo, pode estar tranquila ou agitada, solitária ou receptiva — uma expressão verdadeira que, de qualquer forma, se destaca.

Sendo assim, liberta, cheia de intensidade e imponência, ela se conecta facilmente com o mar e a sua farta expressividade, que vai muito além da linda aparência das suas ondas — o vaivém de águas e belas curvas —, levando em conta também a profundidade da sua transparência; não que tudo dela esteja revelado, pois isso é apenas uma limitada interpretação poética.

Nada é definitivo. A tristeza passa, a alegria passa, a vida passa. Uma constante transição!

A saudade seria uma forma clara de manifestação da fraqueza diante das vicissitudes da vida?

E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...

Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!

ROTINA...

Uma mesmice colorida que desbota a cada dia…

MONTANDO PEÇAS...

Sou uma alma acoplada num corpo efêmero e todos os dias ao acordar…
fico revirando dentro dele pedaços de um tempo que ficou pra trás…
Como se fossem peças de um quebra cabeças que tento montar…
E quando conseguir montar?
- Deixarei minha história de vida para alguém contar…

ÀS VEZES LOBA...

Como uma loba
às vezes libero
num uivo híbrido
minhas emoções
mais funestas no ar
e na total escuridão
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
apenas o esplendor
do luar…

A vida é uma caixinha de surpresas a cada amanhecer e dependendo do dia voce tem até medo de abrir...

A vida é uma escola, nem sempre o que estudamos (expectativa) cai na prova (destino).

A vida é como uma novela, dependendo de como se acorda sempre vamos interpretar no nosso dia a dia um personagem diferente (da gente).
Por quê?
- Ficção é mais fácil de interpretar do que a nossa própria realidade.

As vezes acordo e tenho a sensação que esse mundo é apenas uma ficção e que sou apenas mais uma vítima do Filme Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia dentro de um mundo virtual.

Quando a gente acha que vai fazer o gol, vem a vida e te dá uma rasteira e o juiz (paciência) apita e diz que é pênalti e aí vem novamente os nossos sonhos fazer barreira.

Muitas vezes silenciar é dar uma pausa para ouvir nossos ruídos internos.

A vida é uma caixinha de música, temos sempre que dar corda para que a nossa bailarina interna (alma) dance conforme os passos sincronizados dela.