Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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A cada novo dia é sempre uma nova oportunidade de viver e conviver, há os que tirarão proveito e outros apenas passarão.

Há pessoas que levam muitas chacoalhadas e ficam intactas, outras com um tropeço se quebra, saber entender o limite de cada um e respeitar sua condição, é melhor do que dar conselhos equivocados.

Há coisas que só dá pra construir com o tempo, e são estas três: o TRABALHO, o RESPEITO e o AMOR.

Muitas vezes erramos, muitas vezes nos quebramos, e os dias se repetem como um espelho, há quem amadurece pra mudança, há quem se estraga na errância.

ROKC DA CICUTA


Quando o céu pesa feito chumbo
e a cidade mastiga meus passos sem piedade,
há vozes nas sombras chamando ao deserto,
prometendo silêncio e descanso no pó.
Em dias ruins,
quem me salvará?
Apenas um rock.
Conheço o truque da noite ferida,
a mentira elegante que veste a dor.
Ela fala em repouso,
em fuga infinita,
e cobra da alma um preço maior.
Uma guitarra rasgando a escuridão,
um grito selvagem cortando o nevoeiro,
um trovão elétrico atravessando a noite
e explodindo dentro do coração.
Ou uma overdose de cicuta,
serena como um lago sem verão,
a velha taça esquecida sobre a mesa,
aguardando o fim de toda revolução.
As ruas estão cheias de reis derrotados,
de poetas vencidos pelo aluguel,
de homens que escondem seus naufrágios
sob gravatas, sorrisos e papel.
A madrugada conhece seus nomes,
conhece o peso de cada ilusão.
Sabe quantos castelos desabaram
antes do último acorde da canção.
Entre a fúria dos amplificadores
e o silêncio mortal da rendição,
a vida dança sobre o fio da navalha,
sem promessas, sem explicação.
E eu sigo escutando os dois chamados,
como quem ouve anjos e vulcões:
de um lado a tempestade das guitarras,
do outro, o descanso das extinções.

Há homens que protegem a própria imagem, mas poucos zelam de fato pela própria honra.

⁠A maior alegria que há
É a de se estar apaixonado
Nem que seja pelas nuvens.

Há momentos em que a vida coloca diante de nós um espelho invisível. Nele não vemos o rosto, mas as escolhas que evitamos fazer. A maioria das pessoas acredita que o destino é moldado pelo acaso, pela sorte ou pela vontade de forças externas. O verdadeiro cárcere do homem não está no mundo, mas na inconsciência que paralisa sua vontade.


A luz que revela aquilo que fomos condicionados a ignorar. E quando a consciência desperta, nasce também a responsabilidade. Não existe evolução sem decisão. Cada escolha é um portal: ou expandimos nossa essência ou fortalecemos as correntes que nos mantêm presos ao medo, à procrastinação e à ilusão do conforto.


Muitos desejam transformação, mas poucos aceitam a disciplina necessária para atravessar o próprio abismo interior. Constância não é motivação passageira. É continuar mesmo quando a mente cria desculpas, mesmo quando o mundo silencia os teus esforços e ninguém reconhece tua batalha. O iniciado compreende que fazer o que precisa ser feito é um ato sagrado de domínio sobre si mesmo.


O caos interno sempre tentará convencer-te a desistir. Mas aquele que governa a própria mente deixa de ser escravo das circunstâncias. A verdadeira iluminação não acontece apenas ao compreender grandes mistérios, mas ao agir diariamente em direção àquilo que a alma sabe que deve se tornar.

Há quem ache fraqueza não devolver insulto.
Há quem confunda educação com covardia e respeito com submissão.
Só que segurar a própria explosão exige muito mais coragem do que espalhar estilhaço por aí.

Há muitos Elias hoje, sufocados pela pressão, pelo medo e pelo peso desta geração. Mas até na caverna, Deus continua entrando em silêncio para lembrar que a morte não é o destino dos que Ele ainda sustenta.

Tudo na vida é morte, mas há quem morra devagar, tentando ainda viver um pouco mais.

Há coisas caras que não tocam o coração, enquanto uma simples lágrima pode valer uma vida inteira de aprendizado.

Dentro do meu coração há marés que ninguém entende e tempestades que ninguém vê.

Estás há tanto tempo comigo, mas ainda não me conheces de verdade.
Finges entender meu riso, mas nunca lês o que eu sinto.
O tempo passa, e eu continuo aqui, mostrando meu mundo, enquanto você nem percebe.

Meu silêncio gritava, e mesmo assim você não escutou.
Estás ao meu lado, mas tão distante.
Suas palavras não me tocam.

Eu te dei meu coração, inteiro, sem desfazer dele.
Quem sabe, um dia, você veja o que existia aqui, em minhas mãos.
Mas, quando isso acontecer, talvez seja tarde demais.

"Não há castigo, apenas consequências." Uma verdade que dói muito mais na carne do que no espírito que busca a redenção.🕊

Há tanto azul em mim, tanto azul…
que quando penso em você, o céu amanhece dentro do peito e o mar aprende a morar no meu olhar.
Durmo céu, sonhando com o brilho do teu amor…
e acordo mar, transbordando saudade, desejo e vontade de navegar para os teus braços.
Porque você transformou minha alma em horizonte:
infinita, calma e completamente apaixonado.


Ian N.T

⁠A Árvore Invisível

No meio da floresta, onde o verde se espalha em incontáveis tons de vida, há uma árvore morta. Seu tronco retorcido e seco ergue-se como um esqueleto, desprovido de folhas, de seiva, de movimento. Os pássaros não pousam em seus galhos; os insetos não a rodeiam; até o vento parece desviar-se dela, como se sua presença fosse um incômodo.
Ela já foi grande, já sustentou ninhos, já balançou sob o peso de frutos. Agora, é apenas um vulto silencioso, uma sombra esquecida no meio do esplendor alheio. Os olhos dos passantes deslizam sobre ela, sem fixar-se, sem reconhecer sua existência. Afinal, quem se importa com o que já não floresce?
Assim também é a velhice humana. Há um momento em que as folhas caem — a vitalidade, o vigor, a utilidade aparente — e, de repente, o mundo parece desviar o olhar. O idoso, outrora centro de histórias e sustento, torna-se uma figura quieta nos cantos da casa, nos bancos das praças, nos quartos de asilos. Suas rugas são como as rachaduras no tronco da árvore seca: marcas de tempestades sobrevividas, de anos que não foram gentis, mas que ninguém mais se dá ao trabalho de ler.
A floresta segue verde, impiedosamente bela. A vida dos outros segue, impiedosamente alegre. E a árvore morta permanece, invisível, até o dia em que o vento mais forte a derrubar, e então, talvez, alguém note sua ausência — mas não sua existência.

Assim como tantos velhos, que só são lembrados quando já se foram.

Há uma cena em Encontros no Fim do Mundo que não dá vontade de explicar. Dá vontade de ficar quieto. Um pinguim simplesmente se afasta dos outros, vira as costas para o mar, que é onde está a vida, e começa a caminhar sozinho, em direção às montanhas geladas da Antártida. Um caminho sem volta. Um caminho que, no fundo, aponta para a morte.
Herzog não tenta romantizar isso. Ele só mostra. E, curiosamente, aquilo deixa de ser só sobre um pinguim. Vira sobre a gente.

“Aquele pinguim é o sujeito que rompe.
É o momento em que algo sai do roteiro.”

Enquanto o grupo representa o seguro, o instinto, o “é assim que sempre foi”, o pinguim solitário faz o oposto. Ele não está perdido. Ele escolhe sair. E isso é o que mais incomoda. Porque ir contra o próprio instinto não é coisa de animal, é coisa de humano.
Quem nunca sentiu vontade de ir embora de tudo? De se afastar do que mantém a gente em pé, mesmo sabendo que pode dar errado? Sair de um lugar, de uma relação, de uma fé, de uma vida inteira… não por ignorância, mas porque ficar dói mais do que o risco de partir.
O pinguim não parece confuso. Ele parece cansado.
Cansado de repetir o mesmo ciclo, o mesmo caminho, o mesmo destino compartilhado. Talvez caminhar para as montanhas seja o último gesto de controle que ele tem. Um jeito silencioso de dizer: “até aqui, chega”.
Herzog fala em loucura, mas talvez seja pior que isso. Talvez seja lucidez demais. Talvez, por um instante, aquele pinguim tenha sentido algo que não deveria sentir: o desejo de ser único, mesmo que por pouco tempo.
Ele não caminha atrás da morte. Ele caminha atrás de algo que ele mesmo não sabe nomear. “A morte é só o preço.” No fim das contas, essa cena incomoda tanto porque ela quebra uma ilusão confortável: a de que todo ser vivo quer sobreviver a qualquer custo. Às vezes, viver do mesmo jeito deixa de fazer sentido.
E o mais estranho não é o pinguim indo embora sozinho. O mais estranho, e mais honesto, é perceber que, lá no fundo, a gente entende exatamente por quê. Só não encontramos as palavras para expressar o que é! Apenas esse aperto é essa agonia ao perceber que aquele pequeno ser nos ensinou tanto enquanto caminhava, cada passo era um passo de sua escolha, um passo de sua decisão, decisão essa que culminaria em sua liberdade!

Fata morgana


Felicidade não existe, há apenas momentos...
ilusões transitórias que nos levam a caminhar,
o alívio do cetácio quando emerge a respirar,
sobrevivência mediante a espairecimentos!


A vida é festa a fantasia! Ode a fingimentos!
Se não usares máscara não há como aguentar,
caracol sem concha logo alguém vem esmagar,
rigidos protocolos tem seus procedimentos!


Tudo muda sob a luz de um ponto de vista,
não há roteiro certo nem verdade absoluta...
O que para uns é banal pra outros é conquista...


Satisfação, realização, uma crença impoluta!
Ansiamos por um opio, poção de alquimista...
Do contrário realidade crua, tudo vira luta.

Há muito abandonei o berço estrelado, desde então minha alma nunca mais tornara a dormir.