Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Se Jesus morreu pelos pecados, então por que absolutamente nada mudou? Ainda há muitos pecados, e mais do que antes...
Ainda e cedo pra tentar...
Agora e tarde pra se arrepender...
Ainda ha tempo de se revelar
Nada nada vai agradar seu ego..
Nada vai apagar seu erro..
E ninguém tem nada a ver com isso ..
So voce e seu espelho.
Se a sua moralidade só se mantém quando há câmeras, registros ou risco de exposição, ela não é virtude, mas conformismo social bem disfarçado. A ética genuína não depende de vigilância total nem de anonimato: ela se sustenta porque pode ser racionalmente defendida em público, mesmo quando ninguém está olhando.
No aborto, não há réu, não há dor sentida, não há vítima consciente, há apenas juízes sem útero impondo autoridade sobre o vazio e chamando esse gesto de justiça.
Rezar é como mandar um e-mail para um suporte técnico que faliu há dois mil anos: você se sente melhor por ter reclamado, mas o problema continua lá, rindo da sua cara.
Não há sentido cósmico? Então façamos sentido terrestre. Não há justiça divina? Então construamos justiça humana. O humanismo é a recusa de esperar salvadores.
O niilista pensa que sem deus não há moralidade. O humanista sabe que a verdadeira moralidade só começa quando deus sai de cena e somos forçados a cuidar uns dos outros.
P1. No inferno só há pecadores.
P2. Deus está em todos os lugares; isso inclui o inferno.
C. Se deus está no inferno, então ele é um pecador.
O Silêncio de Vidro
Tudo se fez deserto, o verbo se perdeu no intransponível.
Há dias em que o sol ensaia um brilho,
mas a luz é breve, quase um suspiro que se apaga.
Ainda que o amor resista, no cuidado e no abrigo,
há um medo que sussurra: o receio da crítica,
a sombra de nunca ser o suficiente diante da cobrança voraz.
É preciso erguer-se em aço, esconder as cicatrizes,
pois neste mundo de máscaras, o sentir é vigiado:
Se choro, chamam-me fraca.
Se entristeço, dizem ser futilidade.
Se me indigno, taxam-me de desequilíbrio.
A alegria, que antes era bússola e motivação,
agora deságua em ansiedade e num vazio cinzento.
Vi o caráter e o ego serem postos em altares,
enquanto a humanidade se perde no egoísmo,
atropelando corações sem olhar para trás.
Nesta minha verdade nua, nesta sinceridade que dói,
sinto o peso de ver o que muitos ignoram.
Ah, quem me dera a cegueira do espírito,
o silêncio dos ouvidos e a anestesia do peito...
Pois enxergar o invisível e sentir o que fere
é o fardo de quem ainda insiste em ser humano.
(Assinado: Roseli Ribeiro)
"Há um riso no rosto, um brilho fugaz,
Entre vozes e grupos, a saudade se faz.
Embora rodeado, o vazio é certeiro:
No meio da gente, o ser continua solteiro."
Roseli Ribeiro
O Mérito, a Propriedade e a Confusão dos Tempos Modernos
Há uma curiosa tendência do homem moderno de confundir conceitos distintos e depois declarar que encontrou uma contradição. Muitas vezes ele toma duas ideias diferentes, mistura-as em um mesmo recipiente e, quando o conteúdo se torna incoerente, culpa a realidade pela confusão que ele próprio produziu.
Entre essas confusões, poucas são tão frequentes quanto a que envolve mérito e propriedade.
O mérito é uma coisa. A propriedade é outra.
O mérito responde à pergunta: "Como alguém conquistou algo?"
A propriedade responde à pergunta: "De quem é esse algo?"
São perguntas diferentes, e exigir que uma responda à outra é tão absurdo quanto exigir que a certidão de nascimento substitua uma escritura de imóvel.
Quando um homem funda uma empresa, investe recursos próprios, assume riscos, trabalha durante anos sem garantia de sucesso e finalmente constrói um empreendimento próspero, existe uma justificativa meritória para sua riqueza. Seu patrimônio não surgiu do nada; foi resultado de decisões, sacrifícios e responsabilidades que outros não assumiram.
A riqueza, nesse caso, não é um acidente. É consequência.
Por isso, quando se pergunta por que o proprietário recebe mais que o funcionário, a resposta inicial é simples: porque não desempenharam o mesmo papel. Um criou a estrutura; o outro foi contratado por ela. Um assumiu o risco do fracasso; o outro aceitou um salário previamente definido. Um poderia perder tudo; o outro não.
Não há ofensa alguma nessa diferença. Pelo contrário, seria estranho se não existisse.
O homem que construiu uma ponte não é recompensado da mesma forma que aquele que apenas a atravessa.
Entretanto, surge um segundo problema. Após reconhecer o mérito do fundador, muitos passam a questionar a continuidade de sua propriedade. Perguntam por que ele continua recebendo lucros anos depois. Perguntam por que seus filhos podem herdar seus bens. Perguntam por que alguém pode controlar uma empresa mesmo sem participar de todas as suas operações diárias.
É aqui que ocorre a confusão.
Essas perguntas já não pertencem ao campo do mérito.
Pertencem ao campo da propriedade.
Uma vez que um bem foi legitimamente adquirido, a questão deixa de ser quanto mérito ele exigiu para ser conquistado. A questão passa a ser quem possui autoridade legítima sobre ele.
Um homem não deixa de ser dono de sua casa porque está viajando. Não deixa de ser dono de seu carro porque outra pessoa o dirige. Não deixa de ser dono de sua empresa porque contratou administradores.
A propriedade não é um salário. É um direito.
O proprietário não precisa justificar diariamente sua posse por meio de novas demonstrações de mérito. Se assim fosse, ninguém possuiria coisa alguma por muito tempo. O agricultor teria de provar todos os dias que merece sua terra. O escritor teria de provar continuamente que merece seus livros. O pai teria de justificar incessantemente a posse de sua própria residência.
A sociedade tornar-se-ia um tribunal permanente.
A objeção frequentemente retorna sob outra forma. Diz-se que o trabalhador produz valor e, portanto, deveria participar da propriedade da empresa.
Mas o trabalhador já participa da relação econômica segundo os termos que aceitou livremente. Seu contrato especifica salário, benefícios, direitos e deveres. Não existe engano oculto nessa troca. Ele não foi contratado como proprietário. Foi contratado como empregado.
Se deseja assumir riscos empresariais, buscar participação nos lucros, abrir um negócio próprio ou trabalhar sob modelos de remuneração variável, essas possibilidades existem. O mercado oferece inúmeras formas de associação econômica.
Mas não é razoável aceitar um contrato específico e depois reclamar que ele não era outro contrato.
A liberdade contratual perde o sentido quando uma das partes exige alterar retrospectivamente os termos que aceitou.
Há ainda uma verdade frequentemente esquecida: o esforço não garante sucesso.
Um homem pode trabalhar arduamente e fracassar.
Outro pode trabalhar arduamente e prosperar.
As circunstâncias existem. O acaso existe. As crises existem.
Reconhecer isso, porém, não destrói o princípio do mérito.
Pelo contrário.
Se o sucesso fosse garantido, o mérito teria pouco valor. O mérito existe justamente porque alguém escolhe agir sem garantias.
O navegador é admirável porque o mar oferece tempestades.
O empreendedor é admirável porque o fracasso é possível.
O estudante é admirável porque a aprovação não é automática.
O mérito não promete resultados inevitáveis. Promete apenas a possibilidade de alcançá-los.
E essa possibilidade é uma das maiores forças de uma sociedade livre.
Quando um homem pobre se torna rico por meio de trabalho, estudo, disciplina ou empreendedorismo, não se prova que todos alcançarão o mesmo resultado. Prova-se algo mais importante: que a ascensão é possível.
E uma sociedade na qual a ascensão é possível é radicalmente diferente de uma sociedade na qual ela é proibida.
Por fim, toda a controvérsia parece retornar a uma única pergunta.
A propriedade privada é legítima?
Se a resposta for não, então nenhuma quantidade de esforço, risco ou sacrifício justificará sua existência.
Se a resposta for sim, então o proprietário possui o direito de conservar, administrar, vender ou transmitir aquilo que lhe pertence.
Nesse ponto, o debate deixa de ser econômico.
Torna-se moral.
E talvez esta seja a questão fundamental de toda a disputa: não se trata de decidir quem merece mais, mas de decidir se o homem tem o direito de chamar alguma coisa de sua.
Há lembranças que não vão embora.
Elas ficam na música,
na rua,
no silêncio entre uma mensagem e outra.
Algumas ausências ocupam mais espaço
do que muitas presenças.
Mas a vida continua.
O rio segue seu curso,
o vento atravessa as estações,
e o tempo não pede permissão.
Talvez a coragem não esteja em esquecer.
Talvez esteja em seguir em frente,
carregando as memórias
sem permitir que elas carreguem você.
Lucci Santz
Há religiões em que se espera por um milagre,
e outras em que se reza por poderes sobrenaturais,
e até religiões em que se implora por sucesso nos negócios.
Mas a religião de Buda é uma religião em que se busca
orientar a sociedade e servir às pessoas.
A aspiração ao caminho de Buda significa
amar todo o universo assim como os pais amam seus filhos.
Nos dias de chuva, há sempre um olhar perdido à janela. A vida, lá fora, segue seu ritmo cinzento, mas, por dentro, o silêncio é a única voz. E o momento em que a alma chora sem fazer barulho, e a chuva apenas lava o que já está quebrado.
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