Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
ÁRVORE SECA
Ao vê-la, estarreci.
Ainda ontem
Do antes de ontem
De há três dias,
Eu vi-a;
Parecia-me salva
À luz da alva,
Daquele passado dia.
Hoje, mesmo agora,
Olhei lá fora:
Estava já mirrada,
Seca, num esturricado
Como torresmo queimado.
Quis regá-la,
Refrescá-la,
No pé do tronco a morrer.
Só então me lembrei
E pelo que sei,
Não adianta em desnorte,
Querer vencer
Sem poder,
Aquilo que já é morte!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-04-2023)
Há quem meça os outros somente pelo lado da obesidade, esquecendo-se das qualidades nobres de cada um.
Eu, pelo contrário, meço essa gente pelo comprimento desmedido das suas línguas viperinas, pela largura desmesurada da sua asnice e pela altura doentia do seu coeficiente zero em sensatez.
NOVOS TEMPOS VIRÃO
Há tempos atrás dos tempos,
O vento sussurrou-me ao ouvido:
" O sol vai deixar de brilhar!
A lua, viúva, de negro vai ficar!
A chuva, disse-me, vai mirrar!
Eu, por mim, estou a esvaziar!
O céu, vai cair a arder,
No leito seco do mar!
As montanhas irão desmoronar!
Os prados verdes vão crestar!
As árvores, de podres, irão chorar!
Ouvir-se-ão estrondos de terrificar!
Ficarão inertes as aves e os peixes
Sem ar, sem água, a agonizar! "
Carrancudo, perguntei ao vento:
" Ouve lá, ó vento, então eu quero saber:
Porque razão me estás a meter
Tanto medo de arrepelação !?...
Assim sendo, diz-me para onde vou,
Ou então!?...
Aí, o vento mudou de ouvido e segredou-me:
Alguns como tu, ficarão
Na nova terra que há de brotar
Das cinzas da ressurreição,
Onde não haverá castigo nem metas,
Apenas um tempo novo
Onde habitará um nóvel povo,
No promissor mundo dos poetas! "
(Carlos de Castro, In Há Um Livro Por Escrever em 08-05-2023)
DESCOBRIR A VIDA NA MORTE
Eu já faleci, há uns anitos...
Fizeram-me todas as encomendações
E recomendações conforme a fé familiar...
Segui, por fases, todos os trâmites legais
E funcionais, entre os quais:
Como era grande pecador,
Passei primeiro pelo crivo
Doloroso da peneira das penas do Inferno,
Que me chamuscava os sovacos da primavera ao inverno.
Passaram-me depois a outra repartição:
Esta, bem mais animadora,
Graças minhas a Nossa Senhora!
Eram os tempos do Purgatório,
Onde me fizeram purgar tudo e o acessório.
Mas, senhores, puseram-me tão magrinho!
Chegada a hora de melhor sorte,
Fizeram-me chegar de elevador ao piso seguinte,
Numa manhã luminosa e serena,
Ao Céu, aos Pés de Nosso Senhor da Boa Morte!
Olhou contristado para mim e falou:
Que purga! Que magrinho e tão tristinho!
Aí, eu fiz uma cara de anjinho e Ele continuou:
Rapaz! Vais ter direito a banho de sais e mais...
Vão dar-te calção de praia, óculos de sol e t-shirt.
Depois, vais mas é divertir-te!...
Respondi, com decisão:
Não, Meu Senhor!
Se estou no Céu, quero primeiro ver a minha mãe, meu pai, irmãzinha e tantos mais!
Não é que Nosso Senhor, começou a arrotar
E a deitar pelos olhos luzes fatais!?...
Sentei-me no chão e comecei a chorar, a chorar...cada vez mais!
Senti uma mão no ombro, tão leve e serena, como uma pena...
Era o Nosso Senhor a dizer: Vamos lá, rapaz, vamos à nossa vigília.
Não demora muito e verás a tua família. E eu sosseguei!...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-05-2023)
Há vozes a revoltar-se dentro de mim.
Incitam-me para que seja um lutador nato, ou um gritador de injustiças, pelo menos.
TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS
Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.
Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)
Qualquer que seja a coisa que queiramos dizer, há apenas uma palavra para exprimi-la, um verbo para animá-la e um adjetivo para qualificá-la
Empatia
Que os duros de coração não menospreze o sofrimento, não há legítima, nem melhor, nem ridículo. Eles são avaliados por graus de causalidade, são indiferentes a sensibilidade e ao sofrimento.
São suficientes em si mesmos, cinzentos e frios...
Fazer isso é tudo que eles sabem para a suas perspetivas dores, são apenas impostores providos de empatia.
Maturidade
Há coisas e situações que não voltam a nossa realidade,
tem pessoas que não voltam mesmo sendo inesquecíveis,
não a cura para a mão pesada da maturidade.
Sem esforço
É tão lindo observar a beleza invisível que ela carrega, não há regras, não é apenas um processo,
Ela compartilha o seu amor tão livremente quanto naturalmente, não faz qualquer esforço, não apresenta nenhum pingo sequer de obrigação, flui abundantemente da sua maior fonte, o coração,
Ela consegue inusitadamente encher de esperanças os corações dos que à vigiam, e sabe carinhosamente e delicadamente, ser o centro da gravidade no coração do amado.
Esperando você
Há muitas flores, uma floresta virgem de cores vibrantes e montanhas,
Há muita beleza, uma vale e um lago refletindo o Céu,
Há muita esperança, um barco e uma casa no topo de uma colina,
Há uma reserva de amor, esperando você.
Ainda q esteja longe, em algum lugar ainda há esperança, mesmo com diversas dificuldades ainda existe objetivos, por mais que pequenas palavras o destrua cruelmente, uma pessoa com diversos traumas não desistiu e ainda assim, consegue colocar um belo sorriso no rosto e alegrar o dia de alguém, por mais incrível que pareça ele não sabe demostrar seus sentimentos, ele apenas tenta com pequenas atitudes, mas infelizmente nesse mundo, apenas os que movem montanhas conseguem oque desejam, então levamos essa vida solitária e sem graça, nada mais nós abala, já foram tantas vezes decepcionados por pessoas incríveis que hoje em dia, a dor se tornou tão grande que se tornou parte de si, e sua maior luta é tentar fazer com que ela não te engula, tudo ok em não estar bem, não somos máquinas, mas assim como a dor faz parte da vida, a recuperação da mesma também faz, o luto dura (seja lá qual seja), mas as feridas precisam serem tratadas.
Há decisões que silenciosamente nos atravessam a existência: partimos acreditando buscar apenas um futuro diferente, até percebermos, tarde demais, que também estávamos nos despedindo de versões inteiras de nós mesmos.
Penso que há uma forma sutil de fracasso em viver apenas aquilo que esperam de nós: aos poucos, tornamo-nos estrangeiros da própria consciência.
Não há imperfeições, nem injustiça no Universo, pois Deus criou o mundo à sua semelhança. A imperfeição que observamos é fruto de nosso livre arbítrio, mas até nisso Deus foi perfeito em sua criação e aquilo que vemos como imperfeições são, em sua realidade, a correção de nossos atos pelo axioma não há efeito sem causa, ou seja, colhe-se o que se semeou e tudo nos levará ao crescimento espiritual.
A grande batalha de nossas vidas se trava em nossa própria alma, pois se há uma fera ela está dentro de nós mesmos. Correr dela é inútil, lutar contra ela é tolice pois ela é mais forte. Nossa única opção é aprender a domesticá-la e trazê-la para junto de nós. Assim firmaremos harmonia com nosso ego e juntos continuaremos a estrada da vida certos de estarmos na direção correta.
O Universo é regido por uma Lei Suprema.
Não há apelação, chicanas ou subterfúgios.
É A Lei.
Pode chamá-La como quiser.
Até ignorá-La.
Mas viverá sob Ela.
Não importa afirmar conhecê-La, proclamá-La.
Ela não necessita de ti, mas tu dependes Dela.
Será sábio quem apenas vivê-La.
O sábio reconhece que há o tempo do plantio e o da colheita. O tolo deseja colher antes de plantar. Não é possível colher algo diferente do que plantou. Se for diferente, vasculhe seu coração. Se ainda assim for diferente, continue vasculhando.
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