Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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Não há quem apresse mais os outros do que os preguiçosos depois de haverem satisfeito a sua preguiça, a fim de parecerem diligentes.

Há bons casamentos, mas deliciosos não.

Há os livros que antes de lidos já estão lidos. Há os que se lêem todos e ficam logo lidos todos. E há os que nos regateiam a leitura e que pedimos humildemente que se deixem ler todos e não deixam e vão largando uma parte de si pelas gerações e jamais se deixam ler de uma vez para sempre.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Há mulheres com quem fazemos amor, outras com quem falamos.

Há virtudes que só se podem exercer quando se é rico.

Em Março de 79

Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras mas onde não há uma linguagem;
Dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras.
As páginas em branco dispersam-se em todas as direcções.
Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve.
Linguagem, mas nenhuma palavra.

Há dois graus no orgulho: um, em que nos aprovamos a nós próprios, o outro, em que não podemos aceitar-nos. Este provavelmente o mais requintado.

Há muitas vezes mais orgulho do que piedade quando lamentamos as desgraças dos nossos inimigos.

Não há nada pior do que o dinheiro / na sociedade humana.

Não há uma felicidade tal, que te sintas sempre satisfeito.

Infelizmente só posso comprar o que está à venda, senão há muito tempo que teria comprado um pouco de felicidade.

Lá onde a identidade individual se apaga, não há nem punição nem recompensa.

Não há crise de combustível, há excesso de automóveis.

Há um ponto elevado em que a arte, a natureza e a moral se confundem e são simplesmente uma só coisa.

Há uma perpétua troca de serviços entre a ciência e o empirismo. Muitas vezes a função da primeira consiste em formalizar o que a segunda descobriu.

Há séculos em que a opinião pública é a pior das opiniões.

Quando um escritor se transforma num clássico, já não há necessidade de lê-lo: basta citá-lo.

Há algo no sushi
mais sutil que
a alga: a alma.

Não há dois tempos iguais de solidão porque nunca se está só da mesma maneira.

Como ao bem ocupado não há virtude que lhe falte, ao ocioso não há vício que não o acompanhe.