Ha como eu Queria q ela Soubesse

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Não há herança segura contra o tempo, exceto aquela cravada na infraestrutura invisível que sustenta a vida de quem ainda nem nasceu.

⁠"Há certas coisas que não devem ser ditas, e quando são ditas, o preço que se paga é muito mais alto que se pagariam estando em silêncio."

⁠Há duas maneiras de ver a vida: a primeira é ser ingrato por tudo o que existe, e a segunda é ser grato mesmo nos momentos mais desafiadores.

Essa história já tem quase onze anos, e sempre me abala muito ver certos casais da ficção. Há cenas que sempre me pegam emocionalmente. Acho que isso nunca vai deixar de ferir.
Meu medo é que nunca mais a veja, porque apesar da gente, tecnicamente, ao menos, ainda se falar, ela vive fugindo, e eu sempre sinto que é a última vez. Que o futuro já não nos tem nessa mediocre e indesejada existência.
- Marcela Lobato

Entre o excesso e o vazio

Gosto do equilíbrio:
nem tanto, nem tão pouco.

Há coisas que não podem perder a cor,
porque o colorido também é uma forma de alegria.

Outras não precisam de excessos.
O minimalismo tem sua própria calmaria,
e não precisa ser ausência de detalhes.

Porque simplicidade também pode ser rica:
em cor, em textura, em calor,
em tudo aquilo que, mesmo sem exagero,
faz os olhos permanecerem.

ATÉ A CHUVA PASSAR


Lá fora, com a chuva a cair,
Sempre há espaço para sentir.
Em meio a esse vento,
Só me lembro dos nossos momentos.


Hoje sinto saudade,
Eu queria estar com você,
Em seus braços me aquecer,
Te amar de verdade.


Mesmo a milhas de distância,
Com uma chuva em nosso caminho,
Sei que sempre há esperança,
Sei que sempre haverá carinho.


Hoje eu só queria te sentir,
Estar com você até a chuva passar.
Tudo bem se você desistir,
Mas sempre vou te esperar.⁠

Há quem ame mais a própria religião do que a divindade que cultua.

Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
​Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
​Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
​Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
​O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.

Peço desculpas por te procurar mais uma vez, mas há momentos em que o silêncio se torna um fardo pesado demais para carregar sozinho. Senti que precisava deixar o coração falar, nem que fosse pela última vez. Com o tempo, aprendi que amar de verdade não é sobre posse, nem sobre lutar contra um 'para sempre' que o destino resolveu redesenhar. Amar é, acima de tudo, ter a generosidade de permitir que o outro seja feliz, mesmo que essa felicidade floresça em um caminho longe do meu.
O amor verdadeiro é silencioso e resiliente. Ele não sucumbe à distância, nem se apaga com os anos. Ele se transmuta; vira memória, vira o abrigo onde descanso nos dias mais cinzentos. Ninguém esquece um grande amor de fato; a gente apenas aprende a conviver com a ausência, como quem aprende a respirar em uma altitude diferente.
De vez em quando, o passado volta como um flash: lembro da sua voz e daquela única foto que tiramos — não vou dizer onde, pois você sabe bem o lugar. Você estava com um sorriso lindo e os olhos brilhando mais que as estrelas daquela noite maravilhosa. Uma foto que só ficou na memória, já que, naquele tempo, a resolução do celular era ruim, mas a nitidez do que senti continua intacta.
Sabe, ainda existe aquela música... a nossa música. Toda vez que os primeiros acordes tocam, o mundo ao meu redor emudece e, por alguns segundos, eu só enxergo nós dois. A letra se tornou o espelho da minha alma: 'O tempo passou, só que nada mudou / O mesmo vazio de antes / Sua voz eu ouvi, nosso mundo eu senti / E a mente vem recordar...'
Passei anos evitando te procurar, com medo de reabrir cicatrizes que nunca fecharam por completo. Escolhi o isolamento por acreditar que o silêncio seria mais 'saudável', mas a verdade é que ele me corroeu por dentro. Desde a última vez que conversamos, eu te falei e repito: você sempre será o meu grande amor.
Se um dia me perguntarem sobre arrependimentos, minha mente voará para aquela viagem a Petrolina. Eu não deveria ter ido; aquele foi o marco de uma partida que eu nunca quis aceitar. O tempo é um rio que não corre para trás, mas saio deste silêncio com uma certeza inabalável: você nunca poderá dizer que eu não te amei. Se eu não te amasse, não teria ligado para a casa da sua patroa; mas já era tarde, você não quis mais saber. Eu também era muito orgulhoso e falei besteiras, mas você não sabe como eu me senti naquele tempo.
Até hoje, eu me culpo. Você não sabe como meu coração ficou destruído, ficou em pedaços. Tentei te procurar pelo Facebook um milhão de vezes, sem sucesso, até que um dia conheci uma mulher da sua rua — não me lembro o nome dela. Foi 'fuçando' o perfil dela que eu achei você. Naquele momento, meus olhos quase escureceram ao ver a sua foto. O resto você sabe: meus medos falaram mais alto.
Tentei o impossível para te esquecer. Lutei contra as lembranças, mas a única forma de apagar você seria perdendo a memória ou fazendo um 'reset de fábrica' na alma. Como isso é impossível, aceito que você foi o meu sonho mais mágico — um daqueles que nunca mais se repetem, restando como a lembrança perfumada de uma primavera eterna em meu peito.
Sigo agora o meu caminho, levando o que foi bom e deixando para trás o que dói. Desejo, sinceramente, tudo de bom para você."

Há muito tempo, quando a juventude ainda coloria meus dias, entreguei meu coração a uma mulher incrível. Eu a amava com uma intensidade que as palavras mal conseguem descrever, mas o destino, em sua face mais cruel, traçou caminhos opostos para nós.
Naquele dia da nossa partida, senti como se uma parte vital de mim tivesse sido arrancada. O destino não levou apenas a nossa convivência; ele levou embora um pedaço do meu peito, que nunca mais voltou para o lugar.
Os anos passaram e o mundo mudou, mas, dentro de mim, o tempo parece ter estagnado naquela última despedida. Dizem que o tempo cura tudo, mas, para mim, ele apenas refinou a saudade. Hoje, sinto a falta dela com a mesma força do primeiro dia. Ela continua sendo a dona dos meus pensamentos e a protagonista de todos os sonhos que ainda insisto em sonhar.
Posso ter envelhecido, mas o homem apaixonado que eu era continua vivo aqui dentro, guardando a chama de um amor que nem a distância, nem o silêncio e nem a ausência foram capazes de apagar. Ela foi — e sempre será — o grande e único amor da minha vida.

Há uma solidão que só se cura com o toque, e outra que nem o maior dos amores consegue preencher.

Há um universo no olhar dela; brilha com a força das estrelas, mas carrega o peso de um socorro que a boca não consegue dizer.

Há oceanos inteiros de mistério escondidos no silêncio de um olhar feminino.

Peço desculpas por te procurar mais uma vez, mas há momentos em que o silêncio se torna um fardo pesado demais para se carregar sozinho. Senti que precisava deixar o coração falar, nem que fosse pela última vez. Com o tempo, aprendi que amar alguém de verdade não é sobre posse, nem sobre lutar contra um "para sempre" que o destino resolveu redesenhar. Amar é, acima de tudo, ter a generosidade de permitir que o outro seja feliz, mesmo que essa felicidade floresça em um caminho bem longe do meu.
O amor verdadeiro possui uma natureza silenciosa e resiliente. Ele não sucumbe à distância, nem se apaga com o simples passar dos anos. Em vez disso, ele se transmuta; vira memória, vira o abrigo onde descanso nos dias mais cinzentos. Ninguém esquece um grande amor de fato; a gente apenas desenvolve a arte de conviver com a sua ausência, como quem aprende a respirar em uma altitude diferente.
De vez em quando, ao fechar os olhos, ainda lembro da única foto que tiramos no Mercadão. Você com um sorriso lindo e com os olhos brilhando mais do que as estrelas daquela noite maravilhosa. Uma foto que só ficou na memória, já que, naquele tempo, a imagem do celular era péssima, mas a nitidez do que senti continua intacta.
Sabe, ainda existe aquela música... a nossa música. Toda vez que os primeiros acordes tocam, o mundo ao meu redor emudece e, por alguns segundos, eu só consigo enxergar nós dois. A letra se tornou o espelho da minha alma:
"O tempo passou, só que nada mudou / O mesmo vazio de antes / Sua voz eu ouvi, nosso mundo eu senti / E a mente vem recordar / Do mesmo perfume, do mesmo olhar / O beijo que o tempo guardou / Invade a razão, toma o coração / E a saudade me faz lembrar."
Passei anos evitando te procurar. Tive medo de reabrir cicatrizes que nunca se fecharam por completo. Escolhi o isolamento do sofrimento por acreditar que o silêncio seria mais "saudável", mas a verdade é que ele acabou me corroendo por dentro. Desde a última vez que a gente conversou, eu te falei e repito: você sempre será o meu grande amor.
Se um dia me perguntarem sobre arrependimentos, minha mente voará imediatamente para aquela viagem a Petrolina. Eu não deveria ter ido; aquele foi o marco de uma partida que eu nunca quis aceitar. Eu sei que o tempo é um rio que não corre para trás, mas saio deste silêncio com uma única certeza inabalável: você nunca poderá dizer que eu não te amei.
Tentei o impossível para te esquecer. Lutei contra as lembranças e busquei novos ares, mas cheguei à conclusão de que a única forma de apagar você seria perdendo a memória ou fazendo um "reset de fábrica" na alma. Como isso é impossível, escolho aceitar que você foi o meu sonho mais mágico — um daqueles que nunca mais se repetem, restando apenas como as lembranças perfumadas de uma primavera eterna em meu peito.
Sigo agora o meu caminho, levando o que foi bom e deixando para trás o que dói. Desejo tudo de bom para você

Há amores que não viram passado, viram poesia guardada no lado esquerdo do peito.

Há quem queira apenas o seu riso, mas o amor verdadeiro se apaixona pela sua cura.

Há amores que não se anunciam, mas se reconhecem no olhar que se encontra. O meu não pediu licença, apenas se fez presente, como a certeza que não precisa de provas. Em você, descobri que o infinito não é uma distância, mas um instante compartilhado. E é nessa simplicidade, no ato cotidiano de escolher você de novo a cada manhã, que mora a mais profunda das declarações. Não prometo eternidades, prometo presença. E que a nossa história seja escrita na calmaria de um sentimento que não precisa de testemunhas para ser verdadeiro.

Não há vitória no confronto com quem um dia foi seu abrigo; a única vitória real é a paz da distância.

A viúva não tinha filhos. Sua fidelidade parecia moldada em ferro. Sem o marido há dez anos, trazia a bíblia gasta como única herança. O dízimo era sua prioridade absoluta. Apertava o orçamento da pensão mínima. Pulava refeições cotidianas. Mesmo assim, a igrejinha do bairro recebia suas notas amassadas pontualmente. Todo início de mês era igual.
Até que o corpo cansou. Uma pneumonia severa a acamou. Roubou-lhe as forças e a voz. Sem conseguir andar, a idosa olhou ao redor. Só encontrou o deserto absoluto. Nenhuma mulher do círculo de oração bateu à porta.
O único que estendeu a mão foi o vizinho ao lado. O jovem usava roupas coloridas. Tinha trejeitos que o líder usava como exemplo de erro no altar. Era alvo de sussurros maldosos na calçada do templo.
Nas primeiras semanas de cama, a senhora preocupou-se com a obrigação religiosa. Apontou com o dedo trêmulo para a caixinha de madeira. Ali guardava o dinheiro suado. Sem julgar, o rapaz pegou o envelope. Sabia da escassez da idosa. Tirou do próprio bolso o triplo daquele valor. Colocou tudo dentro do papel.
Ele foi até a igreja. Suportou os olhares de nojo da liderança no fundo do salão. Entregou a contribuição dela e saiu. Fez isso três vezes seguidas.
No quarto mês, o estado de saúde agravou-se. A mulher já não falava. Comunicava-se apenas pelo brilho marejado dos olhos. O rapaz percebeu a realidade. Notou que o sagrado não morava no gazofilácio daquele templo. Parou de enviar as notas.
Usou cada centavo para comprar os remédios caros. Comprou fraldas geriátricas e sopas batidas. O jovem limpava o suor da testa da senhora. Trocava seus lençóis com paciência. Segurava sua mão nas noites de febre alta.
Enquanto isso, o banco dela na igreja permanecia vazio. O silêncio da liderança era ensurdecedor. Nenhum clamor aconteceu. Nenhuma visita foi feita. Nenhum telefonema ocorreu. A ausência do envelope cancelara a existência daquela ovelha.
Meses depois, a viúva estava em lenta recuperação. O rapaz cruzou com o líder em uma avenida movimentada. O homem caminhava em seu terno bem cortado. Carregava uma pasta de couro luxuosa. Ao avistar o jovem, o religioso tentou desviar o caminho. O rapaz postou-se à sua frente.
O homem engoliu em seco. Tentou manter a pose formal. Disparou o jargão conhecido:
— A paz, rapaz. Como vai a nossa irmã? Estamos orando por ela. Ela sumiu. Até a tesouraria sentiu a falta dela.
O jovem não gritou. O tom de voz foi baixo e cortante. Parou o tempo ao redor:
— O senhor sentiu falta da contribuição. Nunca da mulher que a entregava. Há meses ela perdeu a voz. Há meses o prato dela é garantido por quem o senhor condena no altar. Enquanto o senhor preparava sermões sobre o amor, eu limpava a urina dela.
Ele respirou fundo e continuou:
— Enquanto suas ovelhas puras se afastavam com medo da doença, o rejeitado aqui alimentou a viúva que sua teologia descartou. O dízimo dela não foi cortado. Ele só mudou de endereço. Deus cansou de financiar o seu teto de gesso. Ele desceu para comprar remédios. Passe bem.
O homem permaneceu estático na calçada. Ficou com a boca semiaberta. Foi engolido pelo peso da própria insignificância. O rapaz deu as costas. Voltou para a casa simples. Ali o verdadeiro culto acontecia. No silêncio de um quarto que cheirava a desinfetante e amor puro.

No dia em que o adeus rasgar a nossa última folha, o teu peito há de sangrar a certeza de que fomos o último enigma que o destino esqueceu de apagar.