Ha como eu Queria q ela Soubesse

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Há na gratidão uma altivez sublime que o ingrato ainda desconhece.

Há em cada um de nós um território inexplorado; o tempo nos revela ao mundo e desenha, pouco a pouco, o retrato de quem realmente somos.

Há no tempo um poder de revelar prioridades; nos direciona para tudo que nos é vital, deixando amainadas as nossas urgências.

O invejoso se torna coadjuvante na vida alheia; onde há inveja, a vida do outro deixa de ser apenas do outro.

Há quem atravesse a existência inteira sem sair da caverna das aparências.

Entre aquilo que vejo, ouço, tateio, provo e respiro e o real, há uma distância que não sei medir; mas o desconhecido logo me revela a pequenez do que sei.

Não é apenas o trabalho árduo que nos faz vencer; há riqueza também em cada passo do caminho.

Sem noite, não há dia produtivo.

O Prisma Velado


Um estranho tingido de nuances
tenta ocultar-se sob o peso das dores,
mas há uma claridade que vaza pelas frestas,
teimando em revelar suas cores.


Veste falas ásperas, molda controvérsias,
mentindo sobre a própria essência:
tem o olhar transbordando vida,
enquanto a boca impõe abstinência.


Cuidado, ele assusta.
É caminhar sobre lâminas de vidro;
basta um sopro, uma palavra mal posta,
para que o castelo caia, desvalido.


Inseguro, tropeça no próprio silêncio,
anseia pela escuta, mas recua no umbral.
Há um universo contido nesse peito,
que se veta o direito de ser real.


Brilha, pequena luz, rompe o casulo.
Esconder o sol não lhe faz sentido.
Seja agora, ou em um futuro mudo,
o amor reclama o que foi reprimido.


Essa hesitação cederá terreno
ao que pulsa e, doce, seduz;
uma voz que o retira do ermo
e o convoca, enfim, para a luz.


Não economize a alma, não se limite à razão.
Voe para além do que o medo condiz.
Busque o néctar, o mel, a entrega;
há doçura esperando quem se quer feliz.


O amor não pede licença nem explicação:
ele chega sem alarde, desarruma o porto,
e faz um belo estrago na solidão
dessa sua iludida arrumação.


Poesia de Islene Souza

Há quem brilhe exatamente onde alguém se apagou.

Há sorrisos que escondem noites que ninguém viu.

Despertar.


Acordei há pouco,
Aproveitei e vim
Para dividir com você
O meu sonho.

És verso
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,

FILHO DO PARÁ



“Ó Pará, há tempos que vim de lá.

Deixei a solidão conduzir-me o coração,

como tua estrela solitária,

que exerce autonomia.

Recordo-me de que de ti herdei a cidadania.

De verdade, eu sou de lá,

da terra do Norte quente,

e tenho apreço por essa gente,

que, em festa, muito contente,

vem hoje se declarar:

eu te amo, meu Pará!

Pois, sou teu filho, sou guerreiro,

sou paraense, brasileiro!”

Tasselo Brelaz

A Escuta que Cura


Há uma força que não se impõe —
apenas se oferece:
a escuta.


Não a que responde rápido,
nem a que prepara defesa —
mas a que se inclina,
inteira,
para caber o outro.


Escutar é abrir espaço
onde antes havia ruído.
É suspender o próprio peso
para sustentar o que chega.


Há dores que não pedem conselho —
pedem presença.
E, quando encontram abrigo,
começam, por si, a se reorganizar.


A escuta verdadeira não interrompe —
acolhe.
Não julga —
compreende antes de concluir.


E nesse silêncio habitado,
algo sutil acontece:
o que estava fragmentado
encontra forma.


Porque ser ouvido —
de verdade —
é uma das experiências mais raras
e mais restauradoras que existem.


— E quem aprende a escutar,
torna-se instrumento de cura
sem precisar dizer quase nada.


Ir. Paulo Tondella

Há um pouco de tudo em tudo que vemos.
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.

O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.

A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,

Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.

Em sílabas mortas o guardião fez moradia.
Trancou a porta e se afogou na água fria.
Sentiu-se imponente sob o sol da manhã

Gotejou lampejos de suplício na tarde vã.
Lutando contra o mundo, soldado único se fazia.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,

e presenteou suas lembranças no esquecimento da sua história... (Júlio Raizer)

Aquele que almeja alcançar pleno êxito há de ser paciente, e nunca se precipitar em conclusões abruptas.

Há pensamentos que não emergem da clareza conquistada, mas do colapso das defesas. O ego, enquanto sustenta suas versões de si e do mundo, mantém a ilusão de controle; quando o esforço se torna insustentável, algo cede — e é nessa fratura que certas verdades surgem não como insight buscado, mas como residual do que não pôde mais ser evitado. A clínica reconhece essa fenomenologia: a iluminação que chega no limite do esgotamento, não como prêmio da resistência, mas como o que sobra quando ela finalmente falha. É uma forma de lucidez que não se conquista — se recebe, quando o psiquismo já não tem fôlego para fingir.

Há estados de suspensão que o ego não governa — intervalos em que o aparato psíquico parece recuar de si mesmo, desacelerar sua produção sintomática, poupar energia de defesa. A clínica os reconhece não como patologia, mas como autorregulação: o psiquismo que cessa antes de romper, que retrai antes de dissociar, que descansa para não entrar em colapso. É o organismo fazendo o trabalho que o ruído da vida cotidiana impediu. Quando a engrenagem retorna, volta com mais fluência — não porque foi reparada de fora, mas porque o silêncio fez o que nenhuma intervenção externa conseguiria substituir.

"Não há melhor calmante que ORAR, tampouco maior estimulante que ouvir a VOZ do Abba te falar."

—By Coelhinha