Ha como eu Queria q ela Soubesse
Quanto a mim o amor passou...
Eu só lhe peço que não faça... Como gente vulgar...
E não me volte à cara quando passa por si...
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor...
Fiquemos um perante o outro...
Como dois conhecidos desde a infância...
Que se amaram por quando meninos...
Embora na vida adulta sigam outras afeições...
Conservam nos caminhos da alma...
A memória de seu amor antigo...
E inútil...
Eu quero ser como água. Limpa, transparente, fonte de energia, mas que quando se rebela é capaz de inundar o mundo.
Eu esqueci você como deveria, claro que sim. Exceto quando escuto seu nome ou o riso de outra pessoa quando é igual ao seu.
E eu não aguento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.
Nota: Trecho da crônica As crianças chatas.
...MaisÉ por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro.
Como assim eu mudei? Quando?
- Quando deixou de ser aquilo que era. Até mesmo quando deixou de fazer questão de todas essas coisas que eu resolvi dar importância. E só dei importância porque quis que você soubesse o quanto eu o amo, o quanto sempre o amei. Antes eu nunca tivesse dito absolutamente nada do que eu disse. De repente, não estaria doendo como dói agora. Mas mesmo querendo muito a sensação de me arrepender de ter dito tudo o que eu disse, prefiro mesmo que você saiba. Um dia talvez você entenda o quanto a sua distração me dói, o quanto esse seu silêncio me rasga. O quanto machuca ver que se estragamos o que poderíamos ser, não foi por causa das nossas muitas brigas ou diferenças, foi porque desistimos de ser aquilo que sempre fomos não querendo estragar o que já tínhamos sido sem erro algum. E se isso vai te fazer feliz então seja. Mas não vai ser comigo.
Eu sou o medo da lucidez.
Choveu na palavra onde eu estava.
Eu via a natureza como quem a veste.
Eu me fechava com espumas.
Formigas vesúvias dormiam por baixo de trampas.
Peguei umas ideias com as mãos - como a peixes.
Nem era muito que eu me arrumasse por versos.
Aquele arame do horizonte que separava o morro do céu estava rubro.
Um rengo estacionou entre duas frases.
Um descor
Quase uma ilação do branco.
Tinha um palor atormentado a hora.
O pato dejetava liquidamente ali.
Metade
"Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo..."
Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar.
Sabe, mocinha, eu sou como o ar.
Etéreo. Inconstante. Imprevisível.
Eu posso te carregar comigo,
soprar suavemente em teu rosto,
ou simplesmente ir embora, bruscamente, feito furacão.
Mas curiosamente, isto não depende de minha vontade:
tudo depende apenas de você
e de como você será comigo.
Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quantas mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
Médico e o monstro da solidão
Era “neuro”, como dizem. Já nem sabia mais se queria aquela profissão porque não tinha escolhido a medicina para “salvar pessoas” e sim para “salvar sua conta bancária”. Trabalhava que nem um condenado para tirar 6, 7 paus por mês, o que não era péssimo mas estava longe de ser enriquecedor. Pra piorar, não agüentava mais a vida real com toda aquela galera doente e queria virar cineasta.
Ela era “neuro” também, como dizem também. Já estava no décimo ano de terapia e continuava igual, fazia parte da sua alma, não tinha jeito. Era poeta, tinha até um site onde vomitava textos pesados e sem rima. Detestava os poetas tuberculosos que tinha estudado para o vestibular.
Em comum, além da abreviação, eles tinham a vontade de deixar de ser singular. Foi aí que ele, um dia, depois de tomar banho e não ter vontade nem de se vestir (pra quem?), digitou no google a palavra “solidão”. Caiu direto no site da garota neurótica. Era uma poesia que se chamava “solidão o cacete”.
Essa internet expõe mesmo as pessoas, ele pensou. Ainda bem, ele pensou quando viu a foto dela e achou a mistura daquele texto com aquele rosto algo merecedor de mais exposição:
-Ei, figura, tudo bem? Caí aqui no seu site, nessa noite quente por fora e fria por dentro. Sou neurocirurgião, posso abrir sua cabeça. Não que você seja limitada.
Ela, que não estava acostumada a responder esse tipo de e-mail (sua mãe moderna sempre dizia “naum tc com estranhos”), resolveu abrir uma exceção porque achou o máximo falar com um neurocirurgião e também porque pensou que ele devia ganhar bem:
-Ei, figura, tô precisando muito que alguém me faça uma lavagem cerebral. Conta mais.
-Só se for ao vivo.
-Fechado.
Se encontraram na Fnac da Paulista, ele era alto demais pro gosto dela, ela baixa demais para o dele. Foto engana. E o pior é que nem o papo manteve-se à altura do esperado.
-Sabe, sou louca. Odeio o mundo.
-Você é mais normal do que imagina.
-Nunca saí com um fã.
-Isso não é um encontro.
-Eu sou feia?
-Linda, mas não faz meu tipo.
-Ótimo, uma amizade dura mais que um amor, nunca mais vamos sofrer de solidão.
Ela foi falsa com as palavras cheias de rapidez empolgada, ele com o consentimento cheio de sorrisos encantados. Conversaram amenidades, comeram pão de queijo, falaram mal de um casal freak que se beijava na frente de crianças, ensaiaram um beijo desconexo para manter viva a chama do teatro e não decepcionar a tarde que se despedia esperançosa, desceram as escadas rolantes e deram graças a Deus quando tudo acabou.
Por trás daquele e-mail morava o homem da vida dela, sensível, engraçado e charmoso. Ela não podia perdoá-lo por não ser ele. Por trás daquele e-mail morava uma loira gigante, corpulenta e que fala “cacete”, aquela menina metida a intelectual merecia a morte.
Se é pra amar, me ame de verdade, se é pra viver que seja juntos, se não for assim nunca mencione tal frase “eu te amo”, pois para algumas pessoas ela pode significar o mundo.
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