Grito de Protesto
Eu grito por dentro,
mas por fora finjo paz.
Carrego pesos que ninguém vê,
cicatrizes que ninguém desfaz.
Eu tento ser forte,
mas algo sempre me puxa pro chão.
É a guerra silenciosa
travada dentro da minha própria mão.
E quando a dor volta,
ela fala mais alto que a razão.
Mas eu sigo — quebrado, sim —
porém vivo,
com a alma sangrando na palma da mão.
— Valter Martins / Santo da Favela
A ansiedade me prende em um mundo silencioso.
Grito por dentro, mas ninguém escuta.
E é nessa solidão que me afundo,
mesmo rodeado de gente.
"Quando tudo gritar pra você parar, lembre: o silêncio da persistência é o grito da vitória que vem."
Eu sou abrigo pra quem quer abrigo,
sou teto em dia de tempestade,
sou silêncio que acolhe o grito,
sou presença quando falta verdade.
Sou a paz pra quem busca descanso,
sou colo pra quem já cansou de lutar,
sou ponte onde só havia abismo,
sou luz mesmo sem me deixarem brilhar.
Sou o ombro que não cobra retorno,
sou escuta que não exige voz,
sou inteiro mesmo sendo quebrado,
sou muitos, mesmo quando estou a sós.
Sou o que fica quando todos vão,
sou raiz em solo que não me quer,
sou amor sem manual de uso,
sou força que ninguém vê de pé.
Mas também sou limite, sou freio, sou fim, alguns me chamam de doido e o sem noção quando querem me manipular,.
sou o não que aprendeu a dizer sim pra si.
Porque ser tudo pra todos me fez quase nada, e agora sou tudo pra mim.
E sou sim pra quem quer ficar ao lado do respeito e da dignidade .
Evans Araújo
O Haka da Terra na cop 30
O grito que vem da Nova Zelândia ecoa no mundo.
É o haka, voz antiga do povo Māori,
que atravessa oceanos e chega até Belém,
trazendo o mesmo pedido que a floresta faz em silêncio:
respeitem a Terra.
O haka não é apenas uma dança.
É o coração pulsando no corpo do povo.
É o som da alma quando o homem lembra que também é natureza.
Cada batida no peito é um trovão chamando à consciência.
Cada olhar feroz é um espelho, perguntando:
O que você tem feito pela vida que te sustenta?
Na COP30, esse grito se transforma em símbolo.
Símbolo da resistência dos povos que nunca deixaram de ouvir a voz da Terra.
Símbolo da união entre culturas que sabem que o planeta não é propriedade —
é mãe, é lar, é vida em movimento.
O haka é o despertar.
É o rugido da floresta, o choro dos rios,
o sopro dos ventos pedindo respeito.
É o lembrete de que somos filhos do mesmo chão
e que lutar por ele é lutar por nós.
Hoje, o haka ecoa em Belém.
Ecoa nas ruas, nas vozes, nos corações.
E cada batida de pé no solo é uma promessa:
a Terra viverá — porque nós decidimos lutar com ela.
“Há um silêncio que ecoa nas trincheiras da favela: o grito contido das verdadeiras vítimas.”
— Bergson Willian
Silêncio, não de paz, é o grito da morte.
Vazio, ausência absoluta de vida.
Escuro, sem luz estou agora pois, para onde me esforço a observar, me pego na dúvida eterna se fechados estão minhas pálpebras ou aberto estão meus olhos sem brilho da luz que um dia jurou me guiar.
A perda se torna intensamente triste, quando se tem a presença constante do medo dela.
A alegria esta sempre ocupada, enquanto a tristeza disponível sempre esteve, sentirá que a presença da tristeza deixará tu e todos para baixo.
Já no topo, grudado com a alegria, ocupado demais para lembrar da tristeza, esquecerá que foi a tristeza que te fez subir, foi a disponibilidade da tristeza que te levou a ocupação da alegria
Tristeza, o lado oculto da alegria onde dizem citar por aí que, que há de haver um fardo dez vezes mais pesado que a tristeza humana.
Alegria, ocupado demais para explicar
- Poema feliz, de uma pessoa não tão feliz assim. De Leonardo Cestari Silva
Compêndio de Chuva
Cai a chuva, melancólica e lenta, como um grito que o tempo inventa.
Em cada gota, um som, um tom, que o vento leva — e traz o teu batom.
O teu rosto vem, em bruma e luz, como se o céu em ti se traduz.
Enquanto o mundo se desfaz em água, o meu peito arde, embora os meus olhosse alaguem em frágua. O teu toque é sinfonia de chuva,
que compõe a minha alma, e acende lua turva . E eu, perdido entre trovões eos relâmpagos do meu silêncio, encontro-te em cada canto da minha pele em compêndio.
Que chova, amor — que o mundo escorra, que o tempo pare, nesta dor de masmorra. Pois se é na chuva que te penso e vejo, então que chova, só para te ter no beijo.Chove, e o meu mundo sopra o teu véu, as ruas das minhas veias choram sob o cinza do céu. No vidro, escorre o teu nome, lento, feito melodia, feito tormento.
Venha outubro, o fim do começo,
Grito de recomeço?
Ou apenas um talvez…
Que, de doze, restam três.
Enquanto conto os dias,
Rezo algumas ave-marias;
Em minutos, salta a hora,
Mesmo quando demora.
O tempo é secular,
Circula a orbitar.
Algum espaço lá fora,
Que só sintoniza o agora;
Sem duração ou extensão,
Nem pacto de dilação.
Nesse intervalo,
A vida é estalo,
Sopro divino,
O fim — traço fino.
Silêncio, grito preso, choro preso, silêncio.
Tranca, cadeado, cofre. Onde está a dor? Em qual lugar desse corpo vazio se esconde?
Onde está o sangue, o calor? Por que as veias estão vazias?
A pressão enlouquece ao mesmo tempo que anestesia. A mente engana, sai em desvaneio e de repente foca no ponto, e aí, aí vagueia de novo em um ciclo sem fim...
Só um buraco, oco, vazio.
As cores se foram, o cinza chegou.
Me tornei um dia comum, nublado, sem sol, mas também sem chuva, sem calor ou vento.
Só nublado, cinza, eterno.
O ponto de virada dramático
O eco do vazio preenche cada espaço. Não há nada. Não há sequer a dor, apenas a ausência. O sangue e o calor se foram, e a memória de quando estavam lá é o único fardo que o vazio não consegue apagar. A lembrança de um tempo colorido, de uma pulsação, é a tortura final, o sussurro de uma mentira que a mente insiste em reviver antes de se calar.
A tranca se dissolve, não por quebra, mas por corrosão. O cadeado enferruja até virar pó, porque não há mais nada a ser protegido. O cofre se abre, revelando nada além do ar rarefeito.
O cinza não é uma espera, é a resposta final. A mente já não vagueia, ela flutua, um grão de poeira insignificante em um espaço infinito e desprovido de qualquer coisa. E o drama maior é a constatação de que não há drama. Não há tragédia, não há reviravolta. Apenas o nada, perfeito, completo e eterno, que se instalou e a memória do que existiuecoa para sempre no que restou de minha vida.
a.c.g.c
Há coisas que só o tempo é capaz de colocar no lugar.
Nem o grito resolve,
nem o silêncio cura.
O tempo, esse velho artista invisível, molda, alinha, apaga, ensina.
Há dores que só o tempo traduz.
E há respostas que só ele revela,
sem pressa, mas com precisão.
Confia.
O tempo é lento,
mas justo.
"Entre o passado de prisão que ecoa no inconsciente, existe um futuro que anseia por um grito de liberdade.”
Um dia alguém vai notar quando foi seu último grito em silêncio!
Um dia alguém vai entender o quanto é importante dar valor a cada segundo...
Um dia, ah, um dia talvez será tarde demais!
Que a letra da lei floresça em justiça, ao nome reflete a alma e a esperança. O nome é o grito do direito de ser, de pertencer, de existir, sob o sol, sob o céu, sob o luar. A existência ao amar!
