Grama
A grama do vizinho costuma ser mais verde porque você perde tempo regando-a. Experimente regar a sua.
Deite-se sobre a grama e observe as nuvens, passe horas lembrando momentos felizes da sua infância, durma contando carneirinhos e sonhe. Ame. Tenha sempre um sonho, uma meta – ou mais – para realizar, para cumprir, pois são estes que movem não só a nossa vida como o mundo. Sorria para os desconhecidos, abrace um colega e faça amizades. Ame. E, sobretudo, sorria. Deixe seus dentes à mostra, como se estivesse sendo pago por uma marca de creme dental. Mostre aos outros – e a si mesmo- que, mesmo com todos os seus problemas, ficar emburrado não resolverá nada. Cuide. Resolva seus problemas. Supere seus medos. Faça coisas que jamais imaginou que teria coragem. Supere-se todos os dias. Leia! Não importa o que, mas leia. Tenha sempre um truque na manga para se sair bem de situações constrangedoras. Ria. Ria de tudo. Ria da vida, das pessoas, dos problemas… De você. Ria de piadas engraçadas – e sem graça – e conte piadas. Cozinhe. Dê um banho em seu cachorro e apenas ria quando ele se sacudir e molhar você por inteiro. Tenha coragem para assumir seus erros e tentar concertá-los. Peça desculpas. Não seja cabeça dura, pois se lembre: dois bicudos não se beijam. Demonstre seus sentimentos. Ame. Convença as pessoas a viverem em harmonia. Alegre-se com as vitórias alheias. Plante uma árvore e veja-a crescer. Tenha sempre consigo um trecho que lhe faz sentir bem e quando não estiver totalmente de acordo com a vida, leia-o e se sinta encorajada. Tenha fé e saiba que não importa no que você acredita, mas como você acredita. Prefira qualidade à quantidade. Ande de bicicleta. Coma salada e frutas. Ajude. Respire fundo. Antes de falar alguma coisa que magoará alguém, pense, repense e trepense, até acabar desistindo. Não imponha seus gostos. Aceite as diferenças. Ame. Seja firme, não mandão. Mas, sobretudo, ame! Ame com todas as suas forças e acredite: o amor não pode morrer. Se você não encontrou alguém que mereça seu amor, dê-lhe sem merecer, pois é nessas horas que mais se precisa ser amado.
O pôr-do-sol.
Ela estava sentada na grama olhando para o horizonte, até que ele chega e se senta ao seu lado.
- Você também gosta disso? - Ela perguntou.
- De quê? Não fazer nada? Mas é claro.
- Não seu bobo, de olhar o horizonte, sentir essa brisa fresca do fim de tarde, olhar o pôr-do-sol, fechar os olhos e suspirar, sentir o cheiro das flores e ..
- Eu nunca fiz isso antes..
- Como não? Nós sempre viemos aqui nos finais de tarde!
Ela começa a ficar desapontada com aquelas palavras. E já vai se levantando para ir embora. Ele a segura pela mão.
- Fica mais um pouco.
- Pra quê? Pra ver o pôr-do-sol sozinha?
- Não. É pra eu poder ficar te olhando por mais um tempinho, eu cheguei agora, ainda falta decorar os traços do lado esquerdo do seu rosto, e eu prometi a mim mesmo que hoje a noite já saberia cada traço de cor..
Batiam-me sol e brisa, a grama nos pés gritava e aquela árvore engenhosa desafiava minha coragem e equilibro. Senti paz, chamei-a felicidade.
Porque você está vivo? Porque nós iremos morrer?
Como grama, flores, animais e todas as coisas, ainda assim eu não compreendo
Ainda estamos energicamente vivendo desesperados
Repetindo todos os dias, indo e vindo
Não estamos vivendo apenas a fim de morrer
Ainda não estamos morrendo, a fim de viver
Todo mundo, Eu ainda procuro o significado em tudo isso
AO SEU LADO
Como um sonho....
Estar ao seu lado é algo como passear por um campo florido e grama verdinha.
Descansar a sombra de uma árvore enquanto
a brisa de um vento me toca o rosto.
Perceber que tudo que há de simples e puro,
torce para que essa paixão se perpetue.
Parar a beira de um precipício, abrir os braços
e vislumbrar
a beleza da paisagem,
a grandeza do infinito;
a harmonia da natureza;
e sentir a sensação de paz que invade a alma.
Sentir-me leve como uma pena e poder voar com os pensamentos de encontro aos teus.
Por um minuto fechar os olhos e ver-te,
abri-los e sentir que todas as coisas conspiram para que a chama dessa paixão,
a pureza desse amor, a loucura do desejo e a imensidão do todos os sentimentos que transbordam meus olhos e exalam de cada poro do meu corpo
seja eterno... E o infinito se torna a conta exata do quanto quero te amar e estar ao seu lado!!!!
Leveza
AH!
Que sonho bom
Eu queria ter a leveza
De uma pétala caindo
Em uma grama fofa
A de um beija flor a sugar o necta
A de uma ave a deslizar no céu
A leveza de um anjo ao ver o por do sol
O sorriso aberto de um bebe
Este e o meu grande sonho o de passar pela vida com a certeza de que tentei fazer o meu melhor...
E ainda que; Ainda nao consiga atingir esta leveza
Que eu possa dizer a todos
Que amei...
É bonito ser feliz, embora às vezes eu prefira deitar numa grama morna com o único objetivo de fechar os olhos e ficar em silêncio, sem pedir ou querer nada.
Saio à sua procura
quando não te encontro
eu vou à loucura
Deitada na grama
olhando para a lua
pergunto se me ama
como se eu fosse sua
Me lembro que sentei
bem do seu lado
olhei e pensei
este sim é meu amado
Então tentei te esquecer
mas foi impossível
aconteceu por merecer
o amor é inesquecível
Bem vindo julho
Mes de neblina que parece branca fumaça
De orvalho nos prados e na grama da praça
De criança em casa de férias escolares
De comer pipoca e se aquecer no aconchego dos lares...
mel - ((*_*))
Canto tristonho
Jogo de cores,
Com essas flores
Danço sozinha
Na grama fria
Parece um sonho
De meus amores
Sabiá gorjeia
Um canto tristonho
Ela deixava-se guiar pelo pensamento que direcionava os olhos para grama, que era verde, verde como a cor de uma casa, a casa dele.
O PEQUENO ADMIRADOR
Ouvi o primeiro ruído de cascos pisando a grama, mas continuei deitado de bruços na esteira que havia estendido ao lado da barraca. Senti nitidamente o cheiro acre, muito próximo. Virei-me devagar, abri os olhos. O cavalo erguia-se interminável à minha frente. Em cima dele havia uma espingarda apontada para mim e atrás da espingarda um velhinho de chapéu de palha, que disso logo o seguinte:
– Seu moleque, nunca mais se atreva a entrar em minha propriedade para roupar as minhas jabuticabas. Se voltar aqui novamente, vou ter de lhe ensinar uma lição mais dolorosa!
Seu Juca era fazendeiro, dono do Sítio Mirabela. Ele e sua esposa, d. Gertrudes, vinham de uma cidadezinha interiorana, recém-casados, para criar a família no interior do Espírito Santo. Tendo comprado uma propriedade não muito extensa na comunidade de Fumaça, no município de Santa Leopoldina, cultivava ali alguns pés de café para consumo próprio, tinha um milharal que ocupava pouco mais da metade da propriedade e um pomar com duas mangueiras, três goiabeiras e vinte e cinco jabuticabeiras.
A comunidade de Fumaça, atenta com os últimos avanços tecnológicos que eram diariamente apresentados noticiários de TV que chegavam a eles através do sinal das antenas parabólicas, conseguiu reivindicar uma melhoria nas escolas próximas a região, além de ser contemplada com uma equipe constituída de cinquenta profissionais da educação – mistos entre língua portuguesa, matemática e matemática financeira, química e física, biologia, empreendedorismo, direitos humanos, dentre outros – que vieram acompanhados de sociólogos com a finalidade de educar aquela comunidade. Dessa forma, apesar da imagem de caipiras que recebiam dos habitantes das metrópoles, aqueles caipiras em especial, possuíam amplo conhecimento.
Seu Juca foi o fundador de todo aquele movimento chamado EDUCAÇÃO CAIPIRA.
Zeca, um menino de onze anos que viviam com os pais e mais três irmãos mais velhos numa casinha próxima, era o menino que seu Juca tinha flagrado roubando jabuticabas. Era de baixa estatura, negro de cabelos crespos e de olhos cor-de-mel incrivelmente penetrante. Era conhecido na comunidade por possuir uma audição boníssima; era capaz de ouvir o roncar do motor de um carro há quilômetros de distância. No entanto, justamente naquele dia em que, faminto, entrara nas terras de seu Juca, a distração não lhe permitira perceber a presença do velho nas proximidades do pomar.
Seu Juca andava sempre armado com sua velha espingarda calibre doze. Apesar de velho, tinha fama de machão. Tinha uma personalidade dura e carrasca; não importava quem fosse a pessoa, se pisasse na jaca comeria até a casca.
Zeca estava faminto. Sua mãe e seu pai tinham ido até a cidade de Cariacica para fazer umas compras. Seus irmãos não estavam em casa. Sua mãe não tinha deixado comida pronta e, como não lhe restara outra opção, invadiu o terreno daquele velho ranzinza.
As jabuticabas eram as únicas opções que lhe restara. As mangas e as goiabas, embora sustentassem mais, estavam numa altura que para Zeca era inatingível; sua baixa estatura não lhe permitia alcançar as demais frutas.
Sua família, mesmo vivendo naquela comunidade onde quase todos eram de classe média alta, era uma família humilde. Não possuíam recursos suficientes para que vivessem despreocupados. Por vezes, passavam até fome. Sua mãe era lavava as roupas da vizinhança e seu pai vivia de bicos. Dois de seus irmãos ganhavam alguns trocados capinando quintais e sua irmã passava as roupas que a mãe lavava. Já ele, só fazia estudar, estudar e estudar. Sonhava em tornar-se professor de matemática; vivia perambulando às margens do córrego que passava perto de sua casa, com um graveto em mãos e escrevendo fórmulas matemáticas na terra vermelha, tentando calcular a largura do rio, ou até mesmo a velocidade da água.
Ele era uma espécie de admirador secreto de seu Juca, pois apesar de ser um velho rabugento com as crianças, era um homem muito inteligente, principalmente quando se tratava de matemática. Seu Juca era capaz de fazer contar que para ele ainda pareciam complicadas simplesmente com o a terra vermelha e o graveto da mente.
Zeca vira certa vez um menino na televisão que também adorava matemática. Entretanto, esse menino – que viera a torna-se seu melhor amigo, imaginário – adorava também escrever em um caderninho com cadeado sobre todas as suas descobertas matemáticas e sobre as pessoas que admirava. Sem hesitar, Zeca pegou um caderninho que a muito usava para desenhar – desígnio para o qual não havia sido convocado – e arrancou as poucas folhas usadas; arrancou também a capa que estava em péssimo estado, pintou-a com um giz de cera; seu caderninho não tinha cadeado, mas com um pouco de esforço, fez um pequeno furo no centro da borda das folhas e as confidenciava com um pedaço de arame que cuidadosamente era dobrado pelo menino.
O susto daquele dia o tinha deixado indisposto a escrever e a fazer contas, como fazia todos os dias. Suas notas em matemática eram sempre máximas e, por consequência da escrita que praticava em seu caderninho, também tirava ótimas notas em suas redações.
Com seus amigos, Zeca adorava contar sobre o que observava de seu Juca. O modo que ele tratava d. Gertrudes, o carinho e ciúme que tinha por sua única filha. O modo como mascava seu fumo. Como acariciava sua espingarda na hora de ia limpá-la, além de como a chamava de única amiga.
– Ele é um cara legal, Pedrinho. Mas ele nunca vai gostar de mim.
– Aquele velho caduco não gosta de crianças, Zequinha, não perca seu tempo com besteiras!
Já em Cariacica, os pais de Zeca preparavam-se para voltar para Fumaça. As compras já haviam sido meticulosamente arrumadas no porta-malas do Montana que haviam ganhado em uma promoção daquele mesmo supermercado que faziam compras no bairro Cariacica Sede. A alegria de conseguir fazer compras – que era indescritível para eles, já que não tinham esse privilégio sempre; já completara seis meses desde a última compra – emocionava aquele casal que eram sempre muito unidos. No caminho de volta, nas proximidades da comunidade de Fumaça, enquanto subia a Romana, um pneu da Montana estourou. O susto fizera o homem perder o controle do automóvel; resultado: perda total das compras, veículo bastante destruído e um humilde pai de família morto. A mãe havia ficado em Mangaraí, onde sua filha já estava esperando para iniciarem mais um dia cansativo de trabalho.
Zeca estava com seu graveto fiel nas mãos, sentado em uma pedra, resolvendo uma equação de segundo grau que vira na escola na sala de aula de um amigo. Ele estava próximo à Fazenda Fumaça e ouviu um estrondo gutural que vinha da Romana. Sem pensar duas vezes, guardou sem graveto no bolso, escondeu seu caderninho preso à caneta por debaixo da camiseta, fixo pela bermuda velha, encardida e rasgada que usava e correu para o local.
Ele apertava fortemente os olhos esfregando-os na intenção de certificar-se de não estar tendo um pesadelo ou uma alucinação. Custou para que caísse a ficha e suas ideias retomassem. A cena para ele era simplesmente chocante e inaceitável.
– Nããããããããããããããããããããããão!
Pasmo, Zeca correu aos prantos na direção do Sítio Mirabela, pelo mesmo caminho que sempre percorrera, mas que com seus pesares parecia não mais ter fim. Olhou para trás e a única coisa que viu foi uma nuvem de fumaça retilínea que vinha do brejo que a Montana estava.
Cinco segundos após avistar a fumaça, o que Zeca avistou foi uma enorme explosão.
– Papai! N-n-não p-p-pode s-ser...
Imediatamente correu para o sítio, para pedir ajuda àquele quem admirava. Lá chegando, encontrou seu Juca agitado e preocupado com a explosão que ouvira. Ele estava carregando sua espingarda na intenção de sair preparado para tudo. Ao ouvir os gritos de socorro do menino, o velho não pensou. O ódio que carregava dentro de si daquele menino falou mais alto. Na verdade, os três tiros que disparou com a Berna, como chamava a maldita arma, falou mais alto que os dois.
– Eu avisei que se voltasse aqui a lição seria mais dolorosa, excomungado dos diabos! Agora tente aprender, seu moleque infeliz!
Com uma frieza espantosa, seu Juca montou seu Manga-larga Machador e saiu em direção à Romana. Passou por cima do menino e esguichou um cuspe amarelado pelo fumo que vivia a mascar.
Ao chegar tornar a casa e saber a notícia da morte do menino e do pai, a mãe de Zequinha caiu enferma por amor; seus três irmãos, embora inconformados, não receberam permissão da mãe para acertar as contas com aquele velho assassino. Ela lhes dissera que não deveriam fazer mal ao seu Juca, pois o Filho Santíssimo não se agradava das pessoas más.
Quando retornou, seu Juca tendo ido retirar o corpo da criança que jazia morta em seu quintal, encontrou junto deste um pequeno graveto que reconheceu como sendo de um dos galhos de uma das jabuticabeiras de seu pomar. Encontrou também um caderninho ensanguentado que estava lacrado por um pedaço de arame. Praguejando o menino por sem um moleque intrépido e destemido, começou a destrancar aquele caderninho sem nenhum cuidado.
Abriu-o.
Estava escrito na primeira página:
Me espelho no senhor, meu matemático preferido.
Seu Juca, eu sou e sempre serei o seu maior pequeno admirador!
