Gota
A gota de esperança que havia em mim caiu em terra seca e evaporou.
Mas ainda me resta o silêncio que grita alto em noite estrelada.
Sufocando dentro do meu peito um ponto final em uma história sem começo.
Olho pelo retrovisor do passado e percebo que é preciso focar no horizonte, acelerando em busca de quem sabe um novo sonho.
Tempo tempo que corre com o vento e não volta mais.
Adriana Paulino
A chuva que cai, tão fria, tão densa,
Traz à memória uma dor tão imensa.
Cada gota que toca a terra molhada,
É o pranto de uma alma, tão devastada.
Os céus cinzentos, em luto profundo,
Revelam segredos de um amor vagabundo.
Corações partidos, em silêncio a gritar,
Buscando na chuva um jeito de sarar.
As poças refletem saudades perdidas,
Sombras dançam, memórias esquecidas.
Os trovões ecoam como um grito do peito,
Clamando por algo que nunca foi perfeito.
Mas mesmo na dor, há beleza escondida,
Na chuva que lava, cicatriza a ferida.
Pois cada lágrima, no fim, vai secar,
E um novo sol há de brilhar no lugar.
A última gota de orvalho será testemunha da paz
que se fará presente quando eu me for.
Esse ser insolente terá partido, enfim.
Tão mordaz em vida...
Farei questão de partir em silêncio sem lhe dar adeus.
SONETO PRIVADO
A tarde no cerrado cai, aquosa
Silente, e o pôr do sol rubente
A chuva, em gota lustrosa...
lacrimeja melancolicamente
Nesta languidez, a sensação
Duma aflição, vou suspirando
Enternecido, cheio de ilusão
E, lá fora o pingar em bando
Sinto o coração palpitando
Na solidão, e no devaneio
Assim, o tempo passando
Em um suplicante floreio
Nostálgico sinto arrepio
Demanda o pensamento
E a saudade no seu feitio
Cata poesia pro momento.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 dezembro, 2024, 17’43” – Araguari, MG
Criança é gota d'água
No colo da folha de taioba;
Dança , escorrega, desliza,
Brinca com a suavidade da brisa.
Aos poucos vai aprendendo
Que a brisa é o mesmo vento
Das tempestades da vida.
(Do livro: Contos e Prosas 2023)
Um dia..
Um dia lhe jurei
o meu amor,
Lhe doei cada gota dele.
Foi Quando me dei
conta de que ao lhe doar,
me esvaziei.
Aprendi que devemos
dividir, pois eu também
Preciso do meu amor,
Do meu Amor Próprio.
A culpa é como uma gota que se une ao oceano de culpa. Se deixarmos que ela se dissolva, não nos afogaremos em suas correntes. Devemos aprender a aceitar, perdoar e, assim, fluir com as águas da vida.
Nunca serei vazio
Por que estou cheio de saudade
E a cada gota de ausência
Um vasto mar de eternidade.
Se uma gota contasse histórias...
Imagina se uma gota contasse, com voz mansa e serena,
as histórias que viveu na pele da terra pequena.
Se lembrasse do choro que caiu no adeus,
ou do riso que brilhou nos olhos de um amor dos céus.
Talvez falasse da lágrima que desceu em silêncio,
no rosto de alguém que carregava um imenso fardo por dentro.
Ou da chuva que lavou a alma de quem recomeçou,
depois de um tombo que a vida, sem aviso, lhe deu.
Ela esteve no copo de quem matou a sede no deserto,
no suor de quem lutou por um sonho incerto.
Foi rio, foi mar, foi brisa e tempestade,
testemunha de guerras e também da liberdade.
Cada gota tem um ciclo, um caminho, uma missão,
assim como nós, nesse mundo em construção.
E se uma gota falasse, nos faria enxergar,
que até o menor detalhe tem seu lugar.
Porque viver é ser como água em movimento,
às vezes calmaria, outras vezes tormento.
Mas sempre fluindo, sempre a ensinar,
que até uma gota tem muito pra contar.
fiquei anos à deriva
uma gota no oceano
vivendo de poesias
eu sobrevivi amando
Riz de Ferelas
Livro de poesia Novos Ventos
Infelizmente, só prospera-se nesse país se o seu suor for sugado até a última gota e seu sangue comece a jorrar no lugar.
