Gostar de uma Pessoa
Cuida de viver e respirar a pessoa amada como se fosse ela a tua própria vida, para que ela perceba o quanto tu a amas, e para que não te depares com uma pessoa desconhecida no final de tua vida.
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.
Não tem idade. Não tem tamanho. Não tem peso. Não tem cor. Não tem pessoa certo. Tem o momento certo, o resto é detalhe.
É a pior morte, a do amor. Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona. A morte de um amor, ao contrário, é viva. O rompimento mantém todos respirando: eu, você, a dor, a saudade, a mágoa, o desprezo - tudo segue. E ao mesmo tempo não existe mais o que existia antes.
É curioso: dizemos palavrão desde a manhã até de noite, mas se ouvimos no rádio uma pessoa conhecida e respeitada pontuar suas frases com "essa gente é um pé no saco", ficamos um pouco decepcionados.
(A Insustentável leveza do Ser)
Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que “o que tem de ser tem muita força”. A gente não tem é que se assustar com as distâncias e os afastamentos que pintam. Mas, vantagens? Ah, isso também tem. A melhor delas é conhecer gente. Não tem coisa melhor (nem pior) do que gente. E, na minha opinião, não é plantado no mesmo lugar, caminhando sempre pelas mesmas ruas, repetindo ano após ano os mesmos programas, que você vai conhecer pessoas novas.
Enquanto tiver saúde vou rolando até encontrar qualquer coisa (ou pessoa) tão fantástica que me dê vontade de ficar ali para sempre.
Só queria gostasse de mim, na verdade que me amasse. Me desculpa se quero demais, mas, o meu coração não entende que não podemos ficar juntos. Então ensina pra ele a ficar sem ti ou então a te ter do meu lado. Explica que não é possível, mas explica com carinho, e se não quiser explicar também não tem problema. Só queria e quero que apenas fique, mas que seja do meu lado; ou então que vá, mas que seja pra voltar e se não voltar é porque não conquistei você por completo a ponto de criar raízes e motivos para ficar. E se não sou capaz de te fazer voltar ou ficar, não sou boa o bastante pra você, ou até melhor você não é o que vai fazer minha vida ficar de cabeça pra baixo, dando aquela revira-volta e me deixando descobrir que o avesso é o meu lado correto. Se não for forte o bastante pra ter sentimento, emoção e paixão, então que seja forte o bastante pra não ter saudade, sentimento e dor. Porque se tem dor e saudade tem amor, e isso não quero se não for bom pra mim, pra você, pra nós.
Não quero alguém que morra de amor por mim. Só preciso de alguém que demonstre em pequenos gestos que gosta de estar do meu lado.
Nota: Trecho adaptado de um poema muitas vezes atribuído, de forma errônea, a Mario Quintana.
Bipolo
Acordei sorrindo, vou dormir chorando... E assim vou tentando disfarçar o que sinto, vou tentando me enganar, achando que ainda pode dar certo, que meu tempo vai chegar. Vou falar! Não vou falar! Mas tenho que falar! Já falei! Será se devo repetir?! Acho que já entendeu, acho que também já entendi! Será se entendi? Posso ter entendido errado... Ou posso acreditar que não entendi, tentando me iludir que consigo esperar, será?! Mas esperar por algo que eu nem sei se vem?! "Você está se enganando, vai sofrer" é o que meu lado direito me diz, o da razão! "Espera, vai valer a pena, vai dar tudo certo" é o que me passa a parte esquerda, a da emoção, do coração! E agora?! Como agir?! O que fazer?! Me sinto perdido em meio a um labirinto sem saída, o dia está terminando, não mais consigo ver o sol, será se fui longe demais?! Será que consigo parar e voltar daqui?! Acho que as marcas na areia foram apagadas, algo me diz que devo seguir em frente! Se vim até aqui, por que desistir? "Segue em frente", volta a falar meu coração! E quem disse que o coração não tem um pouco de razão?! Quem disse que existem dois lados?! Na verdade tudo só faz parte de um sistema e eu nunca vou saber o que vai acontecer se não arriscar! Quer saber?! Posso me arranhar, posso me machucar, posso ajoelhar, e se cair, terei forças pra levantar, afinal, a vida é feita de desafios, e se quero chegar onde ninguém chegou, tenho que fazer o que ninguém fez. Cometi um erro anteriormente, pois hoje acordei sorrindo, mas na verdade não vou dormir chorando, vou dormir sorrindo, pois sei que que tenho forças pra lutar pelo que eu quero e não vou ficar aqui parado esperando simplesmente acontecer, não vou sofrer pelo que "pode" acontecer! Vou brigar por meu objetivo, se eu perder essa batalha, sei que morri lutando e não como um covarde que desistiu na primeira ameaça!
I do not know reason to love you more than love you.
What do you want to tell you more than love,
If you want to tell you is that love?
.................................................. ...................
When you talk, it hurts me that respondas
To which I say and not to my love.
.................................................. ...................
Ah! do not ask anything, before I speak
Insomuch that, if I was deaf,
You hear all the heart.
If I see you do not know who I am: I love.
If I fault [...]
... But you do, love, for me faltares
Even though me, because questions -
When should you love. If you do not love,
It shows you indifferent or do not want,
But thou art like nobody was
For search for love is not love,
And, if I search, it is as if I were only
Someone to tell you who you love.
.................................................. ...................
When I saw you I loved you long before:
Again I find you when I met you.
Born to you before the world.
There is no thing happy or happy hour
I have had in life by
That was not because I foresaw,
Because You Were Sleeping her future.
.................................................. ...................
And I knew him only later, when I saw you,
And I had the best sense to me,
And my background was as a 'strada
Illuminated from the front when
The car turns the corner with lanterns
The way and now the night is all human.
.................................................. ...................
When I was little, I feel
I loved you as far, but far ...
.................................................. ...................
Love, says any thing that I feel!
- I understand you do not feel well,
Oh my heart outside!
Fate, daughter of destiny
And the laws that are in the bottom of this world!
What art thou to me that I understand the point
From the feel ...?
O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alhieo, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza pára. O homem de acção considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.
Cai chuva do céu cinzento Que não tem razão de ser. Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer. Tenho uma grande tristeza Acrescentada à que sinto. Quero dizer-ma mas pesa O quanto comigo minto. Porque verdadeiramente Não sei se estou triste ou não. E a chuva cai levemente (Porque Verlaine consente) Dentro do meu coração.
O ANDAIME
O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!
Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.
A 'sp'rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha 's'prança,
Rola mais que o meu desejo.
Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.
Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.
Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!
Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.
Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças -
Mortas, porque hão de morrer.
Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.
Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.
Fernando Pessoa
