Genuíno

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Quando viajo, o que mais me interessa são as pessoas, porque só falando com elas é possível conhecer o ambiente.

A morte é de uma vulgaridade absoluta. Todos as pessoas que nascem acabam passando por ela.

Desejos achados na estação da alma...

Neste final de outono tem árvores
em que as folhas resistem ao tempo,
não se deixando ir...

Tal e qual como as pessoas,
que não se deixam ir abaixo
na primeira dificuldade!

-- josecerejeirafontes

Há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis ao mesmo tempo.
Viva cada dia intensamente.

Ainda sou do tempo, dizia ele, em que não havia tempo. Todo o tempo era meu. Tinha todo o tempo do mundo para mim. Para ti. Para nós. Dizem, agora, que o tempo foge. Que não há tempo. Que seria preciso mais tempo ao tempo. Que o tempo não chega. E chega então o tempo do fim do tempo. Trata-se o tempo como um inimigo. E o tempo só existe no tempo que lhe dás. Eu e tu existimos porque o tempo nos deu o tempo de viver.
Vive. Ainda vais a tempo.

Clausura

Sentado na ponta da mesa
Eu e minha habitual taça de vinho
Recluso, angustiado...
A cidade escura e tímida
As calçadas vazias, sem passos,
Sem alma
De súbito, todos se foram.
No outro continente: dor e choro...
Nos jornais, o mesmo refrão...
A humanidade chora.
Dias turvos...
Na playlist toca
“Estamos quase sempre otimistas
Tudo vai dar quase certo...”
Estás triste poeta?
Pela janela, a beleza do luar e do céu estrelado.
Os lábios untados de Merlot
Oro para que esse pesadelo acabe
Para que possamos sair da clausura
abraçar, beijar, cantar, dançar no ritmo e no enlace dos corpos
Por ora, deixa arrelvar tua alma de carícias, para que eu possa me manter longe das sombras...
As trombetas alarmam, sim,
Mas ainda temos a ciência, a fé e a esperança!
E nossa quota de versos para dar alento e alegria pro futuro!

Casa desarrumada
Pior que uma casa desarrumada é não ter um lar.
Não quero desarrumar nada, só digo uma coisa:
A alegria de viver é o que importa!
Ser alegre, mais que tudo, é saber que a casa não tem dono.
O dono? É tudo que enche de vida:
a chama no fogão, aquecendo o leite;
a cadeira de balanço ressuscitando lembranças;
os livros na estante provocando a beleza das ideias;
o amor prestes a acontecer no embalo de uma valsa;
o assoalho da sala sem brilho mostrando o movimento de gente;
o rosto alegre de um cão que, pela idade avançada silenciou o latido;
a doce voz de uma mulher reclamando "amor".
Uma casa de cheia de poucos amigos.
Desarrumada, assim como minhas certezas, é minha casa.

Cada segundo vivido é um milagre que nos é concedido,uma dádiva! Portanto não devemos reclamar da monotonia de um dia; pois muitos gostariam de ter esse tempo que simplesmente renegamos..

Março, é Outono

É março de dois mil e vinte
É outono no Brasil
O verde se funde ao vermelho castanho
Nuanças gradativas, nada linear
A tarde arde
A brisa do entardecer refresca, causa arrepios

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
Meu coração se aquece com as lembranças dos beijos cálidos e do olhar sereno e doce dela

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
As flores se desprendem e caem lentamente...
Dançam como bailarinas, suavemente, até encontrar a superfície

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
As ruas estão vazias
As famílias se reúnem em torno da mesa
Já não somos os mesmos e
temos medo até de respirar...

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
Temos que abdicar dos abraços, dos beijos...
aguardando para demonstrar afeto...
Por hora, sinta a poesia que alimenta a alma

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
Apesar da solidão, tudo é intenso, pensamentos caem na alma
Observo a liberdade dos pássaros
E preso a esse papel, escrevo!

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
Vamos lá poeta
Soou a trombeta para humanidade
A solidariedade agora é ficar
Observar de longe teu riso nos jardins
Sei que ficaremos bem
Juntos seremos um só novamente

É março de dois mil e vinte
É Outono no Brasil
Não teremos despedidas
Nem agradecimentos pela companhia
Nossa luz permanecerá acesa, tenha fé!
Mais alguns dias e a primavera virá
E tudo voltará a florir...

Na guerra, se o inimigo é invisível, qualquer amigo é suspeito.

⁠CUM DEI PRAESIDIO RESISTERE
Resistir Sempre, renascer como a Fênix que conhece o sabor adocicado do sangue, a dor imponderável da morte e o êxtase exasperado do renascimento. Sou inabalável, blindado com uma armadura intocável, estarei em pé mesmo depois de mil noites sob intenso bombardeio de meus inimigos...

⁠Quando o tempo esbranquiçar nossos cabelos, emudecer nossas vozes, baquear nossos passos, devemos dizer com a mesma emoção de hoje, meu pai, minha mãe, somos-lhes gratos!

⁠Independente do ocorrido, você assume o controle das consequencias mesmo que tenha perdido o controle da causa!

⁠Na quarentena, a gente percebe que enquanto algumas flores necessitam ser regadas todos os dias, senão murcham, outras flores não precisam ser irrigadas e dão flores o ano inteiro.

⁠Neste dia chuvoso, vaguei todo o tempo a procura do seu sorriso.

⁠ESTAR AO SEU LADO
Quero estar ao seu lado,
No frio gelado de inverno,
No calor escaldante de verão.
Quero saborear contigo as frutas do outono,
Fazer-te bela como as flores da primavera.
Quero ir ao seu encontro,
No seu coração fazer ponto.
Quero dar o lenço ao seu pranto,
Afagá-la com carinho e acalanto.
Quero motivar o seu riso,
Quero bordar dobrinhas no seu sorriso.
Quero dar luz ao seu olhar,
Criar asas e ensiná-la a voar...
Quero entregar-lhe, por inteiro, os meus braços,
Ir pra dança sem sair do compasso.
Quero dar-lhe a segurança das estrelas, no espaço,
Ampará-la com o laço do abraço.
Quero sussurrar-lhe palavrinhas aconchegantes,
Deixar em seu coração, uma Lembrança boa, marcante.
Quero vê-la feliz e radiante,
Quero ser seu par, seu amor e seu amante.
Élcio José Martins

⁠O AMOR QUER CHAMA
O amor quer o brilho do sol,
O calor do lençol,
Um riso colorido,
A cor do Ipê florido,
O amor quer chama,
Nada que engana.
O amor quer luz irradiante,
Um fogo vivo e constante.
O amor quer a cascata de espuma,
A neve em pluma,
A lua como testemunha
O amor se atreve ao forte,
Num coração como suporte.
Para quem ama, não há distância entre sul e norte.
Élcio José Martins

⁠A casa da vovó e do vovô.
Quando aqui chegar, encontrarás um harmonioso lar, terás conforto, carinho e muito amor. As portas do coração se abrirão para recebê-lo.
Nosso lar é construído com a cal do afeto, com os tijolos da harmonia e com o cimento da paz.
As portas estarão sempre abertas...
Aqui encontrará carinho, fraternidade e respeito;
Sentirá pureza D'alma;
Receberá o abraço com um laço de ternura;
Aqui terá brincadeiras livres e sem culpa;
Aqui poderá pedir a comida ao seu gosto;
Aqui poderá saborear as frutas, apanhando-as;
Poderá subir na árvore e colher a fruta mais gostosa;
Comerá bolo de chocolate, roscas, biscoitos e pão de queijo;
Comerá pamonha, mingau e milho assado;
À tardinha, comerá pipoca, pé de moleque e doce de leite;
Beberá o leite da vaquinha Mimosa;
Comerá o ovo da galinha pintadinha;
Ouvirá o cantar de seriemas e saracuras;
Poderá pescar no riacho;
Cavalgará no cavalinho Chuvisco;
Dará comida aos pombos, perus, angolas e galinhas;
Sentirá livre ao correr no gramado do grande quintal;
Acordará com a alegria do cantar do galo e dos passarinhos;
Aqui terá o conforto da liberdade;
Aqui terá a presença de Deus;
Seja bem-vindo meu querido neto! ...
Élcio José Martins

⁠O amor proibido é o mais desejado e até o mais querido.

Quando rotulamos ou julgamos alguém ou os seus atos, estamos a realizar profecias. Se desejávamos que aquele alguém mudasse os seus atos ou palavras, corremos o risco de perpetuar aqueles mesmos gestos ou atitudes. As pessoas acabam por se tornar aquilo que ajuizamos sobre elas. Um aluno ou uma pessoa rotulada como “mau” revelará e manterá esse mesmo comportamento negativo, aos olhos dos outros.
Somos os profetas do mal, porque acreditamos nele e somos peritos em avaliar, em julgar, em condenar e punir, ao invés de criar melhores relações e de contribuir para a mudança do mundo.

2019, José Paulo Santos
Comunicação Não Violenta