General
Uma história de injustiça brutal:
Até agora não há notícias do General,
Ele está em isolamento total.
Colocaram ele num isolamento desgraçado,
O General foi preso numa reunião pacífica,
Ele continua sendo brutalmente injustiçado.
Enquanto não libertarem o General
vocês me xingarem não vai nunca adiantar,
porque jamais hei de silenciar.
Uma prisão absurda sem igual,
O General está em brutal isolamento total,
A injustiça contra ele está letal.
Pensamentos como
falcões peregrinos
rodearam a mente
ao ter visto um General
interrogando o jovem
sargento rebelado:
Explicar com todas
as letras alguma
coisa para um povo
que vem sendo
severamente machucado
é algo muito desafiador,
Conversar e tolerar
os impulsos da juventude
é necessário para
impedir que caia
nas mãos de mercenários
por isso escrevo
aos poucos os poemas
para tentar dar meu recado
em tom reconciliador;
Há uma irmã que busca
há dez dias o irmão,
e há outra há dois meses
e assim tantas outras
de sótão em sótão,
e até agora nada mudou.
Só sei que continuo muito
preocupada com o General
que foi preso injustamente
no dia treze de março,
do ano de dois mil e dezoito,
continua passando sufoco
em ISOLAMENTO TOTAL,
e segue privado do acesso
ao justo e devido processo legal.
Venho fazendo uso
há mais de dois
anos poeticamente
do nome de um
General preso
injustificadamente,
Não tenho feito isso
indevidamente,
não me comporto
como um papagaio
da TV mentiu sobre
ele grosseiramente:
Apenas me queixo
infinitamente
por ele e pelo continente,
Pois colocaram o General
em ISOLAMENTO TOTAL,
E assim queixo igual
por tantos outros
presos de consciência
como o General
que se encontram
encerrados por
quem vive friamente.
Não posso apenas
ser uma observadora
da cena e me calar simplesmente,
Não há dia mais brando
para Mães com filhos presos
em condições injustas,
e mesmo para aquelas que
os filhos procuraram o caminho desviado,
Mãe é Mãe acima de qualquer autoridade
ou até mesmo
de qualquer pecado,
(Discordar não é
e nunca foi pecado),
O General foi
preso no fatídico
dia 13 de março no meio
de uma reunião (pacífica)
que nada teve de conspirativa,
e sim de natureza (contestativa)
de uma trágica realidade
que ninguém pode falar que é fantasia.
Enquanto a liberdade não
vem para um General preso
injustamente por uma falsa
acusação de instigação
a rebelião e para uma tropa
em igual política prisão,
Desde o dia treze de março
do ano de dois mil
e dezoito tenho
escrito este poemário.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
inundada de prisões
políticas intermitentes.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
que se esqueceram
que o Sol da Venezuela
nasce no Esequibo,
e que ali fica a nossa
dupla fronteira
venezuelana e brasileira.
Sem nenhuma perspectiva
de justiça e uma suposta
notícia de mudança
para o cárcere de Yare,
O velho tupamaro
em greve de fome resiste.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
que se cala para
os cinquenta imigrantes
mortos encontrados.
dentro de um
caminhão no Texas.
Eu sou brasileira nacionalista
e filha da América Latina
vibrante pela própria Soberania,
e por cada restituição
histórica nutro a estima.
Uma das coisas mais tristes e desprezíveis que já vi acontecer em igrejas nesses 20 anos de pastoreamento é a ingratidão. Pessoas falarem mal de alguém que só lhes fez o bem. O único exército que depois de vencerem a batalha atiram em seus próprios generais.
Os fatos levam à conclusão de que será sempre preferível suportar um mau governo a fazer uma boa revolução. A terapêutica revolucionária agrava os males do doente - a democracia - quando não o mata. Mais de três quartos de século de vida me permitem essa conclusão definitiva.
A sociedade que separa os eruditos dos guerreiros será pensada por covardes e defendida por idiotas.
É perda de tempo ficar discutindo com quem não quer paz. Em momentos como esse, só precisamos nos revestir de oração e deixar nosso General lutar por nós.
Aníbal cartaginês
A força de um movimento controlado, baseado no desejo insano da vingança,
A confiança e o medo andando juntos sobre a imagem de um poderoso animal,
O ataque, o terror nos olhos dos inimigos frente a fera até então nunca vista antes e com fama de devoradora de homens,
Um general em cima de um Deus, a natureza em ação na forma de pecado,
O homem e a fera levado ao encantamento, levado ao fracasso.
Pela reconciliação
caminharmos juntos
por uma nova história
no livro da eternidade
é colocar a Nação,
a tropa e o General
no centro do coração.
De quatro de fevereiro
a quatro de fevereiro
a história de uma tropa
e do último homem
a cavalo tem sido escrita
onde para a justiça
não há uma luz
no final do túnel
e tampouco há uma saída.
As festas e o aniversário
passaram por todos,
ele não foi libertado,
outros presos de consciência
estão em igual calvário;
eis o signo deste poemário
que vem sendo traçado
para que nada seja olvidado.
De quatro de fevereiro
a quatro de fevereiro
a mística do movimento
nunca mais foi vista
desde o treze de março
fatídico do tal ano
que levaram o General
injustamente preso,
e há quem comemore
o dia quatro de fevereiro!...
Não houve Revolução Judicial,
Ele é vítima conspiração brutal,
Não pode nem se defender na tribuna,
A liberdade perdeu de forma injusta,
A revolução tem nas veias,
Ele é preso de consciência como outros paisanos, a tropa e o General.
Entra Natal e sai Natal
tudo tem se repetido,
Ninguém sabe quando
terminam as penas
de cada preso político,
A responsabilidade
por cada reclamo poético
sempre vivo assumindo.
Por utopia insistente
venho pedindo este
e os próximos Natais
com elevado sentido
de ter nunca mais
na vida presos políticos.
Não quero um Natal
repetido: com tupamaro
histórico perseguido e preso,
com professor desaparecido
com heróis reprimidos
e com culto a incoerência.
O quê tenho escrito
serve para mim, para ti
e para quem quiser tirar
proveito toda às vezes
que deixamos esquecido
o nosso protagonismo
independentemente
do grau de importância.
Porque enquanto houver
uma tropa inteira presa
e um General injustamente
preso por pensar diferente,
Onde quer que estejamos
estaremos presos sem
mesmo com que percebamos.
