General
Quando perguntei
desde o início
da injusta prisão
onde estava o General,
perguntei de tanta
gente igualmente
que passou e passa
pela mesma situação,...
E sigo perguntando:
onde todos estão?
O engenheiro,
o coronel, o sargento,
as mulheres,
as namoradas,
o General velho,
todo e qualquer
desconhecido,
e até mesmo a Justiça.
E sigo perguntando:
quando acabará
esta crucificação?
Até sem resposta
sigo perguntando,
porque se interessar
pelo próximo
mesmo não tão
próximo é humano.
E sigo perguntando:
é só sacrifício
a ofertar à população?
O hábito abrupto
de cortar qualquer
contato ali sempre
ocorre insistente,
tem nome,
tem sobrenome
e responde por
desaparição forçosa.
E sigo perguntando:
por que tanta agressão?
Até agora nestes dois
anos de injusta
prisão e sem resposta:
a única certeza é
que a saúde do General
segue em marcha
rápida de deterioração,
porque não há
por parte da Justiça
vontade até agora
não há de buscar
para o injusto
ocorrido a correção.
Há dois anos na vida
do General foi que
começou essa aberração.
Querendo saber
como se encontra
o General injustiçado
desde o dia treze
de março do ano
de dois mil e dezoito,
aprisionado num
martírio infinito, lento
e sem esperança
nenhuma de justiça,
ando revisitando
e revisando cada
poema que foi escrito,
buscando no escuro
do mundo o mistério
a ser esclarecido:
É assim que tentando
entender tudo o quê
se passa na Venezuela
e na América Latina.
Passaram três meses
ninguém foi punido
lá na Bolívia
para fazer dissolvida
a história
da nossa memória:
Estão apagando
aos poucos os vestígios
dos massacres
de Senkata,
Sacaba e Yapacaní;
Autorais frutos
das mãos imundas
por um golpe absurdo
de um abissal inimigo,
que deseja que
até estes capítulos
sejam esquecidos,
e bloqueios imperiais
por nós sejam
celebrados como
se fizesse parte
da lógica ser aceitos.
Um jovem sargento
atirou nos companheiros,
é quatro de fevereiro,
o General e a tropa
continuam presos,
é quatro de fevereiro.
Não posso ver com
melhores olhos
uma justiça foragida,
é quatro de fevereiro,
os homens de poder
já deveriam ter corrigido
o rumo do destino,
é quatro de fevereiro.
Não tenho mais força
para subir a colina,
é quatro de fevereiro,
ao invés de comemorar,
não paro mais de rezar,
é quatro de fevereiro.
No meio do caminho
as visitas foram
mandadas de volta,
é quatro de fevereiro,
e ainda há queixas
sobre a incorporação
das milícias,
é quatro de fevereiro.
Os meus versos
se esculpiram de tristeza,
é quatro de fevereiro,
o Comandante Supremo
não está satisfeito,
é quatro de fevereiro.
É quatro de fevereiro,
não adianta comemorar
com o peso desta
alma latino-americana
por um povo inteiro
se sentindo pisoteada.
Feliz Aniversário, General!
A data de hoje leva
o meu número preferido
do Tarot em tempos
de pleno autoritarismo.
Feliz Aniversário, General!
Ah! Este nosso continente
que não anda
nenhum pouco normal...
Feliz Aniversário, General!
O Nazismo e o Comunismo
andam sendo tratados aqui
como fatos corriqueiros.
Feliz Aniversário, General!
Por pensar diferente ser
taxado de sedicioso
em alguns rincões já é natural.
Feliz Aniversário, General!
La Abuela Kueka será repatriada
e a sorte da tua gente indígena
anda a cada dia mais desgraçada.
Feliz Aniversário, General!
Por ti mesmo e por quem
o senhor poderia servir
e estás fazendo uma falta danada,
o dia que o senhor sair
da prisão vai se chocar
com essa Humanidade virada.
Feliz Aniversário, General!
O monstro da burrocracia
nos persegue e temos
que aceitar como normal.
Feliz Aniversário, General!
Eu sigo em marcha indignada:
as vozes de Abya Yala
estão sendo silenciadas,
as ruas da Bolívia
estão todas militarizadas.
Feliz Aniversário, General!
O drama dos imigrantes
tem sido tratado como natural
e opção super normal.
Feliz Aniversário, General!
O senhor está preso inocente
porque discordou pacificamente,
mas deixarem um rastrojo
solto virou coisa de gente decente
em mais um dia de Inês descontente.
O General que
está há quase
dois anos preso
injustamente,
É um dos
três Generais
que estão
privados de tudo,
E enterrados vivos
a cada minuto
em Fuerte Tiuna,
Ali após a nove
da noite não
se recebe mais
nenhuma visita.
Dizem que há
um tenente
triste e enfermo
e de Ramo Verde
um Capitão
da GN foragido
saiu correndo,
Se é mesmo
verdade
só Deus sabe,
É preciso se
reconciliar para
dar um basta
neste pesadelo
tão covarde.
E vendo a vida
na vitrine conto
além da captura
do General
em meio de uma
reunião pacífica;
Ele e tantos
ainda esperam
a liberdade cantar
sob a luz do sol
da justiça um
país se pacificar.
Daqui há pouco
completam dois
exaustivos anos
que o General
está preso sem
nenhuma prova,
Ele foi preso
no meio de uma
reunião pacífica.
Que ocorreu no
inesquecível dia
treze de março
que ele foi sem
nenhum motivo
à prisão levado,
repito sempre
como se repete
uma prece com
o santo rosário
doa a quem doer,
para que jamais
o esquecimento
encontre espaço.
A irmã, as filhas
e família estão
mui tristes e todos
que gostam dele
sentem a falta
que faz em liberdade,
e sem pedir licença
também sinto
como fizesse
da história parte.
Como não há
resposta sinto
muito por ele
e pela tropa,
E insisto
pelo milagre
da reconciliação
que os colocará
novamente
no caminho
da vida que foram
todos arrancados.
No dia treze
de março
do ano de dois
mil e dezoito,
um General
foi preso
injustamente
no meio de
uma reunião
ordeira e pacífica,
E contra ele
tudo ficou tudo
ficou por
isso mesmo:
nunca mais
se ouviu notícia
de libertação.
Um poemário
em reclamação,
Dando conta
de saber do
destino da tropa
e da população
de um continente
a poesia
além escrita,
vem alimentando
uma multidão
e dos ouvidos
virou a canção.
O General deixou
como mensagem
a reconciliação,
E eu poesia
todo o dia
pela consciência
continental
para um povo
nascer de novo
e libertar a mais
frágil filha de Bolívar.
Quando a liberdade e a vida
estão em jogo
seja a de uma tropa
ou de um General
lá na Venezuela,
Ou alguém precise
de uma palavra
em Tigray, na Ucrânia,
na China ou na Palestina,
Não aposto na uma
última tentativa,
Todo o dia sempre
é um novo dia
para ser a poesia até o final.
No próximo mês já é Natal,
não há nenhuma notícia sobre
a liberdade da tropa e do General,
a esperança vem do diálogo
no México porque o cálice tem
sido incontestavelmente amargo.
O General está preso desde
o dia treze de março
do ano de dois mil e dezoito
por ter elevado a voz
contra todo o tipo de desgosto,
ele continua sem perspectiva
e sem ver brilhar o Sol da Justiça.
No próximo mês já é Natal,
menos para a tropa e o General
que optaram em ser presos
de consciência onde a Justiça
deles não tem sequer clemência
e seguem no calvário prolongado.
O relógio do tempo tem sido
implacável com todas as esperas,
nem o Esequibo tem escapado,
espero que a Corte restabeleça
a justiça e para a Venezuela
seja perpetuamente devolvido
para a Nação reencontrar o destino.
Enquanto a liberdade não
vem para um General preso
injustamente por uma falsa
acusação de instigação
a rebelião e para uma tropa
em igual política prisão,
Desde o dia treze de março
do ano de dois mil
e dezoito tenho
escrito este poemário.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
inundada de prisões
políticas intermitentes.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
que se esqueceram
que o Sol da Venezuela
nasce no Esequibo,
e que ali fica a nossa
dupla fronteira
venezuelana e brasileira.
Sem nenhuma perspectiva
de justiça e uma suposta
notícia de mudança
para o cárcere de Yare,
O velho tupamaro
em greve de fome resiste.
Não pertenço
ao continente e a essa
região de indiferentes
que se cala para
os cinquenta imigrantes
mortos encontrados.
dentro de um
caminhão no Texas.
Eu sou brasileira nacionalista
e filha da América Latina
vibrante pela própria Soberania,
e por cada restituição
histórica nutro a estima.
Dentro deste poemário
muitas histórias venho
contando enquanto
o General e a tropa
não forem libertados.
O General segue preso
injustamente acusado
falsamente de instigação
a rebelião desde o dia
treze de março do ano
de dois mil e dezoito,
Ele só pedia entre todos
o encontro, o diálogo,
a paz e a reconciliação.
Dentro deste poemário
ainda me lembro que
o Professor Carlos Lanz
continua desaparecido
e para uns este caso já
está encerrado e esquecido.
Dentro deste poemário
ainda registro o martírio
intermitente em vida
do velho tupamaro
vítima de brutal injustiça
e até agora não recebeu
nenhum direito requerido.
Os poemas da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem,
No Maringma-tepui do Esequibo
Venezuelano os meus
versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.
O General continua preso
injustamente há mais
de quatros anos por causa
de uma falsa acusação
de instigação a rebelião,
e sem nenhuma previsão
de justiça simplesmente.
Há paisanos e militares
em trágica situação
igual onde as vidas
estão contando com
o milagre do encontro,
diálogo e da reconciliação.
Expresso preocupação
pela vida do velho tupamaro
em espírito de rebelião
que não come há vinte dias,
E preocupada com
as últimas notícias do que
dizem estar passando os presos
de consciência em Fuerte Tiuna
Separar os fatos é preciso,
devolver o território
à Venezuela é um imperativo
que a Corte Internacional deve
agir em nome do que é de Direito.
E no Achipo-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.
Repetidamente e muito antes
desta data fatídica
que marca a injusta prisão:
(O General pediu paz,
diálogo e reconciliação).
Há quatro floradas da cattleya
que é a flor nacional:
Não há idéia de quando
vão libertar o General
que é preso de consciência.
Em nome de cada carta
que nunca enviei e jamais
enviarei por ser estrangeira:
(poemas tenho escrito).
Cada verso escrito
da minha responsabilidade
tem o signo de quem
busca no escuro:
(a luz da liberdade).
Entre contas de 325
e 190 militares presos
na mesma condição
por serem agarrados
na própria convicção:
(Ontem, hoje e sempre
do General e por todo
inocente como ele não
me canso de pedir a libertação).
Passou o Natal,
nada se sabe a respeito
da liberdade
da tropa e do General.
Nada se sabe
do calvário
do Tenente Coronel,
Só sei que do velho
tupamaro também não.
Passou o Ano Novo,
nada se sabe a respeito
da liberdade
da tropa e do General.
Não há notícias de
consolação para
os corações de quem
tem entes desaparecidos.
O Ano está começando
nada se sabe a respeito
da liberdade
da tropa e do General.
Só sei que estes poemas
são todos meus,
e continuarão
sempre os mesmos,
(se nada mudar);
porque mesmo que
eu me cale todos
estão a se espalhar.
O General foi preso
indevidamente só
por pensar diferente,
Pensar diferente para
uns é um crime por
não aceitarem ter
na vida um divergente.
A prisão de consciência
do General é reconhecida
publicamente muito
além das habituais listas,
Não há como ser indiferente
com uma tropa que
como ele sofre intermitente,
As vozes dos clamores
pela liberdade de todos
têm sido crescentes.
O General foi preso
no dia treze de março,
do ano 2018 no meio
de uma reunião pacífica
no Hotel Presidente,
e preso segue injustamente
sem acesso a justiça só
porque pensa diferente,
e nunca foi indiferente.
Só sei de uma coisa
sobre quem pensa
que pode destruir
caminhos colocando
destinos fora de prumo,
e que assim está
caminhando no rumo certo:
"No tiene sueños,
ni alas, solo silencio
y soledades amargas".
...nunca mais viu...!
...o General nunca mais viu
a liberdade,
...a Justiça ali sumiu...!
...nunca mais nem a tropa a viu...!
...O General nunca mais viu
o velho Pai,
e dele não se despediu,
não porque não quisesse:
a humanidade de quem
(tem a vida dele nas mãos)
não o permitiu!!!
...nunca mais viu...,
o irmão do General partiu
e não sei
se dele o General
também não se despediu.
só sei que ele nunca mais viu,
não porque não quisesse,
não porque não quisesse;
(só sei que ele está preso
passando porque aquilo
que nenhum ser humano merece).
Levaram o amado
da filha do General
mais antigo e preso,
poderia até condenar,
não é sempre que
eles estão errados.
O lúcido é esperar
e aguardar os fatos
para criticar ou não,
e para rezar que o
os direitos humanos
sejam resguardados
O diálogo nacional
para se reconciliar
com os prisioneiros
de consciência total
como é o General
preso injustamente
já deveria ter
((((acontecido))).
Aprisionam ainda
o velho tupamaro,
a minha Mãe sempre
me pergunta quando
é que vão libertá-lo,
e eu nem sei mais
a ela o quê responder.
O Carlos Lanz segue
((((desaparecido))))
e não há nada que
faça este juízo
((((convencido)))),
não há resposta
plausível para o quê
pode ter ocorrido.
Satyagraha: você sabe
que isso não se faz,
eles prenderam
o teu General injustamente.
Satyagraha: você sabe
que a Justiça desapareceu
ali em plena reunião
pacífica simplesmente.
Satyagraha: o teu General
foi caluniado e teve o nome
usado indevidamente.
Satyagraha: você sabe
que eles levaram
o teu General brutalmente.
Satyagraha: deixaram
o teu General isolado
algumas vezes e com
a vida degradada
(covardemente).
Satyagraha: de muito longe
percebi a história e você
parece que está indiferente.
Satyagraha: hoje fazem
três anos de prisão ilegal,
lenta e sem acesso
ao devido processo
(cruelmente).
Satyagraha: nem carta
posso enviar
para ajudar o tempo passar
porque sou estrangeira;
você sabe que a verdade
não se represa
nem poeticamente.
Satyagraha: o teu General
não merece tamanha
indiferença e ingratidão
de uma gente sem coração.
Satyagraha: cada latino-americano
verso é para pedir
que tenha compaixão
tirar ele da prisão,
um continente da escuridão.
Satyagraha: o General é teu filho
e mesmo que uns se calem,
está escrito em oito estrelas
na história do movimento e no destino.
