Fúria
Que fúria me assalta, qual Ares em bramido,
quando os campos de Troia estremecem ao trovão;
não pela lâmina do inimigo assumido,
mas pelo beijo traidor da falsa mão.
Reflexão Autocontrole
"A verdade não precisa de fúria para ser verdade. Só os inseguros precisam de volume na voz."
@Suédnaa-Santos
O Brasil é um país sequestrado por uma cultura barata que vai do BBB à fúria democrática do Carnaval, passando pela corrupção da política e pela indiferença dos ricos que andam de helicóptero.
Quando as águas silenciarem a fúria do abismo e a luz despir a ilusão da forma, a beleza deixará de ser guerra para se tornar o eco eterno do próprio enigma.
Reno Fioraso
Título: Paz Interior
Quando a tormenta em fúria se levanta
E o mundo agita o pó das ilusões,
Procuro a voz que dentro em mim encanta
E aquieta as íntimas revoluções.
Não busco aplauso vão que me suplanta,
Nem glória feita de frágeis ambições;
Prefiro a paz que silenciosa canta
No templo oculto dos meus corações.
Se a dor insiste em turvar-me a estrada
E o medo sopra sombras pelo chão,
Firmo na fé minha alma já provada.
Pois descobri — na luta e solidão —
Que a paz não vem do exterior nem do nada:
Nasce de Deus e habita o coração.
Raízes e Sussurros
Gritarei para o mundo,
não com fúria, mas com fogo.
Porque existir, em mim, não é acaso.
É eco.
É raiz que pulsa sob a terra,
folha que se recusa a cair calada.
Carrego em mim
a dor dos que não falam,
a esperança das sementes,
o sussurro dos bichos
que a humanidade esqueceu.
E mesmo quando duvidei de mim,
a natureza ainda acreditava.
O sol nascia.
Os rios corriam.
As folhas insistiam em nascer,
como se dissessem:
“Você também é parte disso tudo.”
Sou consequência das estrelas,
mas também das lágrimas.
Sou luz,
sim,
mas uma luz que conhece a escuridão.
Há raízes em mim
que não sei nomear.
Há vozes que não são minhas
e ainda assim vivem no meu peito.
O rio que corre
carrega histórias que não ouvi.
A árvore que permanece
guarda silêncios mais antigos que os meus.
E os animais,
com seus olhos silenciosos,
parecem perguntar
por que esquecemos
que também somos parte da vida.
Talvez eu seja pequena
diante de uma árvore antiga,
breve diante de um oceano,
impermanente diante da Terra.
Elas estavam aqui antes de mim.
Talvez permaneçam depois.
Sou apenas um sopro,
uma faísca breve
num planeta em combustão.
Mas essa faísca sente.
Essa faísca escuta.
E enquanto houver vida
correndo sob a terra,
enquanto houver sementes
rompendo o concreto,
enquanto houver um animal
procurando abrigo,
eu também estarei aqui.
Não como dona.
Como parte.
Porque talvez existir
seja justamente isso:
deixar de olhar o mundo
como algo que nos pertence
e finalmente perceber
que pertencemos a ele.
E há coisas que o mundo sussurra
antes que aprendamos a ouvir.
Eu ouvi.
E agora carrego suas raízes
dentro de mim.
Satanás não é um rival à altura de Deus; ele é um adversário que direciona sua fúria contra o ser humano por pura inveja do amor divino.
Eu sinto que carrego uma fúria antiga dentro de mim, algo que nasceu há muito tempo e que ninguém percebeu. Começou pequeno, como uma farpa, mas cresceu comigo, torto, pesado, como se tivesse se encaixado no meu peito sem pedir licença. E toda vez que eu falho, essa raiva acorda. É quente, inquieta, lateja na pele e me pergunta, com uma brutalidade que só eu conheço: por que você não foi o bastante? Por que você nunca é?
Eu não tenho resposta. Só sinto o impacto um golpe seco bem no meio do peito, desmontando tudo que eu ainda tentava manter firme.
Às vezes eu queria arrancar essa parte de mim, expulsar essa voz que me mastiga viva cada vez que eu não atinjo o que espero. Eu queria jogar fora essa exigência que me cobra até quando eu tô de joelhos. Mas logo depois da raiva vem a tristeza. Ela chega devagar, quase com carinho, e me abraça um pouco apertado demais. Ela sussurra que sabe, que entende, que tudo que eu queria era ser suficiente. Só isso.
E é nessa hora que eu encolho. Que eu me sinto pequena de novo. Não pequena como uma criança inocente, mas como alguém que aprendeu a diminuir sua própria existência pra não incomodar ninguém com suas falhas. Como se meu erro ocupasse mais espaço do que eu mesma.
Tem uma parte de mim que queria gritar, quebrar tudo, arrancar meu nome das expectativas que eu mesma escrevi. Queria fugir de mim. Mas existe outra parte tão frágil, tão quietinha que só queria um colo em que eu pudesse me largar sem precisar justificar nada. Só queria poder dizer: “eu tô cansada, eu tô machucada, eu não aguento ser forte hoje.”
Eu vivo num território estranho entre a minha raiva e a minha tristeza. A raiva me acusa, a tristeza me acolhe, e eu fico ali no meio, sem saber de qual das duas fugir primeiro. É como se eu estivesse sempre lidando com a dor de não chegar onde eu achei que deveria chegar, e com o luto por não ser a versão de mim que eu imaginava.
E mesmo assim… eu sigo. Eu continuo. Não porque eu me sinto forte, mas porque tem uma parte de mim, pequena, quase imperceptível, mas viva que acredita que existir já deveria ser suficiente. Que talvez um dia eu consiga me olhar com um pouco mais de gentileza. E que, quando esse dia chegar, talvez eu finalmente consiga me perdoar por ser humana.
Se Jesus acalmou a fúria do oceano com apenas uma palavra, o seu coração também pode encontrar descanso na mesma voz poderosa.
Transformamos o mundo em um campo de batalha onde a violência, o ódio e a fúria cega alimentam a sede de destruição que corrói o que restou de humanidade em nós.
O medo e a fúria tomaram o lugar da paz, e a vida perdeu o valor diante de corações empedernidos que só sabem semear a desgraça e o desespero.
O maior triunfo dos falsos profetas foi convencer o rebanho de que expor o lobo atrai a fúria do criador, quando na verdade só ameaça o bolso do pastor.
Fúria! Todos procuram defeitos para atirar pedras sobre mim, mas nem mesmo me procuram para saber sobre mim!
Acaso és perfeito, oh, julgador? Por que não crucifica a si mesmo? Pois apenas olhas a trave dos mais fracos, impiedoso!
Dizes tu que queres ajudar-me com críticas que ferem como espadas de dois gumes? Portanto, eu te afirmo: Médico, cura-te a ti mesmo!!
1
Ontem,
o céu desabou em fúria ⛈🌧🌩
raios, trovões, trovoadas
e o silêncio forçado
de dez horas sem luz.
Acendi velas
para enfrentar a noite,
sentei na varanda
e deixei o frescor
e o cheiro da chuva de verão
me atravessarem.
Foi então que a infância voltou.
Ó, infância!
Tão rica em gestos pequenos
e mundos imensos.
Quando a luz faltava,
inventávamos imagens nas paredes:
dedos, mãos, sombras vivas
dançando à chama da vela.
Éramos felizes
com tão pouco.
E nem sabíamos.
2
A tempestade levou a energia
e trouxe lembranças.
À luz frágil das velas,
a noite deixou de ser escura
e virou memória.
Na varanda, a chuva de verão
cheirava a ontem.
Lembrei da infância,
quando a falta de luz
era brincadeira,
e as mãos criavam mundos
nas paredes nuas.
Éramos felizes
sem nomear a felicidade.
Ela apenas existia.
Faltou a luz.
Sobrou a infância.
Uma vela,
uma parede,
duas mãos
e o riso fácil
de quem ainda não sabia
o peso do tempo.
3
A chuva caiu como quem bate à porta do passado.
E, sem pedir licença, entrou.
Na penumbra da casa sem luz,
as velas acesas abriram frestas no tempo.
Sentei-me em silêncio,
ouvindo o sussurro do vento
e respirando o cheiro morno da chuva de verão.
Foi ali que a infância me encontrou.
Inteira.
Descalça.
Com as mãos pequenas desenhando mundos
nas paredes insones da noite.
Não havia pressa.
Nem medo.
A escuridão era brincadeira
e a simplicidade, um milagre cotidiano.
Éramos felizes,
não porque sabíamos,
mas porque vivíamos.
Hoje, a memória acende
o que o tempo apagou.
E, por instantes,
à luz frágil da lembrança,
volto a ser casa.
✍©️@MiriamDaCosta
A paz é uma criança brincando na rua,
A violência é o adulto com fúria brutal.
Ambientes diferentes,
E o combate feito no lugar errado.
De repente a chuva chegou com tanta fúria , trazendo com ela um furacão derrubando todas as muralhas ao redor e destronou minha paz.
A tempestade tem inveja da felicidade, ela é traiçoeira, é venenosa, não sente, também não gosta do amor nem da luz.Ela chega, matando todo tipo de alegria, ela entra como uma nuvem negra cega e embassa a visão, não nos deixa ver, o sol sugindo além da montanha..
Más a tempestade do jeito que chega vai de repente embora, e vai passar, já passou vamos fazer mudanças vai começar um novo ciclo...de paz..!
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
