Fundo

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Olho para o mundo e tenho medo dele. Acho que no fundo tenho medo da felicidade ou ela de mim. Sempre que estou muito feliz fico desconfiada. Desconfio secretamente e vou-me afastando para que ela não acabe por si só. Prefiro eu correr dela, assim não corro o risco da felicidade me deixar.

Fico em silêncio por um longo tempo e procuro saber o valor dele. Há tantas coisas que eu queria escrever, mas, não posso. As palavras me deixam com medo, por isso fico calada. Há tantas coisas que nunca escrevi e que morrerão comigo. Este silêncio é a minha garantia. Dentro dele está o meu EU gritante.

Quero explodir para que as palavras se libertem. Seria uma loucura as palavras soltas por aí. Ninguém entenderia nada, porque elas se misturariam. Às vezes quero a verdade outras vezes o oposto dela me alimenta. O cotidiano me mata de tédio, por isso me reservo e escrevo.

A vida é tão passageira! É como um sopro. Sopramos e ela se vai. Não entendemos nada da vida e isso me deixa angustiada. Pensar que a vida é um sopro, logo vem à minha mente uma bolha de sabão solta no ar. Tocamos nela e ela explode.

Ficam no ar apenas pedacinhos que vão se desintegrando um a um. Assim imagino o sopro da vida. Uma película muito fina, quase invisível, transparente, brilhante com multicores como se fosse um arco-íris. Duram apenas alguns segundos e explodem.

São os segundos mais belos que nossos olhos já fotografaram e guardaram na gaveta do tempo. Assim é o sopro da vida. Simples, intenso e belo. Se deixarmos passar em branco ele se vai sem deixar nenhum vestígio.

Eu me faço e me refaço até chegar no fundo – e renasço, como se o mundo me carregasse em seus braços.

Para chegar ao topo da montanha é preciso aprender lições que apenas o fundo do poço é capaz de ensinar.

“O pior não é descobrir. É sentir que, no fundo, você sempre soube.”

“Às vezes eu respiro fundo… e lembro que o silêncio é mais inteligente.”

“Tem silêncio que corta mais fundo que mil verdades jogadas na cara.”

"Deixei que o silêncio me engolisse só para descobrir que, lá no fundo, eu ainda gritava com a sua voz."

Feliz aquele que tem no quintal um jardim, no fundo do quintal um pomar, e o canto do sabiá.

Você é a prova viva de que as melhores coisas da vida não se explicam, apenas se sentem no fundo da alma.

Apego Ato 1

Luz sobre ele. Silêncio. Ele respira fundo.)

Que fiz eu…

Que fiz eu, senão tomar mãos humanas
e moldá-las em divindade?

Era carne como eu.
Era falha como eu.
E ainda assim, eu a vesti de eternidade.

Com minhas próprias mãos ergui o trono.
Poli a madeira com expectativas,
revesti-o com promessas que nunca foram ditas,
e a coloquei lá no alto… acima de mim.

(ri, amargo)

E então ousei perguntar por que não me via.

Mas como poderia?
Do alto do altar que construí,
tornei-me chão.
Tornei-me base.
Tornei-me invisível.

Ó coração tolo,
confundiste amor com reverência,
entrega com submissão,
admiração com ausência de si.

Não foi ela quem subiu
fui eu quem me ajoelhei.

(pausa)

Amor…
amor não pede joelhos.
Não exige plateia.
Não se alimenta de distância.

Amor é encontro.
É altura contra altura.
É dois olhares no mesmo nível do céu.

E se hoje sofro…
não é por não ser visto.

É por finalmente enxergar
que fui eu quem construiu a própria sombra.

(Luz se apaga.)

O homem de ego frágil, no fundo se sente superior para não deixar a guarda do falo frágil, condená-lo, pelo tamanho mínimo do seu cérebro.

Se Deus faz o peixe se alimentar no fundo d'água e respirar.
O que Deus não pode fazer?

Eu mergulhei fundo e encontrei você

A vida é o maior barato do mundo


Mas não é um saco sem fundo

... no fundo,
somos não somente as vítimas,
mas os originários algozes dos nossos
próprios infortúnios... E na justa ciência
de tão factual dualidade íntima reside
ônus que nos permitedesassociar o
que nos constrange das escolhas
que nos depuram!

No fundo, todos somos comuns na mais comum das coisas.

No fundo, somos animais sentimentais.

" E no fundo desse abismo, não há encontro. Apenas a permanência de quem caiu primeiro e nunca mais encontrou o chão. "

⁠Ah, ninguém tenta ir fundo dentro de si mesmo.
do livro aforismos vol.4

Doeu diferente de tudo que já senti nesses setenta e três dias. Foi mais fundo, tipo descobrir uma prova de que aquilo tudo foi real, de verdade, escrito à mão, guardado sem querer.