Fui
Sabe, já fui mais cinzenta.
Já chorei várias vezes e já me entristeci com a chuva.
Já deixei de esbanjar sorrisos. Já deixei de tentar ser una.
Mas, este aqui agora – este aqui é o teu riso,
Que me acompanha o paço e me faz perder sentidos.
E teus olhos, brilham como diamantes lapidados de sonhos
E tua boca espreme meus lábios
com uma ânsia louca de que o dia não finde.
Não findará, não terminará, acredite!
Somos amor.
Nunca fui bom exemplo para nada mas existo e persisto viver pelo bem que acredito. Não sou menos e nem mais importante que as menores das criaturas, que neste tempo comigo, habitam este mundo. Tudo tem sua razão de ser, neste momento e pela eternidade.
- Aquilo fez o tempo parar dentro de mim, fui sequestrado por uma presença que não era minha, e ao ouvir aquela frase, eu senti algo que jamais sentira antes. Seja qual for a mensagem que o destino queira me entregar, eu simplesmente fechei meus olhos e a abracei. Abracei como se não houvesse o instante seguinte, como se o sutil toque do relógio parasse, e como se aguardasse meu suspiro para dar sua badalada seguinte, sua resposta, ali parados, envoltos, foi também a minha.
Sorri, por entre as lágrimas, como a menina que fui, já não agarrada à mão da minha tão amada avó, mas para sempre, presa a ela, por lindas penas brancas a esvoaçar até ao Céu.
O CÓDIGO DAS APARÊNCIAS, A ELEGÂNCIA DO VAZIO
Nunca fui eu quem viu o mundo de um jeito errado. Foi o mundo que se acostumou a olhar torto e chamar de normal o que o desnutriu.
Sempre observei com calma e clareza as vaidades humanas, essa fé cega nas aparências, esse culto ao tecido, à marca, aparência cara.
Percebi cedo que o tratamento muda conforme a roupa.
Se estou de acordo com o figurino, sou tratado como alguém digno de escuta.
Mas basta vestir o que é confortável, o que é meu, e já sou confundido com alguém menor, sem valor.
O traje é um passaporte social.
Quem veste o uniforme da convenção entra. Quem veste a própria pele é barrado na porta.
O mais curioso é que os mesmos que exigem elegância não conseguem enxergar educação no olhar sincero, nem grandeza em um corpo simples.
Confundem brilho com valor, perfume com virtude, mentira com sabedoria.
E nessa inversão de sentidos constroem o vazio que os engole e consomem seus filhos, vendem status, compram aprovação e chamam o aplauso de propósito.
Tristes dos que vivem da casca, só percebem o abismo quando o chão cede, e o chão sempre cede, porque foi feito de vaidade.
A sociedade adora o disfarce.
É por isso que respeita quem finge e rejeita quem sente. O código das aparências é a religião do vaidoso, onde o espelho é altar e a consciência é silêncio.
Mas há quem se negue a ajoelhar.
Há quem saiba que a roupa não sustenta caráter e que o corpo, por mais enfeitado, não abriga verdade alguma se a alma estiver ausente.
Não é rebeldia, é lucidez.
A roupa que visto não muda o que sei.
A aparência que esperam não define o que sou.
O mundo pode continuar se engomando, eu sigo sendo humano.
Prefiro o desconforto da autenticidade ao conforto de uma farsa bem passada.
Porque, no fim, o corpo fica, a roupa apodrece, e o que resta é o que ninguém viu, a dignidade que sustentou o silêncio, a verdade que não precisou de terno e a coragem de não caber no falso figurino.
Daqui não se leva nem o corpo, muito menos a fantasia.
ENTÃO, NADA DO QUE EU FUI CONTOU?
Eu não fiz promessa.
Fiz presença.
Cheguei sem alarde, sentei no chão da dor alheia, ouvi histórias repetidas
como quem respeita feridas abertas.
Eu estendi a mão sem contrato, sem registro, sem a necessidade de ser lembrada.
Mas há quem confunda apoio com obrigação invisível. Há quem só reconheça o vazio porque o vazio combina com a própria identidade.
Eu fui ponte, e ainda assim disseram
que não havia caminho.
Talvez porque atravessar
exigisse responsabilidade.
Não me dói mais não ser citada.
Dói perceber que algumas pessoas
precisam apagar o amor recebido
para continuar chamando de injustiça
a própria escolha de não mudar.
Hoje eu recolho minha presença.
Não como castigo, mas como cuidado.
Quem transforma companhia em nada
não perdeu alguém, perdeu a chance
de se tornar maior do que a própria dor.
📝 RUPTURA: Poema do Homem Sensato e a Paixão
Eu sempre fui um homem sensato,
Linhas retas, razão, tudo no lugar.
Organizado e bom de lidar, era fato,
Pronto pra colheita de um futuro a planejar.
Precavido com a vida, para evitar o fardo,
Queria um futuro brilhante e controlado pra viver.
Cada dia, cada passo, meticulosamente guardado...
Até você aparecer.
Minha cabeça escolhia bem o que fazer,
Tinha o controle da minha vida no lugar.
Mas bastou seu sorriso... para tudo estremecer,
E o meu coração, subitamente, querer comandar.
Foi aí que a bússola girou, perdi o Norte,
E a minha vida virou de ponta-cabeça, inteira.
Eu troquei a armadura, o terno forte,
Pela tua camiseta, leve e passageira.
Eu que só olhava a cotação, o balanço,
Agora só leio os sinais da sua respiração.
Minha planilha de gastos, agora é teu descanso,
E o meu "tempo é dinheiro" virou tua canção.
Eu planejei a estrada, quilômetro a quilômetro,
E você, sem aviso, me fez mudar o mapa.
Trouxe o caos, a desordem, o ar atômico,
E me fez feliz, sem volta, sem etapa.
A minha razão, essa voz que insiste em ser dura,
Grita: "Para com essa loucura! Isso não tem cura!"
Mas de que adianta estar certo, no castelo de vidro,
Se a alma clama o seu nome, faminta, em desespero?
Eu não sei de onde vem essa força que me leva ao perigo,
Eu só sei que me faz bem, me perdi no seu abrigo.
E se eu tiver errado... que o universo me castigue,
Porque por você, de livre e espontânea vontade, eu me rendo e sigo!
É a Ruptura, o momento final!
A minha cabeça sabe o que é bom, o que é ideal,
Mas meu coração ignora a linha de chegada, o final.
Eu sou o descontrole, eu sou a emoção que se elevou!
Um homem que era sensato, e que por fim... enlouqueceu de amor!
Me apaixonei por quem a minha mente nunca sonhou em amar,
Rasguei o manual, joguei a razão no fundo do mar.
Só pra deitar do seu lado, neste abraço que me consome.
Pode me julgar, doutor... A paixão é meu novo nome.
Fui acumulando algumas cicatrizes ao viver. Fui cobrindo as feridas com um pouco de lamento, bem pouco. Muitas vezes deixava o riso solto e incumbia a ele a tarefa de absorver as dores. E o riso não me deixou na mão. Fez curativos tão precisos que em certos lugares nem marca ficou. Só as mais profundas, estas não tem jeito. Doem vez ou outra, mas é para que talvez eu me lembre de não cometer de novo os mesmos erros.
Amo quando dizem que eu não sou capaz isso para mim é estímulo,motivação eu sinto que fui desafiado!
E então eis que fui escolhida, e quis ser. Deus criou para cada um de nós um dom e, junto com cada dom deu-nos uma missão. Deu-me o dom de amar e, a missão de mostrar à você o caminho de volta. E com esse dom e essa missão aprendi que, quem ama não teme.
Flávia Abib
____________________(A Fênix e a Libélula)
Por um grande momento
fui entrega...
no final,
descobri um grande engano!
Resolvi acalmar meu coração
e segui sem olhar
para trás...
eis que encontrei a paz!
Eu foquei em coisas que não existiam, te deixei de lado te perdi, me perdi e fui exilado, ando sem rumo perdido sem forças para viver, sem sentimentos para poder sorrir, sem motivação para conseguir viver.
