Fuga
Fuga do pesar
Caminhei triste mergulhado em passos lentos,
Desci alguns degraus sem saber o caminho de volta,
Duros foram os golpes, amargas foram as noites observando o céu noturno em silêncio,
As esperanças vagavam em voos profundos sem a mínima preocupação,
Uma mão eu senti por sobre a minha cabeça quando mais nada tinha valor em vida,
Os sonhos trouxeram uma costura do tempo mostrando quem eu era e quem eu ainda poderia ser,
O sal foi jogado fora, o mel começou a ganhar prioridade,
Mesmo dentro da tormenta o inabalável me alcançou, novos caminhos saíram por entre as nuvens,
Vi várias mãos estendidas me trazendo boas novas,
Olhei para o céu noturno novamente e dessa vez ele sorriu pra mim.
Alma em fuga...
Acordei um pouco vazia, sensação de vazio... e uma nostalgia (mas passa) são coisas da vida, talvez a idade avançando, a incerteza e até certezas do que a vida nos apresenta num mix de alegria e também de frustração, alguns planos feitos outros desfeitos, é interessante como em certo momento de nossa vida nos deparamos com essa sensação, aí o peito estufa e o suspiro solta profundo...profundo...ai lembro minha mãe e volto imergir no útero materno e me coloco na posição fetal e sinto o acolhimento da alma e volto a suspirar novamente... E a vida segue seu curso comigo dentro daquele barquinho de papel que fiz na infância navegando no líquido amniótico de agora....nessa saudade imensa de outrora...
No fundo do fundo do nosso âmago, a gente sabe quando está fugindo de algo, na mesma intensidade que a gente sabe que uma hora terá de encarar isso.
Não se esqueça de que refugiados são gente como você, hoje é o momento deles, amanhã pode ser o seu.
Na angústia não acontece nenhuma destruição de todo o ente em si mesmo, mas tampouco realizamos nós uma negação do ente em sua totalidade para, somente então, atingirmos o nada. Mesmo não considerando o fato de que é alheio à angústia enquanto tal, a formulação expressa de uma enunciação negativa, chegaríamos, mesmo com uma tal negação, que deveria ter por resultado o nada, sempre tarde. Já antes disto o nada nos visita. Dizíamos que nos visitava juntamente com a fuga do ente em sua totalidade.
Amar, algo gostoso e bom, porém algo sinuoso e periogo, que nos causa medo de perder o ser amando, tudo que esperamos é ser amado pelo ser que amamos, nos causa insegurança quando vemos que estamos desarmados perante uma paixão, e estar desarmado é estar suscetível a qualquer tipo de ataque que machuque o coração, amar ou nunca amar eis a dúvida...
Leminski,
me perdoe!
Mas, eu discuto com meu destino, sim.
Não assino qualquer coisa que pintar.
Mesmo o que eu assinar,
se eu me arrepender,
não tenho problema em rasurar.
